Isaías


Os três grandes profetas do Antigo Testamento
Pela riqueza e extensão de sua matéria, os livros de Isaías, Jeremias e Ezequiel ocupam um lugar preponderante entre os profetas do Antigo Testamento.

De fato, era desígnio de Deus reservar a cada um desses três profetas uma missão definida: Jeremias apresenta-nos principalmente Deus, o Pai; Isaías faz tão frequentes alusões a Jesus Cristo, que tem sido chamado de profeta evangelista, anunciando Deus, o Filho; quanto a Ezequiel, é o mensageiro de Deus, o Espírito Santo, mencionado 17 vezes em seu livro.

A inspiração do Alto não é somente exercida sobre os escritores, mas sobre o conjunto divino da Revelação, manifestando assim uma harmonia maravilhosa, tanto nas grandes linhas como nas minúcias.

A significação dos nomes de cada um dos três grandes profetas confirma essa interpretação. Isaías (Deus ajuda), anuncia sobretudo a Pessoa e obra do Filho enviado por Deus para ajudar e socorrer os homens.

Jeremias (o Senhor é elevado), exalta o Todo-Poderoso, que age como Juiz para com o mundo e em graça para com os Seus.

Ezequiel (Deus é poderoso), apresenta a ação eficaz do Espírito Santo, destroçando as forças inimigas e visitando o povo de Israel no momento em que é menos esperado.



A pessoa de Isaías
Deus escolheu para o mesmo período um profeta de nome Miquéias, homem simples do campo, e Amós, um cultivador de sicômoros, mas também chamou Seus instrumentos na família reinante: Daniel, de raça real (um século mais tarde) e Isaías, filho de Amós, provavelmente o irmão de Amazias, soberano de Judá e pai de Ozias.

O tempo de Isaías
O primeiro versículo do livro situa as épocas do ministério de Isaías: ele profetizou sob quatro reis. Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias.

Uzias, o primeiro desses monarcas, foi íntegro até se tornar poderoso; seu orgulho o arruinou: entrou no templo para queimar incenso, o que era reservado aos sacerdotes. O Senhor o feriu e ele ficou leproso até o dia de sua morte (2 Crônicas 26).

De Jotão está escrito: "dirigiu os seus caminhos segundo a vontade do SENHOR seu Deus", (2 Crônicas 27:6); seu reino foi movimentado: os reis de Israel e da Síria ligaram-se para atacar Judá e cercar Jerusalém. Esse contexto histórico explica particularmente os capítulos 7 a 9 de Isaías.

Acaz foi um rei ímpio que procurou os favores de Tiglate-Pilneser, rei da Assíria. Restabeleceu a idolatria em Jerusalém e suprimiu o culto de Jeová (2 Crônicas 28).

Em contraste, seu filho Ezequias foi profundamente íntegro. No primeiro mês de seu reinado, reparou a casa do Senhor e a purificou. Os efeitos desse despertamento espiritual foram grandemente benéficos para Judá.

No momento da invasão de Senaqueribe, rei da Assíria, Ezequias cheio de fé no Senhor soube inculcar no povo uma determinação e coragem que foram capazes de livrar Jerusalém.

Nesses dias difíceis, Isaías foi-lhe um apoio inestimável, e também por ocasião de sua grave moléstia e da cura miraculosa que Deus lhe concedeu.

A carreira de Ezequias foi depois obscurecida por sua atitude para com a delegação babilônica. Este fato deu a Isaías ocasião de profetizar o cativeiro de Judá na Babilônia, profecia que se realizou mais de um século depois.



A mensagem de Isaías
Não é de admirar que a profunda revolução de todos esses acontecimentos tenha conferido ao livro de Isaías uma tão grande variedade de temas. Ele investe contra os reis ímpios de Israel, contra os de Judá, contra os conquistadores mais longínquos (Assíria, Babilônia, etc).

Denuncia também o comportamento dos monarcas de Jerusalém, mostrando-lhes o caminho do arrependimento. Mas, o fundo sombrio dessas solenes advertências faz sobressair o brilho de maravilhosas promessas destinadas aos que obedecem ao Senhor, (1:19) e confiam nEle (30:15).

Isaías e o Novo Testamento
Mas o objetivo primordial da mensagem de Isaías ultrapassa o quadro histórico da época. Ele vislumbra Jesus Cristo.

Anuncia primeiro Seu nascimento miraculoso e Seu nome: Emanuel (7:14); apresenta-O em seguida sob os atributos de Rei da justiça (32:1), Redentor (41:14), Servo (42:1), Salvador (49:26), Consolador (51:12),

Homem de dores (53:3), Cordeiro imolado (53:7), Príncipe, Governador dos povos (55:4), etc. Nenhum escritor do Antigo Testamento foi tão penetrado pelo Espírito de Cristo, (confira 1 Pedro 1:10-12).

O Novo Testamento cita-o muitas vezes, e o Evangelho segundo João confirma a autoridade divina de sua mensagem, nestes termos: "Isto disse Isaias porque viu a glória dEle e falou a Seu respeito" (João 12:41).

Uma resposta divina a certas opiniões humanas
Vale à pena parar nessa última passagem, em que o Espírito Santo inspirou João a citar muito a propósito dois textos do profeta Isaías: (53:1 e 6:10).

Alguns críticos do 19º século emitiram dúvidas referentes à unidade do livro, atribuindo os capítulos 40 a 66 a um segundo Isaías, que teria vivido 150 ou 200 anos após o primeiro.

Isto porque não podiam admitir o milagre da inspiração em virtude do qual o profeta pôde predizer o nome de Ciro (44:28 a 45:1) cerca de 150 anos antes do édito em que esse rei da Pérsia ordenou a reconstrução do templo em Jerusalém (ver Esdras 1).

Mas para o Senhor Jesus há somente um Isaías, que testemunha de Sua glória e fala dEle, tanto no capítulo 6 como no capítulo 53.

E quando o rolo de Isaías Lhe foi entregue na sinagoga de Nazaré, Ele o desenrolou, não até o capítulo 39 apenas, mas até o capítulo 61, para ler nele as maravilhosas promessas citadas em Lucas 4:16-20.



A autenticidade e a inspiração de Isaías
Nestes últimos anos também, a arqueologia trouxe o seu testemunho comprovador: o rolo de Isaías, datado do 2º século antes da era cristã, descoberto em uma gruta próxima do Mar Morto, não é um documento truncado ou dividido, mas um manuscrito completo. Apresenta o conjunto dos 66 capítulos desse primeiro livro profético do Velho Testamento.

Para o crente, a hipótese de um segundo Isaías não entra em cogitação: não seria difícil ao Espírito Santo comunicar a Seu servo o nome de Ciro ou as etapas da história que sobreviria 2 ou 3 séculos mais tarde como também revelar-lhe com precisão inegável os sofrimentos de Cristo na Cruz do Calvário (Isaías 53), e a glória de Sua volta à terra (Isaías 11) em uma Jerusalém restaurada (Isaías 65 e 66).

Este último acontecimento que não foi ainda realizado, talvez esteja bem próximo.

Isaías, mártir?
A tradição pretende que Isaías sofreu um horrível suplício sob o cruel Manassés, sucessor de Ezequias.

Teria sido enterrado vivo em um tronco oco, onde o teriam serrado ao meio. Nenhum texto do Antigo Testamento permite-nos confirmar esta suposição, mas um frase de Hebreus 11.37 poderia referir-se a este acontecimento.

O certo é que o servo encarregado de anunciar os sofrimentos do Servo do Senhor teve também de se identificar com seu Mestre no opróbrio, dor, rejeição e talvez martírio, o que aconteceu a todos os profetas que o precederam ou o seguiram.



O plano do livro
Pode-se dividir o livro de Isaías em 7 seções:

  • 1-12 - profecias contra Judá;
  • 13-27 - profecia contra as nações;
  • 28-35 - advertências proféticas referentes a Israel e Judá;
  • 36-39 - parêntese histórico: as invasões de Senaqueribe e a doença de Ezequias;
  • 40-48 - a glória e a supremacia do Senhor;
  • 49-57 - os sofrimentos do Servo do Senhor;
  • 58-66 - o reino messiânico e suas conseqüências.

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