Apocalipse 20.11-15 - O Cordeiro e o destino eterno

Por Ray Summers
O último ato do espetáculo da redenção nos apresenta o juízo de Deus e o destino final do homem. Se está isto relacionado aqui com o quadro total do conceito de João não o sabemos, ou ao menos não se nos diz.

Os escritores do Novo Testamento, obedientes à exortação do Senhor, que a todos ordenava que "vigiassem", esperavam a segunda vinda e o estabelecimento do reinado de Cristo em seus próprios dias. E é esta a atitude correta dos cristãos de todas as épocas. 

Talvez, tendo isto em seu pensamento e contemplando a vitória de Cristo sobre o culto ao imperador, João estivesse esperando que o julgamento final e o estabelecimento da ordem eterna se dessem por ocasião da vitória de Cristo sobre Domiciano e o seu universo.

O fato de isto não ter sido exato em nada viola a integridade das Escrituras. O tempo do fim é assunto exclusivamente divino, só ao Pai pertence, e deve ser ocultado até daqueles que Deus inspira a escreverem sobre este assunto.

Virá no tempo por Deus determinado e de conformidade com o seu santo propósito. Ele não nos disse quando será. Só nos revelou algo de sua natureza. E é justamente este o conteúdo do ato seguinte deste drama.

A estrutura desta visão harmoniza-se com a mensagem a ser entregue. Ao chegar o tempo do julgamento eterno, os homens atarão divididos em duas classes: os remidos e os não remidos, esta base é que é apresentada esta visão.

As duas classes são apresentadas como um todo, mas há uma grande linha divisória entre elas. O palco terrestre do espetáculo já se fechou; agora sbe o pano de boca do palco celestial, para revelar os destinos eternos dos bons e dos maus. 

O destino dos não redimidos
João viu um grande trono branco e Um assentado sobre ele. O trono branco simboliza justiça santa e soberana e que ninguém pode discutir as sentenças proferidas pelo juiz que se assenta neste trono.

Apocalipse 20.11-15
11 - Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles.
12 - Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros.
13 - Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras.
14 - Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo.
15 - E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo.

Ele possui todas as provas, sabe como dar um veredicto justo e exato, e também sabe como se deve executar uma sentença. Noutras palavras, ele é o júri, o juiz e a principal autoridade executiva; tudo ao mesmo tempo.




João viu os mortos, grandes e pequenos, perante o trono e prontos para receber a sentença. Não se faz referência alguma à identidade dos pequenos e dos grandes, como se fossem algum grupo especial. Parece que simbolizam os mortos em geral.

O julgamento é feito de acordo com o que se acha registrado em dois livros.

Primeiro — abrem-se os livros; os livros que contêm as obras e os feitos dos que estão sendo julgados. Esta ideia de Deus ter um registro dos feitos dos homens nós a encontramos de contínuo nas páginas das Sagradas Escrituras.


Sem dúvida, é um modo figurado de dizer que Deus guarda acurado registro das ações feitas na carne — de que nada escapa a seus olhos, mas ele não tem necessidade alguma de escrever isso tudo em livros para se lembrar desses feitos.

Segundo — foi aberto "o Livro da Vida". Este é o livro que conta a espécie de vida vivida em contraste com aquele que registra a espécie do feito realizado.

Os mortos são julgados de acordo com as coisas escritas nos livros. Se o nome de um homem não está escrito no livro da vida, os registros do livro dos feitos o condenam, e ele é lançado no lago de fogo.

Aqui não se afirma, mas parece estar implícito, em conexão com os demais ensinos do Novo Testamento que, se o nome de um homem é achado no Livro da Vida, estará livre do juízo condenatório e terá seu lugar no grande grupo dos remidos de que nos fala o capítulo seguinte.

Dentre as coisas mais difíceis do Novo Testamento, daquelas sobre que não é possível construir um sistema harmônico, estão as passagens que se referem à morte, ao intervalo entre a morte e a ressurreição, à ressurreição e ao juízo. Jesus nos falou do julgamento de "bodes e ovelhas"; João aqui escreve acerca do julgamento dum "grande trono branco".

Alguns exegetas do Novo Testamento acham que os dois julgamentos não são o mesmo e que aquele que pensar doutro modo mostra ser um "herege" que nega "o claro ensinamento das Escrituras". (A distinção muitas vezes feita é esta — que o julgamento de "bodes e ovelhas" é o das nações, o que se dá antes do milênio, para se decidir que nações continuarão a existir durante o milênio; a decisão aí é tomada à luz do tratamento que dispensaram a Cristo. Segundo esta teoria, o julgamento do "grande trono branco" terá lugar no fim do milênio e é um julgamento de indivíduos)

 Outros entendem que os dois são apenas modos diversos de apresentar o mesmo julgamento. Fazendo-se justiça ao ensino global das Escrituras, parece ser esta a melhor interpretação. 

Quando nos pomos a considerar toda a confusão que surge, quando se tenta construir a escatologia do Novo Testamento, nós nos inclinamos a crer que o Senhor Jesus teve muito boas razões para deixar as coisas naquele pé. O homem precisa saber que haverá ressurreição, julgamento e vida eterna após a morte.

Para que progrida espiritualmente, não se faz necessário que ele conheça todos os pormenores dessas verdades. Se fosse necessário isso, certamente Deus o teria revelado de modo mui claro.

Na economia da revelação divina, Deus só revela ao homem aquilo que Ele acha que o homem tem necessidade de conhecer para o seu progresso espiritual. O resto fica na ciência do Criador. Há, de fato, coisas que o homem não precisa saber, e ele deve dar-se por satisfeito, deixando-as nas mãos de Deus.

A visão que agora temos diante de nós foi concedida com o mesmo propósito de outros ensinamentos sobre o juízo. Foi concedida para alertar os homens acerca do fato e do terror do julgamento, mas também para assegurar ao homem que esse terror desaparecerá do coração daquele cujo nome for achado no Livro da Vida — do homem redimido pelo sangue de Cristo.

Este breve parágrafo não esgota o ensino do destino dos maus. Eles aparecem noutro lugar, em que um versículo descritivo surge para contrastar com o bem-aventurado destino dos remidos.

Esse versículo (22:15) identifica aqueles que hão de ter sua parte no lago de fogo; o medroso, o descrente, o abominável, os assassinos, os impuros, os adivinhos, os idólatras, os mentirosos, os imundos, os cães e "todo aquele que ama e diz a mentira". 



Esta não é uma lista para aqueles que acham que o seu destino eterno é de separação e castigo eterno; é mais uma série que descreve a qualidade ou o caráter daqueles que estão eternamente condenados.

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