Apocalipse 2.12-17 - Pérgamo, quartel general do inferno


Por Ray Summers 

A História nos recorda que Pérgamo era uma cidade muito ilustre da Mísia, devotada quase que totalmente à riqueza e à moda.

A cidade era o quartel-general do culto ao imperador. (W. M. Ramsay, The Letters to the Seven Churches [Londres, Hodder and Stougnton, 1904] p. 292 em diante.) 

Era a principal cidade da província, e ali estava localizada a "concilia" que se encarregava dos assuntos da religião do Estado e das ofertas de incenso diante da imagem do imperador.

A cidade sempre permanecera fiel a Roma, e, assim, era mui natural que nunca cessassem ali de perseguir os cristãos. Nada sabemos de como se estabeleceu ali a comunidade cristã.

Apocalipse 2.12-17
12 - Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes:
13 - Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.
14 - Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição.
15 - Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas.
16 - Portanto, arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca.
17 - Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe.

1 – IDENTIFICAÇÃO (2:12)
O Senhor se identifica como "Aquele que tem a espada aguda de dois fios". Pode haver aqui um duplo simbolismo.

Pode isso significar a habilidade de Cristo para proteger os seus mesmo no meio da perseguição e onde os mártires estiverem caindo. Pode também simbolizar o poder de julgamento bem executado.

A justeza disso está no fato de que esta igreja estava dando guarida ao erro. Cristo vem com a espada de sua boca, com seu julgamento preciso e acurado dos feitos dos homens, para tratar diretamente com os falsos doutores.

2 - LOUVOR (2:13)
Cristo elogia a igreja em Pérgamo por sua fidelidade no meio de grandes provações. Os membros desta igreja habitam na cidade "onde está o trono de Satã". No ano 29 de nossa era fora erigido na cidade de Pérgamo um altar para a adoração de Augusto. 

A cidade fora conservada como o centro da religião do Estado, e por isso se diz que ali estava localizado o trono de Satã. A referência à morte de Antipas, sem dúvida, é feita ao seu martírio mui conhecido, diante do altar do incenso.

Já haviam tombado muitos outros mártires. Aquele fora bastante notável, a ponto de merecer um comentário do Senhor. Em face da expressão "minha fiel testemunha", tem sido sugerido que Antipas talvez fosse o pastor da igreja em Esmirna. Isto é interessante, mas incerto.

Os cristãos de Esmirna tinham retido o nome de Cristo. Batiam-se pelo nome de Cristo. O nome César Senhor ou o nome Cristo Senhor era a grande pedra de toque daqueles dias. Reconhecer o nome de César Senhor era escapar à perseguição. Reter o nome do Cristo Senhor significava perseguição, mas fidelidade a Cristo. 

Por reterem o nome do Senhor Jesus, os cristãos de Pérgamo recebem louvor. São também elogiados por não negarem a fé em Cristo.

A fé deles talvez tenha referência a todo o raio de ação da religião deles, a sua crença na obra redentora e na supremacia de Cristo. Por sua fidelidade neste particular, mesmo quando isto lhes acarretava o grande perigo, o Senhor os louva.

3 - QUEIXA (2:14, 15)
Não era a totalidade dos membros que permanecia fiel, não. A heresia já penetrara na igreja. Havia no meio deles alguns que esposavam os "ensinos de Balaão".

Em Números 23:24 lemos que Balaão desejou tirar lucros materiais, ainda que perdendo espiritualmente. Abriu o caminho para o culto das imagens e para a vida impura em Israel. 

Dentro da igreja em Pérgamo havia membros que estavam fazendo o mesmo. Cumpriam certos deveres espirituais com o fito de fazer prosperar seu bem-estar material.

Aconselhavam que valia a pena cultuar o imperador para escapar à perseguição, e ensinavam que se devia proceder imoralmente para se tornar amigo e companheiro dos romanos, escapando, assim, à perseguição destes. 

Pode-se resumir a história deles com esta frase — credo ruim, conduta péssima. Este estado, não poucas vezes, se vê na História da Igreja Cristã.

Em Pérgamo a fusão das doutrinas heréticas dos balaamitas com a herética conduta dos nicolaítas produzira uma situação assaz indesejável e molesta. E o Senhor não podia tolerá-la, e, por isso, avisa a Igreja Verdadeira para que se acautele e também condene esse mal.

4 - AVISO (2:16, 17A)
Aconselha-se à igreja que se arrependa dessa atitude de indulgência e tolerância do pecado à vista. Se não diligenciarem a extinção do mal, o Senhor entrará pessoalmente em "guerra contra ela", combatendo-a com a espada de sua boca.

O que o Senhor faria no caso não vem aí indicado, mas não deixa dúvida alguma de que resolveria o caso aí apresentado. "O que tem ouvidos para ouvir, ouça..."

5 - A PROMESSA (2:17B)
A promessa feita àquele que vencer é dupla aqui. "Dar-lhe-ei a comer do maná escondido." Como Deus acudira no deserto às necessidades de Israel, assim também o Senhor atenderá seus fiéis em tudo.

Ele lhes concederá "o maná escondido" — sustento espiritual que o mundo não pode compreender.

"Eu lhe darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito." Que simbolizará isto?

Pérgamo ocupava-se da mineração de pedras brancas, comerciando com elas. Uma pedra branca, trazendo nela um nome escrito, tinha vários empregos.


  • É possível que a referência aqui seja a um dos quatro usos seguintes:
  • Conferia-se a pedra branca a um homem que sofrera processo e fora absolvido. Levava, então, consigo a pedra para provar que não cometera o crime que se lhe imputara.
  • Era também concedida ao escravo liberto e que agora se tornara cidadão da província. Levava a pedra para provar sua cidadania.
  • Era conferida também ao vencedor de corridas, ou de lutas, como prova de haver vencido seu opositor.
  • Também se conferia ao guerreiro, quando de volta da batalha e da vitória sobre o inimigo.

É evidente a aplicação de um, ou de todos estes usos. O espírito de "pregador", cremos, foi o que induziu Morgan a afirmar que aqui há alusão a todos os quatro usos!

A promessa deve referir-se a um deles, e era coisa que os cristãos de Pérgamo compreenderiam muito bem. Trata-se duma promessa solene e sagrada, a eles feita certamente no desejo de incentivá-los à fidelidade.

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