1 Coríntios


O canal de Corinto

A situação geográfica de Corinto
No primeiro século da era cristã, o istmo do Corinto, que liga a península do Peloponeso à Grécia propriamente dita, não tinha sido ainda cortado por um canal.

Essa obra prima só foi começada no fim do século passado. Havia, contudo, atravessando os seus 2 km de largura, um caminho de pedras especialmente preparado para o transporte de navios.

Assim, os gregos daqueles dias, em vez de contornarem com suas embarcações o Peloponeso, exposto a tempestades, cruzavam o istmo por esse caminho chamado Delcos.

Por aí ganhavam mais de 200 km de navegação perigosa. As embarcações eram arrastadas através dele por animais de carga ou por escravos e literalmente deslisavam por sobre as pedras.



A situação econômica de Corinto
Ora, essa travessia não era naturalmente oferecida de presente aos armadores. A cidade de Corinto cobrava pelo uso do Delcos taxas e pedágios, segundo uma tarifa extremamente elevada. Assim seus habitantes se enriqueceram com um dinheiro fácil e viviam em prazeres.

Na Grécia antiga a prosperidade de Corinto era famosa; a vida ali era caríssima, a tal ponto que havia um antigo adágio que prevenia os viajantes: "Não é qualquer um que vai a Corinto..."

A fundação da Igreja de Corinto
Todavia o Senhor tinha um plano de graça para essa capital de luxúria e de vícios. "Não temas, pelo contrário, fala e não te cales... pois tenho muito povo nesta cidade" (Atos 18:9-10), disse Ele a Seu servo Paulo, pouco depois do chegada deste a Corinto.

Bem ali encontrou refugiados, Priscila e Áquila, judeus convertidos, expulsos de Roma, com quem fez amizade e fabricava tendas (Atos 18:1-3).

Paulo permaneceu ali 18 meses (Atos 18:11). Pregou a princípio na sinagoga, aos sábados (Atos 18:4-6); dirigiu-se depois aos gentios, ensinando a Palavra em uma casa contígua à sinagoga (Atos 18:7).

Diversos coríntios foram batizados (Atos 18:8). Era nascida a Igreja de Corinto, que se beneficiou sucessivamente do ministério de Áquila, de Paulo e de Apoio (confira Atos 18:27,28).

As primeiras perturbações na Igreja de Corinto
A Igreja assim formada foi privilegiada (1 Coríntios 1:5). Entretanto, como acontece muitas vezes àqueles que são cobertos de bênçãos da parte de Deus, o orgulho apoderou-se dos crentes e com ele apareceram as invejas e as divisões.

Os coríntios contavam muito mais com sua inteligência, seus títulos de nobreza e sua sabedoria do que com Deus.

O apóstolo, quando se achava em Éfeso, ouviu essas notícias (confira Atos 19:9,10). Apressou-se então a escrever aos coríntios a fim de chamar-lhes a atenção para os perigos que corriam, para mostrar-lhes que Deus escolhe de preferência homens sem capacidades particulares, mas que pregam e vivem a Cruz de Cristo com o auxílio do Espírito (cap. 1-4).



Imoralidade e desordem
Orgulho e divisões trazem, muitas vezes, em seu rastro, situações ainda mais graves. A desordem moral, o adultério, a impureza eram tolerados no seio da Igreja (cap. 5-6); o matrimônio não era honrado (confira o capítulo 7), era possível participar dos sacrifícios aos ídolos (cap. 8 e 10:14-33); e tomar a ceia (cap. 11).

Eis porque o apóstolo exorta os coríntios a não criar obstáculos ao Evangelho e a alcançar o prêmio da carreira (cap. 9), aceitando as advertências contidas nas trágicas experiências de Israel no deserto (càp. 10:1-13).

Seduções espirituais
Os crentes de Corinto haviam-se tornado pretensiosos. No começo tinham recebido certos dons espirituais, que utilizavam para sua própria glória, em vez da glória de Cristo (confira cap. 12).

Eles negligenciavam o amor (cap. 13), para se entregarem a excentricidades, perversão das primeiras manifestações do Espírito na Igreja primitiva (cap. 14).

O apóstolo restabeleceu o equilíbrio, dando um ensinamento positivo e claro sobre todos esses problemas delicados, causas de perturbações durante toda a história do cristianismo... e ainda hoje!

O vértice espiritual da Epístola
Paulo não se contenta em advertir; exorta e edifica os crentes. O cap. 15 é uma exposição magistral da doutrina da ressurreição, certeza e esperança dos remidos.

Ele conduz os coríntios a esse ponto culminante da revelação, e a seguir conclui a Epístola dando conselhos práticos quanto à liberdade e a vocação dos salvos (cap. 16).

Tecnologia do Blogger.