Panorama Geográfico
A terra de Uz (1:1), pátria de Jó, situava-se ao norte da Arábia e a sudeste da Palestina. 

As referências a Teman (2:11) a Buz (32:2) ou aos filhos do Oriente (1:3), examinadas juntamente com textos paralelos da Escritura, permitem localizar a narrativa do livro de Jó nas vizinhanças do território de Edom, isto é, na parte sul da atual Jordânia. 

As grandes planícies desta região, outrora fértil, eram então cobiçadas pelos povos menos favorecidos, como testemunham as invasões dos sabeus e caldeus, citadas no primeiro capítulo de Jó.

Quadro histórico
Jó é provavelmente o livro mais velho da Bíblia. O patriarca viveu, sem dúvida, antes de Moisés, pois que, em seu profundo conhecimento de Deus, ele nunca faz referência à lei ou ao povo de Israel. 

Certas indicações permitem-nos situar este relato após a época de Abraão (ver a menção de Teman, 2:11, em Gênesis 36:11), provavelmente durante a servidão dos filhos de Jacó no Egito. Ê possível que o autor deste primeiro livro poético tenha sido o terceiro filho de Issacar (Gênesis 46:13).



Jó e a ciência moderna
A riqueza de expressão desse livro encanta a todos os amantes de literatura; mas ele confunde também os sábios do século XX pelo nível elevado dos conhecimentos científicos de seu autor. 

Ainda que escrito há perto de 4.000 anos, o livro de Jó menciona em termos acessíveis todos os fenômenos naturais que têm sido objeto de estudos muito recentes: a pressão barométrica (28:24-27), a lei universal do movimento (38:7), a evaporação e a hidrometria (36:27), a refração da luz (38:12), a poeira cósmica em certas constatações (38:31:33), etc.

A mensagem central do livro de Jó
Mas o assunto principal desses 42 capítulos é o problema universal do sofrimento humano, que atinge a todos os indivíduos. Jó tornou-se alvo de ataques repetidos de Satanás (cap. 1-2) e foi afligido por inúmeras calamidades. 

Além disso foi ferido pela doença, mas através de todas as suas provações conservou sua fé e integridade. Mesmo quando sua mulher o incitou a maldizer a Deus, permaneceu firme (2:9-10), esperando dEle a solução do seu problema.

Os consoladores de Jó
Três de seus amigos, Elifaz, Bildade e Zofar, apiedaram-se de sua sorte e vieram consolá-lo. Para eles os males de Jó só podiam ser conseqüência de faltas morais. Através de longos discursos, acusaram acerbamente o amigo, tornando assim mais agudos seus sofrimentos. 

Não é de admirar que Jó os chamasse de "consoladores molestos" (16:2). Os moralistas nunca podem compreender os que sofrem; só quem está cheio do Espírito de Cristo pode trazer socorro espiritual aos que são provados.

A seguir chegou o jovem Eliú (cap. 32-37) que, embora sem propor a verdadeira solução ao patriarca aflito, soube pelo menos afirmar a perfeita justiça do Todo-Poderoso em Seus caminhos para com o homem.



O restabelecimento de Jó
A solução foi concedida a Jó pela revelação direta de Deus. O poder de Deus manifestado na natureza impeliu Jó a confessar sua fraqueza e incapacidade e depois sua total dependência do Senhor (42:1-6). 

Então Ele lhe restituiu a antiga prosperidade, de tal forma que Jó recebeu uma bênção dobrada em relação à que experimentara em sua juventude (42:10-17).

O ensino do livro de Jó
Pode-se considerar o problema do sofrimento de diversos ângulos. Para Jó, não havia outra saída senão submeter-se a ele com resignação. 

Para os três amigos, ele representava um castigo do Senhor. Para Eliú, tinha um papel educativo. Mas para Deus, o sofrimento é antes uma prova destinada a fortalecer a fé dos Seus filhos. Essa interpretação é muitas vezes retomada no Novo Testamento.

O cristão, quando provado, sabe que o Senhor tem uma finalidade ao permitir a aflição, da qual ele sairá fortalecido em Cristo e em Sua Palavra (confira 2 Coríntios 4:8-11; 6:4-10; 12:10; 2 Timóteo 2:3-6; 3:12; Hebreus 12:5-11; 1 Pedro 1:6-7; 4:12-13; 5:10; etc).

A pessoa de Cristo no livro de Jó
A esperança que enchia o coração de Jó ia bem além de suas circunstâncias imediatas. 

Como para todos os escritores sagrados, "investigando atentamente qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo, e sobre as glórias que os seguiriam" (1 Pedro 1:11). 

"Já agora sabei que a minha testemunha está no céu, e nas altura Quem advoga a minha causa" (16:19). "Porque eu sei que o meu Redentor vive, e por fim Se levantará sobre a terra. 

Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. Vê-Io-ei por mim mesmo, os me olhos O verão, e não outros; de saudade me desfalece o coração dentro mim", Jó 19:25-27.

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