Fé e obras


Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? -  Tiago 2.14-19 

Um dos maiores dramas da Igreja dos nossos dias são as pessoas que dizem que creem em Cristo, mas ainda não vivem para Ele. Acreditam que tomaram uma decisão por Cristo, ou simplesmente herdaram a fé dos pais, foram batizados, tornaram-se membros de igrejas cristãs, mas na realidade não seguem a Cristo, nem o obedecem.


São pessoas que participam das atividades da igreja, mas não se preocupam em cultivar uma vida pura e reta. E esta é uma grande tentação daqueles que estão na igreja: a de professar a fé sem apresentar obras.

O apóstolo Tiago dá valor tanto a fé (1.6) como as obras (2.14). Porém, sua carta fala mais das obras, porque provavelmente os cristãos daquela época estavam apenas professando a sua fé, mas não praticando.

A importância da fé é claramente mostrada nas cartas aos Romanos e Hebreus. Entretanto, se essa fé não produzir evidências visíveis, ela será como um plano que nunca foi realizado e seremos como árvores infrutíferas.

A obra é fruto (Tiago 3.13,17). O fruto do Espírito é amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e domínio próprio (Gálatas 5.22). Mas essas virtudes precisam se manifestar através de atos e fatos.

O fruto não pode ser abstrato. Precisa ser concreto. De que adianta um amor não revelado, não transmitido por meio de ações?

A fé é obviamente superior nesse aspecto porque a nossa salvação depende dela. "Pela graça sois salvos mediante a fé" (Efésios 2.8). Já as obras devem ocorrer de acordo com os recursos e o tempo que Deus tiver nos concedido.

Lembre-se do ladrão da cruz, que se converteu ao lado de Cristo, mas não teve tempo de fazer obra alguma, todavia foi salvo. Nós, porém, que temos tempo e recursos devemos fazer boas obras, não para sermos salvos, mas como fruto natural da nossa fé.

A fé produz as obras e não o contrário. Portanto Tiago não está condicionando a salvação à prática de boas obras. O sentido é o seguinte: se a fé de alguém não produz obras, pode-se concluir que essa mesma fé não produzirá salvação, pois é ineficaz ou inexistente, é morta.

E sua fé, tem produzido obras?

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Andrei de Almeida Barros é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Em 1998 trabalhou como missionário em Portugal. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e ordenado pastor em 2004. Atualmente cursa Licenciatura em História. É fundador e editor do site www.semeandovida.org
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