39 - Os Anabatistas

IV. OS ANABATISTAS


Origem
Além dos luteranos e dos reformados surgiu um terceiro movimento reformador conhecido como batista. A revolução religiosa naturalmente, estimulou muitos modos de vida e de pensamento religioso. 

Consequentemente, no começo da Reforma apareceram na Europa central vários grupos de cristãos zelosos que, embora rejeitassem os ensinos da igreja medieval e defendessem fundamentalmente a interpretação reformada do cristianismo, não seguiram os luteranos nem os zuinglianos, nem se juntaram as chamadas igrejas de Estado, ou oficiais.



Sociedades anabatistas
O ideal deles era organizar sociedades de cristãos verdadeiramente convertidos, em bases voluntárias. Estas sociedades seriam santos agrupamentos seguindo os ensinos do Novo Testamento e particularmente o Sermão do Monte. 

Nelas seria reproduzido o modo de viver dos cristãos primitivos. Todos os seus membros deveriam viver segundo o Evangelho. 

Não lançariam mão da força; portanto não iriam a guerra. Nem exerceriam cargos civis. Não ofereceriam resistência ao mal, e suportariam com forte ânimo tudo que lhes sobreviesse por causa das suas convicções.

Tinham de cultivar um estrito companheirismo entre si e dispensar muito cuidado às necessidades do próximo. Tais sociedades exerceriam e obedeceriam a uma estrita disciplina a fim de cultivar uma comunidade de cristãos genuínos.

A sua doutrina quanto a Igreja e os resultados
Pode-se dizer que a doutrina fundamental dos anabatistas era uma concepção particular a respeito da Igreja. 

Esta, sustentavam eles, é uma comunidade de pessoas regeneradas, isto é, convertidas. Ninguém mais tinha a ver com a mesma. 

Decorria daí a crença deles, de que o batismo, o rito de admissão à Igreja, só deveria ser ministrado aos adultos, desde que somente estes poderiam experimentar conversão.

Os que se filiavam a essas sociedades eram batizados, pois o batismo que já tivessem recebido na infância era destituído de significação. Por causa dessa atitude foram chamados anabatistas, isto é, que batizavam novamente. 

Era virtude da ideia que tinham sobre a igreja não admitiam a existência de uma igreja oficial, reconhecida peio Estado. Uma igreja sob o controle do poder civil, que podia ser ou deixar de ser cristão, diziam eles, não podia ser a verdadeira igreja. 

Por esta razão se separavam e não queriam qualquer aproximação com as igrejas reformadas, pois todas elas eram igrejas reconhecidas pelo Estado.



Relação dos anabatistas para com a sociedade
Os anabatistas surgiram especialmente nas regiões da Europa onde o descontentamento social vinha de há muito dominando. 

Procederam principalmente dos camponeses e artesãos que eram vítimas de injustiças; não obstante, entre eles havia alguns líderes cultos. 

Foram eles, até certo ponto, envolvidos pela Guerra dos Camponeses em 1525, guerra que foi a culminação das revoltas das populações opressas.

Nos primeiros anos do seu desenvolvimento havia entre os anabatistas, a esboçar-se, uma veleidade de transformar a ordem então existente, estabelecendo no seu lugar uma sociedade fundamentada no amor cristão. 

Mas este radicalismo social logo passou, em parte por causa da perseguição, e mesmo porque esse propósito não era característico da maioria dos anabatistas.

Em geral estes eram calmos, devotados, trabalhadores, ocupados principalmente com suas sociedades, tais como já as descrevemos, isolados do mundo e das lutas políticas, sofrendo pacientemente inimizades e perseguições.

Antes de 1524, existiam numerosas sociedades de anabatistas na Suíça e no sul e oeste da Alemanha. A partir dessa época, eles cresceram em número muito rapidamente nessas regiões, como nos Países Baixos na Áustria. 

A Igreja Romana, naturalmente, perseguiu-os de um modo terrível. E até os luteranos e zuinglianos os perseguiram por sua rejeição do batismo infantil e oposição às igrejas oficiais.




Na Dieta de Spira, em 1529, enquanto os luteranos e zuinglianos protestavam contra a perseguição que se lhes movia, concordavam em que se perseguissem os anabatistas, alguns dos quais sofreram morte às mãos de vários protestantes. 

Um dos mais ferozes assaltos romanistas caiu sobre eles, especialmente nos Países Baixos, onde os seus sofrimentos ultrapassam qualquer descrição.

Mas em face desta perseguição, a mais severa de toda a história da Reforma, eles demonstraram a maior resignação e vitalidade.



Meno Simons
O mais célebre líder dos anabatistas foi Meno Simons (1492-1559). 

Durante vinte e cinco anos ele pastoreou as sociedades espalhadas pela Alemanha e Países Baixos, Purificou-as das suas tendências para o fanatismo, resultantes, naturalmente, dos seus sofrimentos. 

Encorajou-as nos períodos de perseguição, conseguiu novos conversos pela pregação e as unificou numa grande irmandade que tomou o seu nome — Os Menonitas.




Os Menonitas e os modernos batistas
Em 1608, vários puritanos fugidos da Inglaterra por causa das perseguições chegaram à Holanda. Alguns deles, foram, depois, os Peregrinos de Plymouth. 

Outros que vieram por causa da influência dos Menonitas aceitaram os pontos de vista destes.

Mais ou menos em 1611, alguns desses últimos conversos fundaram em Londres a primeira Igreja Batista ou Anabatista da Inglaterra. Já antes disto, alguns batistas ingleses estavam associados aos Menonitas holandeses.

Destes primeiros batistas ingleses procederam os demais batistas que fundaram igrejas no mundo de língua inglesa. 

A designação de Menonitas ainda hoje é adotada por algumas igrejas na Alemanha e por igrejas de origem germânica, tanto na Rússia como na América.

Por Robert Hastings Nichols

ÍNDICE


A preparação para o Cristianismo

01 - A contribuição dos Romanos, Gregos e Judeus
02 - Como era o mundo no surgimento do cristianismo

A fundação e expansão da Igreja
03 - Jesus e sua Igreja
04 - A Igreja Apostólica Até o Ano 100

A Igreja antiga (100 - 313) 
05 - O mundo em que a Igreja vivia (100 - 313)
06 - Características da Igreja Antiga (100-313)

A Igreja antiga (313- 590) 
07 - O mundo em que a Igreja vivia (313 - 590)
08 - Características da Igreja Antiga (313-590)

A Igreja no início da Idade Média (590 - 1073) 
09 - O mundo em que a Igreja vivia (590-1073)
10 - Características da Igreja no início da Idade Média 
11 - O cristianismo em luta com o paganismo dentro da Igreja

A Igreja no apogeu da Idade Média (1073 - 1294) 
12 - A Igreja no Ocidente - O papado Medieval - Hildebrando
13a - Inocêncio III
13b - A Igreja Governa o Mundo Ocidental
14 - A guerra da Igreja contra o Islamismo - As cruzadas 
15 - As riquezas da Igreja
16 - A organização da Igreja
17 - A disciplina e a lei da Igreja Romana
18 - O culto da Igreja
19 - O lugar da Igreja na religião
20 - A vida de alguns líderes religiosos: Bernardo, Domingos e Francisco de Assis
21 - O que a Igreja Medieval fez pelo mundo
22 - A igreja Oriental

Decadência e renovação na Igreja Ocidental (1294 - 1517)

23 - Onde a Igreja Medieval falhou
24 - Movimentos de protesto: Cataristas, Valdeneses, Irmãos
25 - A queda do Papado
26 - Revolta dentro da igreja: João Wycliff e João Huss
27 - Tentativas de reforma dentro da Igreja
28 - A Renascença e a inquietude social como preparação para a Reforma

Revolução e reconstrução (1517 - 1648) 
29 - A Reforma Luterana
30 - Como Lutero se tornou reformador
31 - Os primeiros anos da Reforma Luterana
32 - Outros desdobramentos da Reforma Luterana
33 - A Reforma na Suíça - Zuínglio
34 - Calvino - líder da Reforma em Genebra
35 - A Reforma na França
36 - A Reforma nos Países Baixos
37 - A Reforma na Escócia, Alemanha e Hungria

O cristianismo na Europa (1648 - 1800)
43 - A França e a Igreja Católica Romana
44 - A Igreja Católica Romana e a Revolução Francesa
45 - O declínio religioso após a Reforma
46 - O Pietismo
46 - A Igreja Oriental
47 - A Regra Puritana
48 - Restauração
49 - Revolução
50 - Declínio Religioso no começo do século 18
51 - O Reavivamento do Século 18 e seus resultados
52 - Os Pactuantes (Covenanters)
53 - O Século 18 na Escócia
54 - O Presbiterianismo na Irlanda

O Século 19 na Europa
55 - O Catolicismo Romano
56 - O Protestantismo na Alemanha, França, Holanda, Suíça, Escandinávia e Hungria
57 - O Movimento Evangélico na Inglaterra
58 - O Movimento Liberal
59 - O Movimento Anglo-Católico
60 - As Igrejas Livres
61 - As Igrejas na Escócia: despertamento, descontentamento e cisão
62 - As missões e o cristianismo europeu

O Século 20 na Europa
63 - História Política até 1935
64 - O Catolicismo Romano
65 - O Protestantismo no Continente
66 - A Igreja da Inglaterra
67 - As Igrejas Livres 
68 - A Escócia
69 - A Igreja Ortodoxa Oriental
70 - Outros países orientais
71 - O Movimento Ecumênico

O cristianismo na América
72 - As primeiras tentativas
73 - As Treze Colônias
74 - Reconstrução e reavivamento após a Guerra da Independência
75 - O Século 19 até 1830
76 - 1830 - 1861
77 - 1861 - 1890
78 - 1890 - 1929
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