Apocalipse 6.1-2 - O 1° selo - O Cavalo Branco: Conquista


Por Ray Summers 

O ato principal do livro do Apocalipse começa com esta visão. O restante do livro é, na realidade, uma explicação dos selos do pequeno livro do destino.

Por detrás de toda a historia está Deus em Cristo: neste livro vemos a mão de Cristo abrindo o selado livro dos feitos de Deus em relação ao homem.

O selo era um sinal de propriedade. Só um representante oficial poderia abrir um selo. Aqui Cristo é o representante oficial de Deus, e por isso está qualificado para abrir os selos.

Apocalipse 6.1-21 - Vi quando o Cordeiro abriu um dos sete selos e ouvi um dos quatro seres viventes dizendo, como se fosse voz de trovão: Vem!
2 - Vi, então, e eis um cavalo branco e o seu cavaleiro com um arco; e foi-lhe dada uma coroa; e ele saiu vencendo e para vencer.

O Cordeiro abriu o primeiro selo. Uma das quatro criaturas viventes disse numa voz de trovão — "Vem". Nos antigos manuscritos aparece aqui uma variação. O Código Sinaítico apresenta um duplo imperativo — "Vem e vê" — como dirigido a João. 

O Código Alexandrino, considerado como o texto que parece haver recebido menores alterações, traz só um imperativo — "Vem" — como sinal dado ao cavaleiro para entrar no palco onde se desenvolve a ação. Pouca diferença faz, mas parece que a última interpretação se adapta melhor às circunstâncias.

Quando se ouviu a voz — "Vem" — um homem montado num cavalo branco surgiu em cena. Isto é uma pantomima. Não há outros contornos, nem outra ação além do cavaleiro diante de nossa visão. 

Pela cor do cavalo e pela descrição do cavaleiro, devemos identificá-lo.

Há duas ideias sobre isto. Alguns acham que o homem montado no cavalo branco representa Cristo, ou talvez a causa de Cristo, o progresso do evangelho. (Richardson, op. cit., p. 79 em diante, nos oferece um desenvolvimento mais claro desta teoria) 

A cor do cavalo sugeriria a pureza celestial; a coroa, a realeza; o arco representaria o seu modo de vencer os inimigos; ele avança de vitória em vitória, em sua marcha a favor de Deus.

O avanço progressivo da Causa de Cristo continuará até ser vencido o último inimigo. O cavaleiro vitorioso sobre o cavalo branco representa a vitoriosa carreira do evangelho.

Esta é uma teoria muito atrativa, mas parece haver muitas coisas contra ela. Pelo que parece, o cavalo branco marcha no mesmo sentido que os mais. E isto não representa a verdade, se se opõem um ao outro num conflito de vida ou morte.

Também seria um tanto ridículo retratar Cristo como o Cordeiro fazendo subir o pano e então vestindo rapidamente a farda dum soldado persa e cavalgando um cavalo pelo palco.

A melhor teoria parece ser a que se baseia nos reflexos históricos do quadro. (Veja Allen, Dana D. Smith, o Expositor's Greek Testament, Ramsay, Charles e outros) Este primeiro cavaleiro representa a conquista, o militarismo, a força armada de luxúria para subjugar algum novo inimigo. 

A cor branca do cavalo representa, a vitória. Cavalos brancos sempre eram montados pelos conquistadores em suas marchas triunfais.

Este cavalo simbolizava, com os outros mais, uma das forças que deveriam produzir a queda do Império Romano. Os cristãos deviam ver nele um sinal de vitória. 

O cavaleiro não era romano e sim, persa — quer era o pior inimigo de Roma. Os guerreiros romanos não usavam arco, que era a arma favorita dos partos.

Os governadores romanos nunca usavam coroa. Quando se expulsaram os tarquínios, cerca do ano 500 antes de Cristo —abriu-se o precedente, desobedecendo-se às disposições monárquicas. 

Era já tradicional a aversão à coroa, e muitos governadores foram assassinados por pretenderem ser rei. Em contraste têm se achado moedas da Pérsia que traziam gravadas um cavaleiro com arco na mão e coroa na cabeça. 

Assim, proclamava-se aos cristãos que a vitória estava perto. Roma, poderosa e má, não ficaria sempre de pé, não.

As conquistas no exterior fariam parte do processo de sua destruição. Deus tinha em suas mãos os meios para libertar seu povo.

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