Desenvolva a paciência de Jó



Eis que temos por felizes os que perseveraram firmes. Tendes ouvido da paciência de Jó e vistes que fim o Senhor lhe deu; porque o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo - Tiago 5:11

É comum alguém falar: preciso ter a paciência de Jó para aguentar tal situação. Afinal, quando falamos de paciência, lembramos logo de Jó. Mas será que de fato sabemos a quantidade e a qualidade da paciência que este homem desenvolveu para atravessar todos os problemas que enfrentou em dado momento de sua vida?


A paciência de Jó não é apenas a que lida com o sofrimento, mas sim aquela que enfrenta o sofrimento injusto, arbitrário e sem motivo aparente. A aflição que Jó experimenta não tem conexão com a sua conduta, que era justa, reta e íntegra diante de Deus (Jó 1.1).

Ele era uma pessoa bem sucedida em todas as áreas da vida, espiritual e material. Orientava seus filhos, intercedia por eles, era um grande homem de negócios. Desfrutava do conforto material, familiar e das bênçãos de Deus.

Mas tudo muda quando o diabo sugere a Deus que Jó só o segue por interesse. Deus então permite que Jó atravesse uma série de intensas provações. De um dia para outro ele viu sua vida desabar até ficar em ruínas.

Como ele reagiu quando estava no funeral diante de dez sepulturas novas nas quais estavam seus filhos? Como suportou a doença que o torturava dia e noite, que gerava feridas inflamadas (2.7), coceira (2.8), degeneração na pele do rosto (2.12), perda de apetite (3.24), dificuldade de respirar (9.18), dor insuportável (30.27), febre alta (30.30) entre outros sintomas terríveis?

Como ele conseguiu suportar o medo e a depressão (3.25), o delírio, insônia e a rejeição dos próprios amigos? (7.3; 29.2) Como ele encarou o fato de no passado ter sido o maior de todo o Oriente (1.3), mas agora ter que viver numa espécie de lixão da cidade, onde queimavam entulho e dejetos humanos, onde os cães brigavam por comida? Como ele se sentiu nisso tudo sem o apoio de sua esposa? (2.9)

Jó se tornou a encarnação da miséria humana!

Pense nesses fatos. Tente absorver o impacto de todos esses eventos e seja sincero: quem aguentaria tamanha prova? Por muito menos temos visto pessoas blasfemando e se rebelando contra Deus!

Por isso que Jó serve a nós como modelo de paciência e perseverança. Seu exemplo nos ensina a enfrentar as doenças, as perdas materiais e humanas, e o sofrimento injusto nas áreas mais vitais de nossa existência. É a paciência que não culpa nem renuncia a Deus, mas confia na sua soberania.

Até porque ler nos vidros dos carros que “Deus é fiel” é algo passivo e fácil. Mas ser fiel a Deus quando sua vida desaba ao redor de si, somente com a paciência que desenvolveu Jó.

Esse tipo de paciência é grandemente recompensada por Deus. Veja o fim que Deus deu a Jó. Ele foi mais abençoado na última parte de sua vida. Não apenas recuperou, mas dobrou suas posses (42.12).

Em sua casa, ao invés do silêncio da morte, agora se ouvia o choro dos bebês, a contagiante alegria das crianças, que se tornariam jovens viçosos e admiráveis. Recebeu mais dez filhos, pois na verdade não perdeu nenhum. Sabia que ao final encontraria todos os vinte na glória!

Às vezes é difícil, no fogo da provação, compreender que temos um Deus cheio de bondade e misericórdia (Tiago 5.12) . Mas, assim como aconteceu com Jó, Ele quer ver em nós essa paciência superior que gera como fruto a fidelidade incondicional. Jó e sua família enfrentaram tempos difíceis, mas isso não foi nada diante da eternidade de alegria eterna que os aguardava.

Por isso, independente das suas provações, restabeleça suas forças, levante-se, continue íntegro, e confie no propósito soberano de Deus!

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Andrei de Almeida Barros é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Em 1998 trabalhou como missionário em Portugal. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e ordenado pastor em 2004. Atualmente cursa Licenciatura em História. É fundador e editor do site www.semeandovida.org
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