Apocalipse 2.18-29 - Tiatira - à espera da Estrela


Por Ray Summers 

Não temos informes diretos acerca de como se originou a igreja nessa pequena cidade da Ásia Menor.

Provavelmente, estivera lá algum discípulo de Paulo, ido de Éfeso, quiçá Lídia, que era natural de Tiatira e que se convertera em Filipos, ou então algum outro cristão, cujo nome nos é desconhecido. Embora pequena, era notável centro comercial. 

Estava ligada a Pérgamo por boa estrada, e uma das principais e grandes rotas romanas passava por ela, sendo assim visitada por muita gente.

A mesma heresia que assolava Pérgamo estava presente em Tiatira, conquanto aqui com pior aspecto. A cidade fervilhava de pagãos, e a dita heresia encontrara ali ótimo terreno.

Apocalipse 2.18-29
18 - Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido:
19 - Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras.
20 - Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos.
21 - Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição.
22 - Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita.
23 - Matarei os seus filhos, e todas as igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mentes e corações, e vos darei a cada um segundo as vossas obras.
24 - Digo, todavia, a vós outros, os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina e que não conheceram, como eles dizem, as coisas profundas de Satanás: Outra carga não jogarei sobre vós;
25 - tão-somente conservai o que tendes, até que eu venha.
26 - Ao vencedor, que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações,
27 - e com cetro de ferro as regerá e as reduzirá a pedaços como se fossem objetos de barro;
28 - assim como também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã.
29 - Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

1 - IDENTIFICAÇÃO (2:18)
Cristo se apresenta à igreja local como "O Filho de Deus, que tem olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes ao latão reluzente". Ele é assim infalível (Filho de Deus), onisciente (olhos penetrantes como chama de fogo) e forte (pés como de latão reluzente) no serviço. 

Portanto, a igreja devia prestar atenção às suas palavras. Ele conhece perfeitamente as condições da igreja e, por isso, está qualificado para dar sua opinião e para julgar.

2 - LOUVOR (2:19)
Ele reconhece as virtudes deles para, a seguir, elogiá-los.


  • Conhece as obras deles, seus serviços prestados a Deus; 
  • o amor deles, que é a base de suas boas obras, coisa que não aparece na Igreja de Éfeso; 
  • a fé, a sua fidelidade à religião cristã; 
  • o seu ministério, que revela o amor em atividade, ministério para com os que estão em necessidade; 
  • a paciência deles e habilidade em conservar o bom ânimo e a paz de que gozam mesmo sob o látego da perseguição. 

Ainda em acréscimo a isto, louva-os por terem progredido em suas obras – “as tuas últimas obras são mais do que as primeiras”.

Na aparência, pois, trata-se duma boa igreja. Realizam a obra do Senhor com regularidade e fidelidade, com amor e paciência manifestas. 

Estão "crescendo na graça” à medida que progridem. Se a carta findasse neste ponto poderíamos considerar esta uma igreja ideal. Mas tal não se dá.

A carta prossegue, e vemos que havia nela males que precisavam ser anotados e condenados.

3 - QUEIXA E JULGAMENTO (2:20-23)
Queixa-se o Senhor de que a igreja está dando guarida e espalhando a heresia — "toleras a mulher Jezabel". A verdadeira igreja não é acusada do crime de heresia, mas havia dentro dela membros que fechavam os olhos para ela. 

Quanto à mulher Jezabel e ao seu recado, têm aparecido muitas interpretações. Alguns acham que se trata da mulher do pastor, por aparecer no original a palavra γυνή, que pode significar esposa; isto se dá muitas vezes em o Novo Testamento. (Carroll, op. Cit., vol. Sobre o Apocalipse, p. 72)

Não há nenhuma outra base para essa teoria, e por isso parece não satisfazer. Outros exegetas acham que aqui há apenas uma alegoria para qualificar a heresia.

Parece que o melhor caminho é admitir que havia lá uma mulher pervertida que dizia haver recebido de Deus alguma revelação mística especial. 

O versículo 24 parece sugerir isto. Podia ser que a mulher se chamasse mesmo Jezabel; mas parece que o escritor dá esse nome à mulher por causa do caráter dela.

Ela estava enganando os cristãos e induzindo-os à fornicação, fosse esta literal, como fruto dos ensinos gnósticos, fosse espiritual, por ser a quebra de votos feitos a Deus. 

Este reflexo duma ideia contida no Velho Testamento, especialmente no livro de Oséias, parece ser o caso real. Não se podia permitir que aquela mulher continuasse a causar aquele dano à igreja local.

Ela marchava para a ruína, e com ela os seus seguidores, perecendo no pecado que praticavam (2:22,23). Isto seria para provar que Deus ainda domina todas as coisas e julga os homens segundo as suas obras (2:23).

4 - A PROMESSA (2:24-29)
O Senhor, aos que vencerem, promete não sobrecarregá-los com obrigações espirituais maiores do que as que já têm, nem com deveres adicionais, por meio de revelações gnósticas especiais (2:24). 

Devem esses cristãos conservar-se fiéis naquilo que ele já lhes deu (2:25). Promete aos que vencerem, dar autoridade sobre as nações. Como cristãos, serão completamente vingados diante daqueles que agora os perseguem. 

O “reger com vara de ferro” simboliza a certeza de sua justificação e triunfo com Cristo. Promete ainda, ao vencedor, "a Estrela da Manhã" — sua direção e liderança na hora escura das tribulações e provações. 

Quem tenha com freqüência observado a beleza e o brilho da Estrela da Manhã, na hora escura que precede o alvorecer, perceberá a preciosidade desta promessa.

O cristão poderá muitas vezes caminhar nas trevas de inúmeras provações e perplexidades, mas ser-lhe-á dada a Estrela da Manhã para guiá-lo. Ele deve recusar ser guiado erradamente pelo gnosticismo, e esperar "a Estrela da Manhã".

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