Apocalipse 15.1-8 - A exultação dos redimidos


Por Ray Summers 

O entreato que separa o sexto quadro do sétimo, nesta parte, é muito breve. Os últimos quadros nos deram as forças opostas do bem e do mal, já prontas para o combate mortal. As séries seguintes tratam das taças da ira da retribuição final derramadas sobre os inimigos do evangelho. 

Um entreato de louvor e ações de graças é agora apresentado para retratar a exultação dos remidos, que entoam o cântico de Moisés e do Cordeiro.

Apocalipse 15.1-8
1 - Vi no céu outro sinal grande e admirável: sete anjos tendo os sete últimos flagelos, pois com estes se consumou a cólera de Deus.
2 - Vi como que um mar de vidro, mesclado de fogo, e os vencedores da besta, da sua imagem e do número do seu nome, que se achavam em pé no mar de vidro, tendo harpas de Deus;
3 - e entoavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e admiráveis são as tuas obras, Senhor Deus, Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações!
4 - Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? Pois só tu és santo; por isso, todas as nações virão e adorarão diante de ti, porque os teus atos de justiça se fizeram manifestos.
5 - Depois destas coisas, olhei, e abriu-se no céu o santuário do tabernáculo do Testemunho,
6 - e os sete anjos que tinham os sete flagelos saíram do santuário, vestidos de linho puro e resplandecente e cingidos ao peito com cintas de ouro.
7 - Então, um dos quatro seres viventes deu aos sete anjos sete taças de ouro, cheias da cólera de Deus, que vive pelos séculos dos séculos.
8 - O santuário se encheu de fumaça procedente da glória de Deus e do seu poder, e ninguém podia penetrar no santuário, enquanto não se cumprissem os sete flagelos dos sete anjos.
João viu "um mar de vidro misturado com fogo"; esta visão pode ser o resultado do reflexo dos raios solares numa planície de águas que as deixam num vermelhão de fogo. 

Davi Smith acha que o mar de cristal do capítulo 4 se torna aqui vermelho por espelhar a avermelhada conflagração das perseguições que rugiam, enfurecidas, sobre a terra. (Smith, op. cit., p. 672. Ver também Swete, op. cit., p. 194.)

Milligan entende que o mar reflete ou o fogo do juízo divino ou as provações com que Deus purifica o seu povo. (Milligan, op. cit., p. 260)

Esta ideia é também quase a mesma esposada por Smith. Aqueles que saíram vitoriosos das tentativas do imperador em levá-los a adorar a sua estátua são aqui apresentados de pé sobre o rio de vidro. 

No capítulo 4 observou-se que o mar de cristal simbolizava a transcendência de Deus — o não poder homem algum aproximar-se de Deus. Aqui, no capítulo 15, o mar está novamente presente, indicando que Deus é ainda transcendente e que nenhum homem pode aproximar-se dele. 

Mas o mar já não constitui impedimento para aqueles que são de Deus e que já morreram e dele se aproximaram — pois estão de pé "sobre" o mar em sua gloriosa presença.

Quando tiver chegado o fim, o capítulo nos revelará que "o mar já não existe", e que todo o povo de Deus goza de sua gloriosa companhia e amizade. 

Aqui, no capítulo 15, os santos que experimentaram o martírio, para se acharem na presença de Deus, empunham harpas celestiais — símbolo de louvor. Entoam o cântico de Moisés e o cântico do Cordeiro, um cântico que inclui o louvor por causa do poder de Deus, pela libertação que operou a favor do seu povo e o caráter reto que possibilitou e moveu essa libertação. 

As taças da ira, prontas para serem derramadas, trarão ao mundo uma experiência terrível. Os cristãos fiéis e perseguidos precisam estar preparados e fortalecidos para o que vai acontecer na terra; precisam saber como será tudo isto visto lá no céu. 

Então lhes é concedida esta visão para mostrar o estado daqueles que já foram vitimados pela perseguição, e também o estado deles, caso a perseguição a ser desencadeada contra eles os leve até a morte.

Concede-se-lhes a visão dos santos a exultar nos céus para animar e confortar os santos que ainda na terra lutam por Cristo no meio de tão cruéis perseguições. (Esta é a posição defendida por D. Smith, Milligan, Dana, Richardson, Swete, Beckwith e Kiddle, in loco.)

Abriu-se o templo do tabernáculo do testemunho. Isto parece simbolizar o depósito celestial do pacto de Deus. Não é descrito como o Templo de Salomão ou como qualquer um dos que lhe sucederam. Trata-se da "Tenda do Testemunho", do tabernáculo do deserto. (Ver Números 9:15; 17:7; 18:2.) 

Aqui não se abre o tabernáculo para mostrar a arca do concerto, como se vê em 11:19. Abre-se, sim, para deixar que os sete anjos saiam da Sala de Recepção e esvaziem as taças da vingadora ira de Deus sobre a terra. 

Os trajes dos anjos assemelham-se aos dos sacerdotes do Antigo Pacto e atuam como agentes de Deus, ao derramarem sobre a terra estas últimas sete pragas.

Uma das quatro criaturas viventes entrega as sete taças da ira aos sete anjos. O número completo 7 simboliza a completação da ira que agora vai ser desencadeada. Chegou o tempo. 

Durante esse tempo o tabernáculo se encheu de fumaça, símbolo da presença do Deus todo-poderoso. Encheu-se tanto de fumo que "ninguém podia entrar no santuário, até que se consumassem as sete pragas dos sete anjos" (15:8).

Isto quer dizer que a ira de Deus se completou — foi dito aos santos mártires do capítulo 6 que esperassem, porque o tempo ainda não estava em condições para a vingança divina — e já não há mais tempo para intercessões durante esta visitação da ira divina. (Ver I Reis 8:11 — "Os sacerdotes não podiam ter-se em pé para ministrar, por causa da nuvem.") 

Tudo isto prepara uma transição fácil e suave para a cena seguinte, que apresenta o esvaziamento das sete taças da ira.

ÍNDICE

26 - A exultação dos redimidos - Apocalipse 15.1-8
27 - As taças da ira - Apocalipse 16.1-21
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