Apocalipse 17.1-18 - A mulher Escarlate: Roma


Por Ray Summers
Ligava-se tanta importância a Roma como o centro do poder perseguidor no primeiro século que se nos dão três capítulos inteiros para retratar a sua destruição.

Trata-se duma série de cenas do espetáculo que revela o destino de Roma, como já disso se nos dera um rápido esboço em 14:8 e 16:19.

Apocalipse 17.1-19
1 - Veio um dos sete anjos que têm as sete taças e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que se acha sentada sobre muitas águas,
2 - com quem se prostituíram os reis da terra; e, com o vinho de sua devassidão, foi que se embebedaram os que habitam na terra.
3 - Transportou-me o anjo, em espírito, a um deserto e vi uma mulher montada numa besta escarlate, besta repleta de nomes de blasfêmia, com sete cabeças e dez chifres.
4 - Achava-se a mulher vestida de púrpura e de escarlata, adornada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas, tendo na mão um cálice de ouro transbordante de abominações e com as imundícias da sua prostituição.
5 - Na sua fronte, achava-se escrito um nome, um mistério: BABILÔNIA, A GRANDE, A MÃE DAS MERETRIZES E DAS ABOMINAÇÕES DA TERRA.
6 - Então, vi a mulher embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus; e, quando a vi, admirei-me com grande espanto.
7 - O anjo, porém, me disse: Por que te admiraste? Dir-te-ei o mistério da mulher e da besta que tem as sete cabeças e os dez chifres e que leva a mulher:
8 - a besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá.
9 - Aqui está o sentido, que tem sabedoria: as sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis,
10 - dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco.
11 - E a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição.
12 - Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora.
13 - Têm estes um só pensamento e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem.
14 - Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele.
15 - Falou-me ainda: As águas que viste, onde a meretriz está assentada, são povos, multidões, nações e línguas.
16 - Os dez chifres que viste e a besta, esses odiarão a meretriz, e a farão devastada e despojada, e lhe comerão as carnes, e a consumirão no fogo.
17 - Porque em seu coração incutiu Deus que realizem o seu pensamento, o executem à uma e deem à besta o reino que possuem, até que se cumpram as palavras de Deus.
18 - A mulher que viste é a grande cidade que domina sobre os reis da terra.

Agora aqui se pinta Roma como uma grande meretriz que se assenta sobre muitas águas e pratica sua fornicação com os reis da terra; ela é culpada da fornicação espiritual por seu culto idolátrico, e ela seduz os reis das províncias, conquistando-os e levando-os a praticar o mal com ela.

As águas sobre que ela se assenta simbolizam o povo sobre que ela reina. Assim é ela descrita para João. Mas quando eles chegam a contemplar o palco onde se desenrola o espetáculo, ela está assentada sobre uma besta de cor de escarlata, que está cheia de nomes blasfemos e tem sete cabeças e dez chifres.

A besta, da cor do dragão demoníaco do capítulo 12, sem dúvida, é o Império que sustenta esta cidade infame. A mulher está vestida com todo o luxo e esplendor altaneiro, e tem na mão um cálice. Este contém as coisas impuras de sua fornicação. 

Esta é evidentemente a mesma mulher retratada no versículo 6, onde vemo-la embriagada o tempo todo (particípio presente) com o sangue dos santos e mártires de Jesus.

"As abominações e a imundícia da sua prostituição" são, então, os males que provieram do seu culto idolátrico e da perseguição. Sua "progênie" é um tanto diferente da daquela Radiante Mulher do capítulo 12. O nome dela está escrito em sua testa, e é — "Mistério, a Grande Babilônia, a Mãe das prostituições e abominações da terra". Era um mistério, uma maravilha. 

Que mulher e que besta cavalgada por ela! É ela a grande prostituta, a principal responsável pelo idolátrico culto ao imperador, e é a mãe duma família de prostitutas. Seu prazer é beber o sangue dos mártires, e está embriagada desse sangue.

Muitos dos adeptos da escola futurista acham que isto se refere à cidade de Babilônia, que será restaurada nos últimos dias. Já a escola da continuidade histórica afirma tratar-se da apóstata Igreja Católica Romana.

Talvez o caminho mais seguro seja ver bem a explicação que o anjo deu a João, quando disse: "Por que te admiras? Eu te direi o mistério da mulher e da besta que a traz." Ele explica que a besta "foi e já não é, e está para subir do abismo, e irá à perdição". 

Este é um reflexo do mito de Nero redivivo. Aqui se pinta o Império Romano como personificado em Domiciano — o Nero reencarnado. O Império está às portas da destruição. O mundo pagão maravilha-se da história e do progresso de Roma. Os que são cristãos já não a admiram, pois sabem que ela está condenada.

A começar do versículo 9, o anjo explica que as sete cabeças da besta são sete montes; de fato, Roma estava edificada sobre sete colinas. Foram também sete os reis que estabeleceram as bases do grande império: Augusto, Tibério, Calígula, Cláudio, Nero, Vespasiano e Tito. 

Há um oitavo que deverá ter sua parte nesta história, mas é um dos sete já mencionados — ele era, e é, a reencarnação da atividade maligna e perseguidora de Nero. Os dez chifres da besta representam o poderio do Império. 

Este poderio estava nas suas províncias; e, por isso, este símbolo que o anjo identifica com "os dez reis que ainda não receberam o reino, mas receberão poder como reis, juntamente com a besta, por uma hora" deve referir-se aos reis vassalos, governadores das províncias de Roma, que recebem autoridade de Roma e exercem autoridade como delegados por um tempo muito breve — "uma hora". 

Estes têm um pensamento único, que é obedecer ao Império Romano, personificado em Domiciano. Esta a razão de eles se mostrarem tão zelosos na perseguição aos cristãos.

Guerreiam o Cordeiro, mas este sai vitorioso, porque é "o Senhor dos senhores e o Rei dos reis". Virá logo a hora em que essas províncias terão a sua parte na destruição de Roma. E isto era justamente o que Roma temia mais.

Por toda parte do Livro dos Atos encontramos indícios desse medo que Roma tinha, ao levantar-se aqui ou ali uma rebelião ou qualquer efervescência que pudesse resultar em revolução.

O capítulo se encerra com a afirmativa de que a mulher — a prostituta que conheceu esta grande destruição — era a grande cidade que presidia sobre os reis da terra. O primeiro triunfo retratado para os cristãos é o da infalível destruição do Império Romano.

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