Apocalipse 3.1-6 - Sardo - viva ou morta?


Por Ray Summers 

Por muitos anos, Sardo fora a principal cidade grega da Ásia Menor. No período da dominação romana, era de pequena influência, mas ainda muito se orgulhava do seu passado histórico. 

Dana diz que constitui ela o exemplo clássico da aristocracia arruinada. A cidade era arrogante, e achava que se bastava a si mesma; mas carecia imenso do conselho de Deus. (Dana, The Epistles and Apocalipse of John, p. 108) 

A expressão — "desperta ou morre" — pode ser perfeitamente usada aqui para descrever a cidade e a igreja — já que no geral a vida da cidade se reflete na vida de suas igrejas. 

Apocalipse 3.1-6
1 - Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Estas coisas diz aquele que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto.
2 - Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus.
3 - Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti.
4 - Tens, contudo, em Sardes, umas poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras e andarão de branco junto comigo, pois são dignas.
5 - O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.
6 - Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

1 - IDENTIFICAÇÃO (3:1A)
O remetente se identifica como "o que tem os sete Espíritos de Deus, e as sete estrelas". Tem a plenitude do poder e da sabedoria. Igualmente, em suas mãos tem o destino das igrejas. Estas farão bem em atender ao seu conselho.

2 - QUEIXA (3:10)
Aqui se nota uma notável mudança na maneira de o Senhor falar à igreja. Até aqui ele elogiava e depois se queixava. Agora, nesta carta, há tão pouco a louvar e tanto para queixar-se, que ele inverte a ordem. 

"Sei as tuas obras, que tens nome de que estás vivo, e estás morto." Em poucas palavras ele faz uma queixa terrível. A igreja exteriormente revelava grande atividade, mas internamente não tinha espiritualidade nenhuma. 

Certo, a organização era perfeita e tudo se movimentava a tempo e a hora. Visto do lado de fora, dava esta igreja a impressão de ser a igreja ideal, mas era sem vida, não tinha vida real. 

Alguém lembrou certa vez que "poucas coisas são tão bem organizadas como os cemitérios, embora lá não haja vida"! Assim acontecia com a igreja em Sardo: tinha nome de que vivia, mas Aquele que conhece tudo perfeitamente afirmava que ela estava morta.

3 - CONSELHOS (3:2)
Aconselha-se à igreja a ser vigilante e "a confirmar as coisas que restam, que estavam para morrer". Na igreja em Sardo havia umas poucas coisas que ainda viviam; estavam à beira da morte, mas ainda podiam ser salvas mediante pronta intervenção.

As aparências e formas estavam bem, mas precisavam ser tocadas pelo poder e pela dedicação. 

O cristão não pode prosperar só no que respeita às coisas rituais. Cristo afirma que não encontrara na igreja nenhuma obra perfeita aos olhos de Deus. Os crentes da igreja em Sardo eram bons na saída, mas ruins na chegada. Lembravam os gálatas, que corriam bem por um pouco e depois paravam. 

A igreja em Sardo gozava de bom nome entre os homens, de igreja de boas obras, mas Cristo não julga com os olhos do homem, e, sim, pelos de Deus, e afirma que aqueles crentes de Sardo não tinham realmente terminado nada do que haviam iniciado.

4 - AVISO (3:3)
Avisa-se à igreja que evite o desastre espiritual, lembrando o verdadeiro conteúdo da religião como dantes a receberam e retornando aos primeiros rudimentos e práticas. Se não fizer isto, ele virá sobre ela com juízo e destruição. Esta admoestação para que "vigie" tem um significado todo especial para Sardo. 

A cidade estava edificada sobre uma elevação, e três dos seus lados desembocavam em fortes declives, verdadeiros precipícios. Assim, estava facilmente defendida de prováveis inimigos. Mas, se houvesse descuido da parte de seus defensores, a cidade podia ser tomada de assalto. E isto já se tinha dado por duas vezes. 

Quando reinava Creso, foi a cidade sitiada por Ciro; seus soldados dormiram, julgando que a cidade estava defendida pela própria natureza. Assim, caiu ela facilmente nas mãos das tropas inimigas. Doutra feita, no reinado de Acneu, foi tomada por Antíoco, o Grande, e nas mesmas circunstâncias. 

O Senhor agora usa estes fatos para alertar a igreja em Sardo. "Lembrai-vos de vossa história pátria. Se não vigiardes, tereis a mesma sorte." Em o Novo Testamento, "vigiar" não significa propriamente conservar os olhos abertos; significa mais conservar-se em atividade, ocupado plenamente no serviço do Senhor.

5 - LOUVOR (3:4A)
Na igreja,em Sardo havia poucos que mereciam louvor. Estes "não contaminaram seus vestidos"; não tinham participado do culto pagão, nem do mundanismo e corrupção daquela cidade e daqueles dias. Tinham permanecido fiéis ao Senhor.

6 - A PROMESSA (3:4B, 5)
A este grupo fiel promete-se fazê-lo andar de branco com o Senhor. Merecem a companhia do Senhor, por causa da pureza e lealdade de suas vidas. O que vencer será "vestido de vestes brancas". 

Sardo se orgulhava do seu comércio de tecidos coloridos, de que se confeccionavam os vestidos usados pela gente mundana e foliona.

Os que vencessem receberiam vestidos brancos, símbolo de sua pureza. Não teriam seus nomes riscados do livro da vida, e, sim, Cristo os confessaria diante de Deus e dos anjos. 

Por haverem recusado ceder às exigências do culto ao imperador, seus nomes tinham sido riscados do livro das memórias da humanidade, mas tinham sido escritos no livro dos mártires do cristianismo. E mais; estavam também gravados no livro da vida, do Cordeiro, e estavam a salvo. 

Esta é a perfeita segurança e a verdadeira honra. O Novo Testamento nos ensina enfaticamente a segurança do crente e ensina ainda que o fato de alguém vencer e permanecer fiel até o fim é prova de que era de fato redimido desde o início. Essa é a verdade salientada nesta passagem.

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