Sim, sim. Não, não


Acima de tudo, porém, meus irmãos, não jureis nem pelo céu, nem pela terra, nem por qualquer outro voto; antes, seja o vosso sim sim, e o vosso não não, para não cairdes em juízo - Tiago 5.12

As pressões e circunstâncias da vida sempre nos empurram na berlinda e diante disso há uma tentação comum a todos nós: a mentira. Associado a ela surge o juramento leviano na tentativa de dar legitimidade ao que se fala.

Jurar é um hábito muito comum e aceitável socialmente entre os brasileiros. Quando há alguma dúvida sobre alguém ou sobre algo, é comum se dizer: "Juro pela minha mãe!"; “Juro pelo meu pai”; "Juro por Deus!"; e assim por diante.

Mas é correto recorrer a juramentos? Em Tiago 5.12 e em textos com Oséias 4.2 e Mateus 5.33-37 o juramento é claramente condenado. Por outro lado, há muitas passagens na Bíblia que falam de juramentos abençoados por Deus como Gênesis 21:24 e Deuteronômio 6:13. Além disso, até mesmo anjos fizeram juramentos, como diz Apocalipse 10:5-6, como o próprio Deus jurou por si mesmo, como é relatado em Hebreus 6:13.

Obviamente há um bom e um mau sentido no ato de jurar. Os bons juramentos são verdadeiros, para o bem, sagrados, significativos, sérios e judiciais. Os maus juramentos são falsos, para o mal, profanos, vãos, frívolos e secretos.

Tiago está falando em sua carta sobre o mau juramento. E quando começamos a usar de juramentos de maneira banal não pensamos em algumas questões que trazem juízo para nós mesmos.


Primeiro, nós não temos o direito de envolver Deus, algum parente, ou quem quer que seja, em coisas que não possamos cumprir. Nós não temos “procuração” deles como nossos avalistas ou fiadores.

Segundo, jurar por Deus e não cumprir significa tomar o seu nome em vão, o que a Bíblia condena (Êxodo 20.7).

Terceiro, a necessidade constante de juramento revela que nossa palavra não tem peso e valor suficientes. Ou seja, quem jura é porque está precisando apelar a um valor maior que ele próprio para validar sua palavra.

A Bíblia orienta para que sejamos pessoas confiáveis e de palavra. O nosso "sim", deve ser realmente um sim, e o nosso "não", deve ser de fato um não. "O que passar disso vem do Maligno", disse o próprio Jesus. Ou seja, é mentira! E o pai da mentira é o diabo.

Portanto, se jurar equivocadamente tem se tornado um mau hábito na sua vida, peça ajuda de Deus e corrija este comportamento. Ao mesmo tempo, se você tem prometido alguma coisa a alguém ("vou orar por você"; "vou pagar o dinheiro que lhe devo"; etc.), cumpra ou retrate-se.

Quando for tentado a mentir, não jure. Tenha uma só palavra, verdadeira.

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Andrei de Almeida Barros é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Em 1998 trabalhou como missionário em Portugal. Formou-se em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e ordenado pastor em 2004. Atualmente cursa Licenciatura em História. É fundador e editor do site www.semeandovida.org
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