1ª Pedro


O autor
Pouco antes da negação, Jesus tinha dito a Pedro: "Quando te converteres, fortalece os teus irmãos" (Lucas 22:32). 

Após amargas experiências, o discípulo foi transformado pela graça de Deus. 3.000 almas se converteram por seu intermédio no dia de Pentecostes, e ele teve um papel preponderante nos dias heroicos da Igreja primitiva.

Entretanto, foi principalmente por meio de suas duas Epístolas que fortaleceu verdadeiramente os crentes, cumprindo assim o ministério que seu Salvador lhe tinha confiado precisamente antes de Sua morte.


Os destinatários
Pedro não estava em Roma, como pretendem algumas tradições, mas em Babilônia (5:13). O Espírito Santo, o encarrega de enviar exortações aos irmãos na fé, dispersos na Ásia Menor. 

O termo "forasteiro" do primeiro versículo da carta designa possivelmente os judeus que viviam fora da Palestina; por diversas vezes o livro de Atos faz alusão a eles (Atos 2:5; 6:1,9 etc).

Alguns dos destinatários desta Epístola provavelmente tinham se convertido no dia de Pentecostes, em Jerusalém (confira Atos 2:10 e 1 Pedro 1:1); mas eles habitavam países visitados especialmente por Paulo (confira Atos 13-14; 16:1-10; 19:10), a quem Pedro se associa sem reservas. Em sua segunda Epístola, ele provará quanto respeita o trabalho confiado a seu "amado irmão" (3:15).

O tema
Os diferentes ministérios dos apóstolos completaram-se maravilhosamente. Paulo era apóstolo dos gentios, Pedro dos da circuncisão (Gaiatas 2:8). Paulo era apóstolo da fé, Tiago, das obras, João, do amor e Pedro, da esperança.

Os cristãos do primeiro século viviam sob constantes ameaças e no meio do crisol da perseguição, mas Pedro os exorta a se alegrarem nos sofrimentos (confira 1:6 e 4:13), fazendo-os descobrir as realidades da glória futura (confira 1:3,4, 9,11; 5:4,10). O tema geral desta primeira Epístola pode, pois, resumir-se assim: esperança no sofrimento.


As circunstâncias
A primeira Epístola de Pedro foi, provavelmente, redigida no ano 65, isto é, na época em que Nero acusou os cristãos de terem incendiado Roma e quando Paulo teve de comparecer diante dele. 

Podemos deduzir que essa carta trouxe grande conforto aos filhos de Deus expostos ao martírio. Sem dúvida eles mediram o alcance das palavras do apóstolo, sobretudo as palavras: "fogo ardente", "injúrias", "juízo pela casa de Deus" (4:12-17).

A riqueza da mensagem
Todas as doutrinas fundamentais do cristianismo figuram nesta Epístola, uma das mais ricas do Novo Testamento:

  • A graça de Deus (1:2; 2:19,20; 3:7; 4:10; 5:10,12) 
  • o sangue e os sofrimentos de Cristo (1:18,19; 2:24) 
  • a prova da fé (1:7) 
  • a santificação e a santidade (1:15,16; 2:5,12) 
  • na vida social (2:13-17) 
  • na vida familiar (2:18-20; 3:1-17) 
  • na Igreja (5:1-9) 
  • a iminência do julgamento (4:5,17,18) 
  • as perspectivas da glória (1:4,7,9,10,13; 2:7; 3:10; 4:13; 5:4). 
A conclusão da Epístola
Nessa parte Pedro associa seus colaboradores: Marcos, seu filho na fé, provavelmente seu servo (5:13), que é o autor do Evangelho e Silvano (ou Silas), companheiro de Paulo, desde sua segunda viagem missionária (Atos 15:40). 

Pedro dita-lhe sua Epístola (5:12). A mensagem toda pode ser resumida pelas palavras: "...testificando, de novo, que esta é a genuína graça de Deus; nela estai firmes" (5:12b).


A humildade do apóstolo
Ele não se dirige aos crentes como um superior a seus subordinados, muito menos como soberano pontífice, como se tem dito de Pedro. 

Ele se identifica com os "amados" irmãos (2:11; 4:12); é presbítero como os outros presbíteros (5:1); exorta-os a se tornarem modelos do rebanho (5:3) esperando a volta do Supremo Pastor (5:4).

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