2º Crônicas


Um contraste importante
O segundo livro das Crônicas retoma, em suas generalidades, o tema histórico desenvolvido nos dois livros dos Reis; há, porém um traço primordial que os diferencia: após o cisma, o escritor sagrado concentra-se exclusivamente na história da tribo de Judá, calando os acontecimentos relativos às tribos do norte.

Aí não se encontram, pois, as biografias dos profetas Elias e Eliseu, que exerceram seu ministério na parte setentrional do país, nem o sumário dos reinados ímpios de Jeroboão, Acabe, Jeú, Oséias e outros que ocuparam o trono de Samaria.

Um complemento que enriquece
Notemos, porém, que o segundo livro das Crônicas, estende-se mais que os livros dos Reis sobre os fatos acontecidos em Judá, demorando-se particularmente sobre as épocas de restauração espiritual.

Ele desvenda as causas de certos acontecimentos históricos, dos quais faz ressaltar o ensinamento divino e a lição moral.

Diversas vezes temos em 2 Crônicas informações complementares que nos permitem tirar maior proveito de experiências das quais os livros dos Reis não tinham fornecido senão um relato muito resumido.



Notas menores e notas maiores
Estes 36 capítulos reservam-nos contrastes particularmente ricos: tempos luminosos alternam com períodos sombrios e aos textos positivos sucedem-se tristes narrativas de desobediência e apostasia.

O exemplo negativo das dez tribos do norte é infelizmente seguido por Judá, e, quando o Senhor castiga o reino de Israel, permitindo seu cativeiro sob os reis da Assíria, os habitantes de Jerusalém não prestam atenção à solene advertência de Deus; de forma que, alguns decênios mais tarde, tiveram de sofrer sorte idêntica à de seus irmãos do norte.

Após o reino de Salomão (cap. 1-9), assistimos a cinco tentativas de reforma:

  • Sob o reino de Asa, cap. 14 e 15
  • Sob o reino de Josafá, cap. 17 a 20
  • Sob o reino de Joás, cap. 24:1-16
  • Sob o reino de Ezequias, cap. 29-32
  • Sob o reino de Josias, cap. 34-35

Um alcance atual
Vivemos atualmente numa época de desagregação moral e espiritual. Mas Deus tem Seus meios para despertar Sua Igreja, como fez outrora ao povo de Judá. Hoje Ele ainda procura homens íntegros, da têmpera de Ezequias ou Josias.

Mas os exemplos solenes de certos reis constituem também advertências para nós; Asa e Joás começaram bem, mas no fim da vida cometeram erros que custaram caro a Judá (cap. 16 e24; 17-26); Josafá não devia ter-se aliado a Acabe (19:2); Ezequias não devia ter cedido ao orgulho (32:25).



O segundo livro das Crônicas deixa-nos, pois, uma instrução muito preciosa e advertências necessárias em nossos dias, pois, as características de hoje muito se parecem com as daquele tempo.

A prova disso é a observação que soa como um toque de finados no último capítulo do livro e cujo paralelo salta aos olhos neste período de insatisfação e indiferença, no meio do qual somos chamados a testemunhar:

"Eles, porém, zombavam dos mensageiros, desprezavam as palavras de Deus e mofavam dos Seus profetas até que subiu a ira do SENHOR contra o Seu povo, e não houve remédio algum" (2 Crônicas 36:16).

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