Seja paciente como os profetas


“Irmãos, tomai por modelo no sofrimento e na paciência os profetas, os quais falaram em nome do Senhor” - Tiago 5:10

Diante da situação de um mundo cada vez mais hostil ao Evangelho que ensina a Bíblia, é necessário que cada cristão aprenda a exercer a paciência. Mas não é simplesmente aquele desabafo que fazemos quando justamente estamos irritados: “Haja paciência!”. Não. Aqui se trata do modelo de paciência e perseverança que tiveram os profetas verdadeiros que falavam em nome de Deus.


Por que é didático pensar neles? Porque ao serem fiéis a Deus, os profetas trilharam um caminho bem mais espinhoso que alguns cristãos andam hoje. Eles eram de forma geral muito perseguidos, pois basicamente pregavam a justiça e a verdade diante da opressão social, do paganismo e pecado. 

Eram uma espécie de “pedra no sapato” no sistema governamental e na falsa religião, porque criavam instabilidade política mudando a opinião das pessoas (Jeremias 38.4). Por isso alguns deles acabavam por ter má fama de sempre profetizarem “coisas ruins” (1 Reis 22.8)

Tiago não cita nenhum deles pelo nome, já que escrevia a cristãos vindos do judaísmo, ou seja, pessoas que já conheciam desde a infância, com carinho e valor, a história dos profetas. Mas nós, distantes no tempo e na cultura, corremos o risco de perder a profundidade de tal apelo.

Sejamos pacientes como Jeremias! Jurado de morte, vivia sob a tensão de ser assassinado a cada profecia que pronunciasse (Jeremias 38.15,16). Foi privado do conforto do lar e das alegrias da família (16.1-9). Era ridicularizado, zombado, insultado e censurado constantemente (20.7,8). Sofreu espancamento e foi preso mais de uma vez, (20.1, 37.15), sendo até jogado em uma cisterna cheia de lama para que morresse de fome (38.6, 9). Em tudo isso ele não abandonou a Deus ou seu ministério.

Sejamos pacientes como Daniel, que foi atirado na cova de leões famintos por ser fiel a Deus. Ele poderia ter renunciado a tudo o que cria, mas manteve-se firme e o Senhor o livrou (Daniel 6.16,22).

Sejamos pacientes como Amós, que foi injustamente acusado de conspiração (Amós 7.10) e proibido de continuar o ministério profético (7.12,13), porém se manteve fiel no seu chamado (7.15-17)

Sejamos pacientes como Elias, que sofreu perseguição dos assassinos de Jezabel chegando a desanimar (1 Reis 19.2,9,10), mas amparado e exortado por Deus continuou seu ministério (19.15,19).

Sejamos pacientes como Micaías, que revelou corajosamente o que tinha ouvido de Deus, mesmo que isso resultasse numa bofetada de outro profeta e na sua posterior prisão (1 Reis 22.24,27).

Sejamos pacientes como os profetas! Pois muitos deles foram zombados (2 Reis 2.23), desprezados e expostos ao ridículo (2 Crônica 36.16), raptados (Jeremias 26.23), mortos e apedrejados (Mateus 23.34-37), tidos como fanáticos, loucos (Jeremias 29.28) e perturbadores (1 Reis 18.17), exterminados e foragidos até mesmo em cavernas (1 Reis 18.4).

Sejamos pacientes! Afinal, quem como cristão se posiciona contra o sistema de valores atuais, é imediatamente taxado de fanático, conservador, ignorante, retrógrado, etc.

É necessário tomar a paciência desses irmãos profetas do passado como modelo e perseverar até o fim, sem amenizar a mensagem do evangelho, suportando as aflições e perseguições por obediência a Deus. Lembre-se, onde está o seu tesouro, aí estará o seu coração! (Lucas 12.34).

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Andrei de Almeida Barros é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Em 1998 trabalhou como missionário em Portugal. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e ordenado pastor em 2004. Atualmente cursa Licenciatura em História. É fundador e editor do site www.semeandovida.org
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