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E - 1890- 1929
Modificações importantes na vida nacional que ocorreram antes e depois de 1890 afetaram vitalmente a religião e as igrejas. Além disso, surgiram ideias religiosas avançadas.

As mudanças na vida nacional foram:


  • um aumento extraordinário de imigração, que desta vez procedeu mais do leste e do sul da Europa do que do ocidente, como se verificara dantes; 
  • uma expansão industrial que superou a qualquer coisa jamais conhecida na América; 
  • um rápido desenvolvimento das cidades provocado pela imigração e pela indústria e um consequente declínio da população rural; 
  • o desaparecimento de fronteiras, dificuldade que tinha existido através de toda a história americana;
  •  conflitos mais agudos e em maior número entre empregados e empregadores.

As novas condições de vida das populações tiveram um efeito direto sobre as igrejas. Muitas igrejas na cidades, sentindo-se cercadas de pessoas para as quais elas eram estranhas, mudaram-se para outras localidades.

Algumas modificaram seus métodos para alcançarem as "pessoas das vizinhanças. Muitas igrejas das vilas e do interior ficaram seriamente enfraquecidas por causa da emigração dos seus membros para as cidades.


Ganharam terreno novos métodos de estudos bíblicos e uma nova concepção quanto à inspiração da Bíblia. As ciências naturais, com seus ensinos sobre a origem da terra e do homem, alteraram o pensamento religioso de vários modos.

Apesar desses fatores de desordem, as igrejas protestantes estiveram em grande atividade, a partir de 1890 e nos começos do século XX.

As igrejas viam crescer o rol dos seus membros, eram frequentes as campanhas evangelísticas, o movimento da mocidade estava em plena efervescência, as missões nacionais e estrangeiras avançavam vigorosamente.

Os anos de 1900 a 1915 têm sido chamados a "era das cruzadas", em virtude dos empreendimentos organizados amplamente entre as igrejas, tais como: o Movimento Missionário dos Leigos e o Movimento para o Avanço Religioso, etc.

A primeira guerra mundial provocou um declínio das atividades religiosas. Mas as igrejas, como um todo, contribuindo para a causa da guerra, tiraram de transferir para as causas dessa mesma guerra muitas das suas energias.

Logo depois do conflito veio a maior das "Cruzadas", o Movimento Mundial Inter-Eclesiástico. Concebido em vasta escala, este movimento promoveu auxílio adequado a todos os empreendimentos cristãos e oportunidade de serviço cristão onde quer que fosse necessário.

Tal planejamento arrojado, porém, não tinha sido delineado sabiamente e por isso resultou em desilusão, por causa da situação de egoísmo que persistiu de 1920 em diante.

Não obstante este período de dificuldades, as atividades eclesiásticas seguiram as mesmas linhas e com a mesma força até 1929.

Vários novos aspectos da vida da igreja neste período merecem destaque. O Movimento da Unidade Cristã tornou-se mais forte na América do que no resto do mundo cristão.


O Concílio Federal das Igrejas de Cristo na América, organizado em 1908, reuniu a maioria das igrejas cristãs para uma cooperação e desenvolveu a sua influência. Surgiram nos Estados muitas federações de igrejas, como também em certas regiões e cidades. Isto contribuiu para fortalecer a obra inter-denominacional.

Houve várias uniões de igrejas, sendo a mais importante a união da Igreja Presbiteriana U.S.A. com a Igreja Presbiteriana de Cumberland em 1906, e a Organização da Igreja Luterana Unida em 1918. As igrejas americanas estavam na liderança do movimento ecumênico.

A partir de 1900, houve um constante crescimento do Cristianismo Social, isto é, uma nova compreensão da parte do povo cristão com relação às condições sociais e econômicas; uma nova concepção acerca dos males sociais; a convicção de que a justiça social era da vontade de Deus e que, portanto, a Igreja Cristã deveria lutar por alcançar aquele propósito.

Isto apareceu claramente numa longa série de declarações sobre questões sociais, "credos sociais" publicados pelas igrejas, começando com as declarações da Conferência Geral Metodista e o Concílio Federal em 1908. Ao lado dessas afirmações houve muito estudo e discussão sobre este assunto, nas igrejas, por meio de publicações de folhetos, jornais e livros.

Além disso o trabalho das igrejas no campo social foi muito ampliado. Este movimento foi fortalecido com a Primeira Guerra Mundial e tanto afetou o Protestantismo como a Igreja Católica Romana. Apesar da oposição e dificuldades o movimento prosseguiu até 1929, sempre com maior visão.

O culto tornou-se muito importante em muitas igrejas durante esse período. Formas de culto mais piedosas e atraentes foram introduzidas em larga escala. Em certas igrejas não litúrgicas apareceram fórmulas de oração e manuais de culto.

Outro aspecto importante da vida das igrejas foi o grande esforço que realizaram no campo da educação religiosa, que foi ministrada tanto aos domingos como durante os demais dias da semana.

As modificações do pensamento religioso, por volta de 1890, a que nos referimos, deu lugar ao aparecimento de uma teologia liberal, um tipo de pensamento que era verdadeiro quanto ao Cristianismo histórico, mas defendia uma nova concepção quanto à inspiração da Bíblia com relação às novas descobertas da ciência.

Contra estes conceitos surgiu, a partir de 1910, o fundamentalismo, movimento que dava ênfase à exatidão e inspiração literal da Bíblia. Uma controvérsia amarga perturbou o protestantismo americano a partir de 1920, vindo quase a desaparecer em 1935.


Neste período a Igreja Católica Romana continuou a sua marcha. O seu grande crescimento numérico foi de certo modo retardado a partir de 1910, pela restrição da imigração.

Mas esta igreja fortaleceu sua organização e desenvolveu sua atividade de todos os modos possíveis. Foram construídos muitos templos e fundadas instituições.

Foram grandemente desenvolvidos a obra educativa e os serviços sociais; foi ampliado o número de periódicos e livros. A influência política e social da igreja romana foi firmada.

Durante esse tempo a igreja ortodoxa do oriente, pela primeira vez, tornou-se um elemento considerável na vida religiosa dos EE. Unidos por causa da imigração.

As várias igrejas dessa comunhão mantinham para com as igrejas protestantes uma atitude muito diferente daquela da igreja Católica Romana.

Por Robert Hastings Nichols

ÍNDICE

A preparação para o Cristianismo

01 - A contribuição dos Romanos, Gregos e Judeus
02 - Como era o mundo no surgimento do cristianismo

A fundação e expansão da Igreja
03 - Jesus e sua Igreja
04 - A Igreja Apostólica Até o Ano 100

A Igreja antiga (100 - 313) 
05 - O mundo em que a Igreja vivia (100 - 313)
06 - Características da Igreja Antiga (100-313)

A Igreja antiga (313- 590) 
07 - O mundo em que a Igreja vivia (313 - 590)
08 - Características da Igreja Antiga (313-590)

A Igreja no início da Idade Média (590 - 1073) 
09 - O mundo em que a Igreja vivia (590-1073)
10 - Características da Igreja no início da Idade Média 
11 - O cristianismo em luta com o paganismo dentro da Igreja

A Igreja no apogeu da Idade Média (1073 - 1294) 
12 - A Igreja no Ocidente - O papado Medieval - Hildebrando
13a - Inocêncio III
13b - A Igreja Governa o Mundo Ocidental
14 - A guerra da Igreja contra o Islamismo - As cruzadas 
15 - As riquezas da Igreja
16 - A organização da Igreja
17 - A disciplina e a lei da Igreja Romana
18 - O culto da Igreja
19 - O lugar da Igreja na religião
20 - A vida de alguns líderes religiosos: Bernardo, Domingos e Francisco de Assis
21 - O que a Igreja Medieval fez pelo mundo
22 - A igreja Oriental

Decadência e renovação na Igreja Ocidental (1294 - 1517)

23 - Onde a Igreja Medieval falhou
24 - Movimentos de protesto: Cataristas, Valdeneses, Irmãos
25 - A queda do Papado
26 - Revolta dentro da igreja: João Wycliff e João Huss
27 - Tentativas de reforma dentro da Igreja
28 - A Renascença e a inquietude social como preparação para a Reforma

Revolução e reconstrução (1517 - 1648) 
29 - A Reforma Luterana
30 - Como Lutero se tornou reformador
31 - Os primeiros anos da Reforma Luterana
32 - Outros desdobramentos da Reforma Luterana
33 - A Reforma na Suíça - Zuínglio
34 - Calvino - líder da Reforma em Genebra
35 - A Reforma na França
36 - A Reforma nos Países Baixos
37 - A Reforma na Escócia, Alemanha e Hungria

O cristianismo na Europa (1648 - 1800)
43 - A França e a Igreja Católica Romana
44 - A Igreja Católica Romana e a Revolução Francesa
45 - O declínio religioso após a Reforma
46 - O Pietismo
46 - A Igreja Oriental
47 - A Regra Puritana
48 - Restauração
49 - Revolução
50 - Declínio Religioso no começo do século 18
51 - O Reavivamento do Século 18 e seus resultados
52 - Os Pactuantes (Covenanters)
53 - O Século 18 na Escócia
54 - O Presbiterianismo na Irlanda

O Século 19 na Europa
55 - O Catolicismo Romano
56 - O Protestantismo na Alemanha, França, Holanda, Suíça, Escandinávia e Hungria
57 - O Movimento Evangélico na Inglaterra
58 - O Movimento Liberal
59 - O Movimento Anglo-Católico
60 - As Igrejas Livres
61 - As Igrejas na Escócia: despertamento, descontentamento e cisão
62 - As missões e o cristianismo europeu

O Século 20 na Europa
63 - História Política até 1935
64 - O Catolicismo Romano
65 - O Protestantismo no Continente
66 - A Igreja da Inglaterra
67 - As Igrejas Livres 
68 - A Escócia
69 - A Igreja Ortodoxa Oriental
70 - Outros países orientais
71 - O Movimento Ecumênico

O cristianismo na América
72 - As primeiras tentativas
73 - As Treze Colônias
74 - Reconstrução e reavivamento após a Guerra da Independência
75 - O Século 19 até 1830
76 - 1830 - 1861
77 - 1861 - 1890
78 - 1890 - 1929


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