O freio, o leme e a fagulha


Parece até aquelas charadas para crianças, não é mesmo? O que há em comum no freio do cavalo, no leme do navio e na fagulha? Resposta: apesar de pequenos são responsáveis por grandes coisas.


Esta é a intenção do apóstolo Tiago ao falar destes três. É demonstrar que a língua, apesar de pequenina, pode trazer grandes consequências.

Tiago 3:3
3 – Ora, se pomos freio na boca dos cavalos, para nos obedecerem, também lhes dirigimos o corpo inteiro.

Os cavalos são maiores e mais velozes do que os seres humanos. Porém quando se coloca o freio na boca de um cavalo, dominamos não só a sua cabeça, mas o corpo inteiro. Com o pequeno freio o poderoso animal irá para onde o cavaleiro desejar.

Tiago 3:4
4 – Observai, igualmente, os navios que, sendo tão grandes e batidos de rijos ventos, por um pequeníssimo leme são dirigidos para onde queira o impulso do timoneiro.

Os navios eram uma das maiores estruturas que os primitivos cristãos conheceram. Mas apesar de serem grandes e lutarem contra os ventos, ondas e tempestades, na verdade eram controlados por um leme pequenino, no formato de uma língua. Com um pequeno leme a enorme estrutura podia ser controlada pelo timoneiro.

Tiago 3:5
5 – Assim, também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas. Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva!

Todo incêndio começa pequeno. Em época de seca é muito comum isso acontecer. Certa vez observei duas mulheres conversando em uma rua ao lado de um terreno baldio. Uma delas jogou o toco de cigarro enquanto, distraída, papeava. Logo elas correram dali pois aquela pequena fagulha se transformou em uma enorme labareda de fogo.

Estes três exemplos mostram que a língua, apesar de ser pequena, é responsável por grandes eventos. Assim como o cavalo é dominado pela boca, o navio pelo leme, e um grande incêndio começa com uma fagulha, corremos o risco de sermos dominados pela nossa própria língua.

Afinal, não são poucos os pecados e erros que começam com simples palavras e nos levam a ação, a uma expressão física.

O adultério começa com uma conversa lasciva, erótica e sensual. Assassinatos e vinganças começam numa discussão acalorada. Mágoas e feridas emocionais são fruto de palavras violentas.

Por outro lado, quantas vidas desesperadas são restauradas, são reanimadas porque alguém teve a capacidade de falar palavras de encorajamento, de instrução, de direção. Algumas pessoas desistiram de tirar suas próprias vidas porque alguém lhes deu esperança com suas palavras.

Você consegue perceber a força que há na sua língua? Percebe que apesar de pequena ela produz grandes efeitos?

Provérbios 18:21
A vida e a morte estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto.

Para pensar
Que tipo de efeito suas palavras têm gerado na vida das pessoas? Efeitos bons ou maus? Como estamos utilizando nossa língua como igreja? Para edificar pessoas? Ou para destruí-las?


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Andrei de Almeida Barros é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Em 1998 trabalhou como missionário em Portugal. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e ordenado pastor em 2004. Atualmente cursa Licenciatura em História. É fundador e editor do site www.semeandovida.org
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