Hebreus





O autor
A Epístola aos Hebreus é anônima; como o texto não traz nenhum nome, diversos servos de Deus do Novo Testamento têm sido apontados como prováveis autores. 

Entre eles Barnabé, profeta e mestre, companheiro de Paulo (Atos 13:1,2), e Apolo, homem eloquente e versado nas Escrituras (Atos 18:24).

Entretanto a grande maioria dos comentadores atribuem esses 13 capítulos ao apóstolo Paulo; o estilo e a mensagem parecem-se com os das Epístolas paulinas. 

As 165 citações do Velho Testamento, contidas na Epístola, são características de um homem que conhecia os textos sagrados. Ora, Paulo fora instruído aos pés de Gamaliel, sábio judeu (Atos 22:3), antes de ser alcançado pela graça de Deus.

Enfim, as últimas saudações da Epístola parecem referir-se à situação do apóstolo quando prisioneiro em Roma (Hebreus 13:23, 24). No ano 419, o concílio de Cartago, reunido para a ratificação do Cânon sagrado decidiu: "As Epístolas de Paulo são em número de 14, compreendida aí a Epístola aos Hebreus".



Os destinatários
Depois das cartas dirigidas à diversas Igrejas espalhadas ao redor da bacia mediterrânea, era normal que uma mensagem inspirada fosse enviada aos numerosos judeus convertidos que viviam em Jerusalém e na terra santa.

Desde Pentecostes, um movimento do Espírito de Deus vinha se apoderando dos israelitas da Judéia e de Samaria; milhares dentre eles se tinham voltado para a graça de Deus (confira Atos 2:41; 4:4; 6:7; 8:6; 21:20, etc). 

Ora, o termo "Hebreus" (confira Atos 6:1) designa precisamente os judeus da Palestina, que falavam hebraico-aramaico, em contraste com "Helenistas", termo aplicado aos judeus que falavam grego.

A época
A oposição do judaísmo, já virulenta quando Jesus Cristo vivia na terra, foi reavivada com a pregação do Pentecostes. Os apóstolos foram lançados na prisão, Estevão apedrejado e os discípulos dispersos. 

Todos os recém convertidos foram provados em sua fé; muitos vacilaram, ligando-se à maioria de seus compatriotas, discípulos de Moisés: eles praticavam as ordenanças da lei, pretendendo seguir a Cristo.

Dessa situação equívoca surgiram graves problemas, que motivaram a convocação do concilio de Jerusalém (Atos 15). As diversas visitas do apóstolo Paulo a Jerusalém permitiram-lhe calcular toda a amplitude da luta espiritual que se travava em torno dos hebreus convertidos.

A Epístola foi redigida para vir ao seu auxílio. Foi sem dúvida escrita bem antes do ano 68, data da invasão romana na Palestina. 

O sacerdócio judaico devia ainda continuar no templo de Jerusalém (confira Hebreus 10:11), quando o Espírito Santo, inspirou o autor da Epístola a apresentar um outro Sacerdote, infinitamente superior a Arão.



O tema da Epístola
O escritor sagrado exorta seus compatriotas, algumas vezes retrocedendo na fé (2:1; 3:1; 4:1), adverte os incrédulos e os apóstatas (3:12, 13; 6:4-8; 10:26-31) e encoraja os fiéis (12:4-11; 13:13-19).

A todos mostra a superioridade do sacrifício de Jesus Cristo. O termo chave desta Epístola é a palavra grega "Kreiton", traduzida por "melhor, superior, mais excelente" (1:4; 6:9; 7:7; 8:6; 9:23; 10:34; 11:16, 35, 40; 12:24).


A mensagem 
Jesus Cristo é superior aos anjos (cap. 1), aos homens (cap. 2), a Moisés (cap. 3), a Arão (cap. 4-5), sendo semelhante a Melquisedeque (cap. 6-7). Ele pode propor uma nova aliança, superior à antiga (cap. 8), porque se ofereceu como sacrifício, infinitamente superior às vítimas degoladas no tabernáculo (cap. 9-10).

Além disso, Ele é o Autor da fé que animava os heróis do Velho Testamento (cap. 11) e que enche ainda o coração dos vencedores da hora presente (10:32 -39; 12:1-3). 

Finalmente, Ele assegura santificação aos crentes (12:4-7), perfeita redenção (12:18-29), e plenitude de vida espiritual na marcha cristã (cap. 13).

A Epístola aos Hebreus dá a verdadeira interpretação de numerosas passagens do Velho Testamento, conduzindo o filho de Deus ao desabrochar do sua vocação, para a glória de seu Senhor.

Cristo na Epístola aos Hebreus 
É o centro dela e nela é apresentado: 

Como filho 

  • herdeiro de todas as coisas (1:2), 
  • expressa imagem da Divindade (1:3) 
  • superior aos anjos (1:4-14) 
  • coroado de glória e honra (2:9) 
  • autor da salvação (2:10) 
  • semelhante a Seus irmãos (2:17,18) 
  • fiel sobre a Sua casa (3:6) 
  • obediente (5:7,8) 
  • perfeito para sempre (7:28). 


Como Sumo Sacerdote 
  • fiel no serviço de Deus (2:17) 
  • ocupa o trono da graça (4:14-16) 
  • capaz de salvar perfeitamente (7:25) 
  • mediante o maior e mais perfeito tabernáculo (9:11) 
  • entrou em um santuário perfeito (9:24) 
  • tornou-Se oferta perfeita (10:5-10) 

Como Salvador (Jesus)
  • Autor e Consumador da fé (12:2) 
  • o Mediador de uma nova aliança (12:24) 
  • o mesmo, ontem hoje e para sempre (13:8) 
  • o grande Pastor das ovelhas (13-20). 


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