Apocalipse 7.1-17 - A proteção para os redimidos

Por Ray Summers     

A última série de símbolos retratou a destruição dos inimigos de Cristo. A série seguinte traz ainda ideia semelhante. A pergunta que se faz naturalmente é esta: Que acontecerá com os santos de Cristo enquanto estiver em progresso esta obra destruidora? Escaparão, ou serão vitimados por ela? 

Por esta razão é que foi introduzido o parêntese seguinte, para mostrar que Deus providenciou a proteção deles. Simbolizam-se as forças destruidoras como reprimidas até que os santos sejam selados para a eterna glória e proteção.
Apocalipse 7.1-3
1 - Depois disto, vi quatro anjos em pé nos quatro cantos da terra, conservando seguros os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem sobre árvore alguma.
2 - Vi outro anjo que subia do nascente do sol, tendo o selo do Deus vivo, e clamou em grande voz aos quatro anjos, aqueles aos quais fora dado fazer dano à terra e ao mar,
3 - dizendo: Não danifiqueis nem a terra, nem o mar, nem as árvores, até selarmos na fronte os servos do nosso Deus.

Nesta visão, João viu quatro anjos que estavam sobre os quatro cantos da terra. Estavam retendo os quatro ventos que simbolizam a retribuição divina. (Retratar-se o julgamento divino como um vento é ideia que predomina no Velho Testamento. Veja Jeremias 4:11,12; 18:17; 49:32, 36; Ezequiel 5:2; 12:14; Salmos 106:27; J6 38:24; Isaías 41:16) 

Olhando, João viu outro anjo subir da banda do sol nascente, donde vem a luz para o mundo em trevas.

Este anjo trazia o selo de Deus — o ferro de marcar do Deus Vivo — e clamou com grande voz, que podia ser ouvida em toda parte, aos quatro anjos que retêm a retribuição divina até que tenha posto o selo de Deus, que indica posse e proteção, nas frontes do seu verdadeiro povo.

Apocalipse 7.4-8
4 - Então, ouvi o número dos que foram selados, que era cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel:
5 - da tribo de Judá foram selados doze mil; da tribo de Rúben, doze mil; da tribo de Gade, doze mil;
6 - da tribo de Aser, doze mil; da tribo de Naftali, doze mil; da tribo de Manassés, doze mil;
7 - da tribo de Simeão, doze mil; da tribo de Levi, doze mil; da tribo de Issacar, doze mil;
8 - da tribo de Zebulom, doze mil; da tribo de José, doze mil; da tribo de Benjamim foram selados doze mil.

João não viu a ação de selá-los, mas ouviu a proclamação do número dos assinalados com o ferro de marcar do Deus Vivo — "cento e quarenta e quatro mil assinalados, de todas as tribos dos filhos de Israel".




Ouviu também que esse total era constituído doze mil de cada uma das doze tribos de Israel. Todos os entendidos parece reconhecerem que essa selagem é um símbolo de proteção. 

A linguagem aqui é semelhante a de Ezequiel 9:1 em diante, onde também se fala duma marca feita na testa do povo de Deus, para proibir aos agentes da destruição de tocar na pessoa que assim estivesse assinalada.

Aqui, no Apocalipse, os assinalados trazem a marca de Deus — os instrumentos de marcação no Oriente traziam o nome do possuidor. Assim, os assinalados estavam protegidos, de modo que os ventos destruidores não lhes fariam mal algum. Até este ponto os peritos concordam.

Agora, quando se tenta identificar os dois grupos mencionados neste capítulo, surgem opiniões mui diversas.

O Apocalipse foi escrito numa linguagem simbólica, e nunca deve ser interpretado de maneira dogmática. Melhor é revermos as diversas opiniões, as evidências, e tirarmos aquelas conclusões que parecem ter mais base.

1ª interpretação - 144 mil são os judeus cristãos e cristão gentílicos
Em primeiro lugar, surge a teoria de que esses cento e quarenta e quatro mil representam os judeus cristãos, e a grande multidão que nenhum homem pode enumerar representa os cristãos gentílicos. À primeira vista, parece ser esta a interpretação natural.

Dana (Dana, The Epistles and Apocalipse of John, p. 123) acha que o primeiro grupo é o remanescente de Israel, e o segundo, os remidos das nações. É certo que 12 é o número que simboliza religião organizada. É o número perfeito para esta ideia.

Cento e quarenta e quatro mil é um grande múltiplo de doze e quer dizer uma imensa multidão. Portanto, essa marcação de doze mil de cada uma das doze tribos de Israel simboliza uma imensa multidão de judeus cristãos assinalados para assim serem protegidos.

A grande multidão (7:9-17) simboliza o grande número de gentios salvos. João não os deixa sem esperança. Eles se alegram com a triunfante antecipação da proteção divina. 

Este, ponto de vista substancialmente é o mesmo defendido por Stuart, (Stuart, op. cit, II, p. m em diante). Bengel também o sustenta. 

Há outros que concordam com isto, mas adotam a teoria futurista, o que realmente os põe fora de comparação neste ponto. (Larkin op. cit., p. 65, é um bom exemplo das ideias deste grupo)

 É de admirar encontrar-se Dana na companhia de Bengel e Stuart, neste particular, que deixa a interpretação simbólica e prefere a declaradamente literal.

2ª interpretação - 144 mil são a totalidade da igreja sem distinção entre judeus e gentios
A segunda teoria é a de que o simbolismo aqui usado não divide os redimidos em judeus e gentios. 

Esta teoria é sustentada por Pieters, Moffatt, Kiddle, D. Smith, J. Smith, Richardson, Charles, Swete, Beckwith, Milligan e Hengstenberg. Estes autores representam o que de melhor apareceu no estudo do Apocalipse neste últimos cem anos. Aqui vão resumidamente algumas das suas ideias:

Pieters: o primeiro grupo representa os verdadeiros crentes na terra enquanto ainda sujeito às tempestades do juízo divino que surgem no mundo; o segundo grupo simboliza os crentes que já estão no céu... Os dois grupos são, então, respectivamente, a Igreja Militante e a Igreja Triunfante. (Pieters, op. cit., p. 129.)

Richardson: a Igreja Universal, todos os cristãos são assinalados e sua segurança está garantida. Nenhum membro da igreja verdadeira se perde. Novamente os santos do Velho e do Novo Testamento são indicados pelo múltiplo do doze. Não há nenhuma distinção aqui entre judeus e gentios. (Richardson, op. cit., p. 88.)

D. Smith: temos aqui uma visão do cuidado de Deus para com o seu povo, sujeito às tribulações terrenas... Estes são o verdadeiro Israel — "o Israel de Deus" — (Gal. 6:16);... É uma visão do triunfo celestial da multidão martirizada... (D. Smith, The Disciple's Commentary, V, p. 632 em diante)

Swete: O Israel da primeira visão é coextensivo à igreja toda... As duas visões retratam o mesmo corpo sob condições muito diferentes. (Swete, op. cit., p. 90.)

Beckwith: Quem são estes 144.000 que serão marcados? Apesar de algumas dificuldades surgidas, a resposta mais conforme aos conceitos gerais do Novo Testamento, bem como mais consentânea com as ideias dos apocalípticos — a que menos viola o espírito universalista do livro — é a de que se trata aqui do corpo total da igreja... Os remidos aqui são os que vêm de cada nação e tribo... tanto judeus com gentios. (Beckwith, op. cit., pp. 535 e 539)

Charles: não se trata aqui de crentes descendentes do Israel literal... e, sim, do Israel espiritual... Estes (do segundo grupo) são os que foram assinalados na visão já referida, os que pelo martírio alcançaram já o privilegio do mártir, a imediata bem-aventurança e perfeição... (Charles, The Revelation of St. John, Vol. II; The International Critical Commentary, pp. 206 e 209)

Hengstenberg: achar que estes (144.000) representam só os judeus cristãos é a maior arbitrariedade... Aqueles, aos quais dantes se garantiu serem preservados dos juízos decretados contra o mundo, são aqui apresentados na inumerável multidão do capítulo 7, versículo 9, na glória celestial que os aguarda. (Hengstenberg, op. cit., I, pp. 363 a 371)

Milligan: a primeira impressão que a visão produz em nós é a de que, sem dúvida, aqui se trata dos judeus cristãos, e somente deles. Muitas considerações, porém, nos levam a uma conclusão mais larga de que, sob uma figura judia, estão incluídos aí todos os seguidores de Cristo ou a Igreja Universal. (William Milligan, The BÒok of Revelation [N. York, Armstrong and Son, 188], p. 116 em diante)

Todas estas afirmativas nos dão claramente a posição desses escritores. 

Dum ponto de vista mais ou menos negativo, são muitas as razões apresentadas contra a ideia de que os dois grupos representam respectivamente judeus cristãos e gentios cristãos. Algumas dessas razões merecem ser aqui lembradas:

1 - No Apocalipse não se faz em lugar nenhum distinção entre cristãos judeus e cristãos gentios. 
Aos olhos de João a igreja é uma. Não existe dentro dela nem judeu, nem grego, nem bárbaro, nem cita, nem escravo, nem livre. Não há aí uma só palavra que sugira que a multidão de crentes esteja dividida em duas partes.

As epístolas às sete igrejas inquestionavelmente nos dão uma representação daquele corpo de cristãos cuja sorte é descrita mais tarde. 

Naquelas cartas Cristo passeia no meio delas, faz promessas, e as faz não especialmente a este ou àquele grupo, mas sempre precisamente nos mesmos termos, dizendo — "ao que vencer". Seria coisa mais que absurda estabelecer-se aí qualquer linha de separação entre cristãos judeus e cristãos gentílicos.

2 – É costume do autor realçar e espiritualizar substantivos judaicos. 
O Templo, o Tabernáculo, o Altar, o Monte Sião, Jerusalém são para ele corporizações de ideias profundas, significando mais do que o seu conteúdo literário. A analogia indica que este é o uso mais natural da palavra Israel, no caso presente.

3 - Algumas das expressões da dita passagem não admitem que se limitem os assinalados a uma classe especial de cristãos. 
Por que, por exemplo, ser de caráter universal a retenção dos ventos? Não bastaria reter os ventos que soprassem sobre os cristãos judeus, e não os ventos de toda a terra? Assim também a designação de "servos" parece incluir o número total, e não apenas alguns, dos filhos de Deus.

4 - Se o segundo grupo representa os cristãos gentílicos, nada se diz de serem eles marcados para serem protegidos. 
E, certo, eles precisavam tanto disso como os judeus cristãos.

5 - O selo de proteção era colocado na testa, e no Apocalipse 22:4 todos os crentes estão assim assinalados.

6 - Achamos novamente o número 144.000 no capítulo 14. 
Não se pode duvidar de que as mesmas pessoas estejam também aí incluídas. No capítulo 14 está claro que o número total dos remidos é simbólico.

7 - O Apocalipse é um livro de contrastes. 
Em muitas de suas passagens (13:16,17; 14:9; 16:2; 19:20; 22:4) vemos todo o exército de Satã assinalado em sua testa. Isto parece ser uma antítese desta passagem aqui discutida. Portanto, todo o povo de Deus é marcado.

8 - Não se pode negar que a segunda visão — a da grande multidão diante do trono e diante do Cordeiro — inclui um estágio mais elevado de privilégios e glória do que a primeira. 

Seguir-se-ia, então, pela teoria, ora combatida, de que no mesmo instante em que se diz que João está negando aos gentios a marcação divina e colocando-os numa posição inferior à dos judeus, tratando os cristãos gentílicos apenas como um "apêndice" dos cristãos judeus, esteja João falando dos cristãos gentílicos como herdeiros dum privilégio e glória ainda maiores!

Cremos que o apóstolo não seria tão inconsistente assim, não.

A conclusão que se tira destas evidências mui fortes é clara. A visão desta marcação não se aplica só aos cristãos judeus, e, sim, a todos os cristãos.

Quando os juízos de Deus se desencadeiam sobre o mundo, todos os servos do Senhor estão marcados com o selo da proteção divina. As duas visões devem representar o mesmo grupo em circunstâncias diferentes. Veremos, a seguir, essas circunstâncias.

Um exame atento dos princípios estruturais que caracterizam os escritos Joaninos nos mostram que eles se distinguem por uma tendência de representar o mesmo assunto, ou objeto, de duas maneiras diferentes, sendo a segunda um clímax da primeira.

O escritor não se satisfaz com uma simples anunciação daquilo que ele deseja incutir no ânimo de seus leitores.

Assim sendo, ele lança mão da repetição. A miúdo, no Apocalipse, depois de haver apresentado um assunto, ele o traz novamente à consideração de seus leitores, elabora-o, alarga-o, aprofunda-o, apresenta-o com um colorido mais forte e mais vivo. 

A segunda apresentação é o centro dum círculo de circunferência maior e é anunciada com maior força. Este justamente parece ser o caso da passagem que estamos discutindo.

Os 144.000 da primeira visão consoladora representam não só os cristãos judeus, mas todo o corpo dos crentes. A marcação com o selo simboliza a proteção concedida a eles pelo seu Deus, para quando seus juízos descerem sobre o mundo.

O número 12 — número sagrado de significação religiosa — é primeiro multiplicado por si mesmo e depois por mil, o número usado para significar completação. 

O resultado, 144.000, é empregado para representar completação absoluta, para dizer que nenhum membro do verdadeiro corpo dos crentes será perdido ou esquecido. (Ver João 17:12.)

A desnecessária nomeação de cada uma das diversas tribos, com a repetição do número 12.000, salienta do modo mais enfático a inclusão de cada membro do povo de Deus. 

João tem diante de si uma verdade da mais alta importância para transmitir, e, com o engenho e arte dum habilidoso contador de histórias, explica-a de tal modo que seus leitores ficam em suspenso, ansiosos por saber algo do culminante terror que vai ser lançado sobre a terra quando se abrir o sétimo selo.

Eles devem aprender algo que os afeta mais profundamente do que os espetaculares portentos do capítulo 6.

Conquista, guerra, fome e pestilência foram já vistas como coisas ameaçadoras. Quatro anjos retiveram os quatro ventos que alternadamente simbolizam, com os quatro cavaleiros, os males retributivos de Deus para castigar os iníquos.

Ficam retidos até que o povo de Deus possa ser marcado e assim não venha a sofrer dano quando aquelas forças ameaçadoras se desencadearem. Antes dessa crise, deve discriminar-se o bem do mal; os justos estarão imunes da destruição que caçará e derribará o iníquo.

O selo é a marca divina de proteção e posse; ele os identifica com o seu culto e os põe fora de perigo. Assim, este primeiro grupo representa os verdadeiros crentes na terra, onde estrugirão as tempestades do juízo divino sobre o mundo.

Eles não serão tirados do mundo, mas estão marcados com o selo de Deus. Estão guardados na concavidade da mão de Deus, e, para eles, todas as coisas cooperarão para um fim muito bom.

Apocalipse 7.9-12
9 - Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos;
10 - e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação.
11 - Todos os anjos estavam de pé rodeando o trono, os anciãos e os quatro seres viventes, e ante o trono se prostraram sobre o seu rosto, e adoraram a Deus,
12 - dizendo: Amém! O louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graças, e a honra, e o poder, e a força sejam ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém!

"Depois destas coisas" — a marcação dos santos protegidos na terra — João viu uma visão de maior alegria e encorajamento. Viu uma grande multidão que homem algum poderia contar. Era tal multidão constituída de gente "de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas". 




Estavam diante do trono e diante do Cordeiro, dividindo seus louvores entre Deus "assentado sobre o trono" e "o Cordeiro". Trajavam vestidos brancos e tinham palmas nas mãos.

Este grupo não está marcado com o selo de proteção porque já não precisava mais dela. Estavam já fora do mundo e na presença de Deus. 

Tinham saído vitoriosos das provações. Isto é simbolizado pelas suas vestiduras brancas. Mostravam-se contentes, jubilosos. Isto é simbolizado pelos ramos de palmeira que trazem nas mãos.

Tais ramos tinham sido usados bastas vezes naquela cidade, sempre em ocasiões de regozijo e festa. Os conquistadores romanos usavam grinaldas de folhas de palmeira. (Charles, The Revelation of St. John, Vol. I; International Critical Commentary, p. 211.) 

Os atletas gregos, ao final de sua corrida vencedora, eram festejados com um ramo de palmeira. (Moffatt, op. cit., p. 398)

Contudo, o uso dos ramos de palmeira aqui provavelmente nada tinha que ver com qualquer dessas ocasiões. Com maior certeza, há aqui um reflexo do uso das palmas na Festa dos Tabernáculos. (Swete, Dana, Hengstenberg, Richardson, Beckwith e Milligan, in loco)

Eram levadas para a Festa dos Tabernáculos, e com elas se construíam os abrigos necessitados naquelas ocasiões para paliçadas nas ruas. A Festa dos Tabernáculos era antes de tudo uma festa de alegria — alegria pela libertação, pela preservação e pela segurança para os dias do futuro.

Assim, aqui nesta visão são as palmas usadas para o mesmo fim. O cântico é de louvor e graças, e atribui a salvação — a libertação — a Deus no seu trono e ao Cordeiro. 

Assim, reconhecem eles a fonte da vitória que alcançaram; os anjos ao redor do trono juntam-se-lhes no louvor a Deus, por tudo quanto Ele fez.

Apocalipse 7.13-17
13 - Um dos anciãos tomou a palavra, dizendo: Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem são e donde vieram?
14 - Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro,
15 - razão por que se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo.
16 - Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum,
17 - pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima.

Um dos anciãos, notando o interesse e a perplexidade de João, perguntou-lhe — "Quem são estes que trajam vestidos brancos, e donde vieram?" João confessa ignorar isso, mas também diz crer que o ancião lhe possa explicar. 

E o ancião aclarou: "Estes são os que vieram de grande tribulação, e lavaram os seus vestidos e os branquearam no sangue do Cordeiro." 

Por esta razão, por haverem saído vencedores das angústias do mundo, estão agora diante do trono de Deus, não mais na terra, e servem a Deus continuamente. 

E mais, Deus lhes concede perfeito companheirismo e proteção, e supre todas as suas necessidades. O Cordeiro redentor tornou-se-lhes agora o Cordeiro provedor: Ele os guiará às fontes da água da vida, e Deus afastará deles toda a dor ou pesar.

Ao todo, isto nos apresenta um quadro vivo dos santos depois de haverem passado pelas aflições prometidas, com ameaça, na primeira parte do capítulo.

É glorioso observá-los à medida que vêm vindo (está no particípio presente), passando vitoriosamente das angústias para o louvor e ações de graças a Deus e a Cristo, como a fonte ou a causa eficiente de sua libertação.

O grande e notável fato aqui não é tanto surgir da provação, mas surgir dela com a fé e a consciência impolutas. (Moffatt, op. cit., p. 399)

Isto só é possível pelo poder do sacrifício de Cristo por nós. O poder da redenção estivera por detrás da vitória que alcançaram sobre a perseguição. Esta a razão por que não atribuem a si a vitória, e, sim, tudo atribuem a Deus e ao Cordeiro.

Revendo a relação que existe entre as duas divisões do capítulo, vemos que as pessoas aí referidas são as mesmas; só diferem as posições delas nas duas divisões.

Numa, estão marcadas e livres do juízo, quando Deus descer a julgar a terra. Estão debaixo da proteção de Deus, e são libertadas não do juízo, mas por ele.

Na segunda divisão, nós as vemos depois de haverem passado pelas provações e dificuldades. Agora gozam paz, alegria e vitória. Toda e qualquer necessidade é suprida e curada, e afastada, toda tristeza ou pesar; toda lágrima, enxuta. 

Foram selados na terra; agora, no céu, trajam vestidos brancos e trazem alegres ramos de palmeira nas mãos, à medida que prestam o seu culto ao redor do trono de Deus. 

As duas visões juntas nos dão o quadro mais completo da segurança do povo de Deus ante os juízos retratados nos capítulos 6 e 8. "Quem poderá subsistir?" 

Eis que tivemos aí a resposta.

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