46 - A Igreja Oriental

IV. A IGREJA ORIENTAL

Do Século XV ao Século XVIII




Resultados da queda de Constantinopla
Em 1453, caiu sobre a igreja do oriente o maior desastre de sua história: a conquista de Constantinopla pelos turcos. 

O império do oriente, por tanto tempo um campeão do cristianismo, caiu, e o sultão sentou-se no trono do imperador. Santa Sofia, a catedral magnífica edificada por Justiniano, no século VI, transformou-se numa Mesquita com sinal e prova da queda do cristianismo diante do islamismo. 

Os cristãos residentes no território turco tiveram permissão de conservar seu culto, mas perderam todos os direitos perante a lei, tendo de viver em sujeição e sem qualquer amparo legal.

A organização da igreja permaneceu inalterada, O Patriarca de Constantinopla viu mesmo aumentados os seus poderes sobre os demais patriarcas do oriente, Antioquia, Jerusalém e Alexandria, e tornou-se chefe de todos os cristãos do império turco, que então incluía os territórios da igreja oriental, exceto a Rússia. 

O patriarca era indicado pelo sultão e estava inteiramente à mercê do seu poder. Além disso muitos dos patriarcas alcançavam seu ofício por meio do suborno e o mantinham pela bajulação. 

Perderam a influência perante o povo, pois eram considerados lacaios dos sultões. Desde que todos os bispos estavam sob o domínio turco, sofreram, também, tanto no seu ofício e caráter como na influência que exerciam.



Declínio intelectual da igreja
Com a queda de Constantinopla muitos gregos cultos fugiram para a Europa ocidental e ali tomaram parte no Renascimento da Cultura. A emigração desses homens altamente instruídos enfraqueceu seriamente a vida intelectual da igreja oriental. 

O clero tornou-se ignorante e a pregação desapareceu dos púlpitos. Numa era quando a mentalidade dos homens no ocidente se levantou, pelo Renascimento, acontecia exatamente o oposto na igreja oriental.

Uma razão por que esta igreja não participou da Reforma foi que nunca experimentou o despertamento intelectual que o ocidente recebeu, a fim de preparar o caminho para o movimento reformador. 

Assim a vitória turca foi, em todos os sentidos, um golpe de morte contra a igreja oriental. É uma prova de poder do cristianismo o fato de que essa igreja ainda conseguiu sobreviver.

A Rússia e sua igreja
Logo após a queda do império oriental, levantou-se um novo império no norte, a Rússia. Nos séculos XV e XVI, reis poderosos tornaram a Rússia uma nação unificada. Desde a queda de Constantinopla a igreja russa foi se tornando independente. 

Nominalmente ainda era sujeita ao patriarca de Constantinopla, mas o bispo metropolitano de Moscou não foi mais escolhido pelo patriarca. 

Em virtude do estado de degradação da igreja, nos territórios da Turquia, e pelo aparecimento do poder da Rússia, a igreja desse país tornou-se a parte mais importante da igreja oriental.

Como prova deste fato viu-se o bispo metropolitano de Moscou elevado à categoria de patriarca, em 1.587. Durante o século seguinte a igreja russa revelou uma vida nova, especialmente ao tempo do famoso patriarca Nicônio. 

Ele promoveu um extraordinário desenvolvimento na educação e na vida moral do clero, como também despertou algum interesse pela pregação. Na doutrina, porém, não houve mudança; não se verificou qualquer progresso na direção de uma forma mais pura do cristianismo.

Quando o protestantismo invadiu a Rússia, vindo do oeste, foi terrivelmente perseguido e expulso. Também nem a religião, nem o clero, nem o povo puderam libertar-se da superstição dominante.



Os uniatas
Durante o período da Contra-Reforma, enquanto a igreja Católica Romana lutava por conquistar e reconquistar todos os povos, tentou também ganhar a Rússia. Foi bem sucedida em algumas regiões do sudoeste do país à custa de certas atitudes liberais. 

Tudo o que se pedia daqueles que vinham da igreja oriental para a Romana, era submissão ao papa. Foi-lhes permitido conservar sua forma de culto e costumes religiosos e até mesmo permissão para os membros do clero se casarem. 

Esses católicos eram chamados Uniatas. Entre os eslavos residentes nos Estados Unidos há muitos uniatas católicos romanos do rito grego, ou católicos gregos que obedecem ao papa.

Governo da Igreja nos séculos XVIII e XIX
No início do século XVIII, o czar Pedro, o Grande, deu à igreja a forma de governo que ela conservou até à revolução de 1917.

Em substituição ao patriarca, organizou o Santo Sínodo, que era um corpo de bispos e sacerdotes escolhidos pelo czar, presidido por um oficial leigo, chamado o "supremo procurador" que exercia a função de representante direto do czar. 

Essa igreja, era teoricamente controlada pelo procurador que representava e expressava a vontade do czar. Assim a igreja tornou-se completamente sujeita ao governo que era considerado o seu "guarda e protetor".

A igreja oriental tornou-se uma parte da máquina desse governo absoluto e opressor, razão por que sofreu os funestos resultados espirituais inevitáveis dessa escravidão.

Por Robert Hastings Nichols

ÍNDICE


A preparação para o Cristianismo

01 - A contribuição dos Romanos, Gregos e Judeus
02 - Como era o mundo no surgimento do cristianismo

A fundação e expansão da Igreja
03 - Jesus e sua Igreja
04 - A Igreja Apostólica Até o Ano 100

A Igreja antiga (100 - 313) 
05 - O mundo em que a Igreja vivia (100 - 313)
06 - Características da Igreja Antiga (100-313)

A Igreja antiga (313- 590) 
07 - O mundo em que a Igreja vivia (313 - 590)
08 - Características da Igreja Antiga (313-590)

A Igreja no início da Idade Média (590 - 1073) 
09 - O mundo em que a Igreja vivia (590-1073)
10 - Características da Igreja no início da Idade Média 
11 - O cristianismo em luta com o paganismo dentro da Igreja

A Igreja no apogeu da Idade Média (1073 - 1294) 
12 - A Igreja no Ocidente - O papado Medieval - Hildebrando
13a - Inocêncio III
13b - A Igreja Governa o Mundo Ocidental
14 - A guerra da Igreja contra o Islamismo - As cruzadas 
15 - As riquezas da Igreja
16 - A organização da Igreja
17 - A disciplina e a lei da Igreja Romana
18 - O culto da Igreja
19 - O lugar da Igreja na religião
20 - A vida de alguns líderes religiosos: Bernardo, Domingos e Francisco de Assis
21 - O que a Igreja Medieval fez pelo mundo
22 - A igreja Oriental

Decadência e renovação na Igreja Ocidental (1294 - 1517)

23 - Onde a Igreja Medieval falhou
24 - Movimentos de protesto: Cataristas, Valdeneses, Irmãos
25 - A queda do Papado
26 - Revolta dentro da igreja: João Wycliff e João Huss
27 - Tentativas de reforma dentro da Igreja
28 - A Renascença e a inquietude social como preparação para a Reforma

Revolução e reconstrução (1517 - 1648) 
29 - A Reforma Luterana
30 - Como Lutero se tornou reformador
31 - Os primeiros anos da Reforma Luterana
32 - Outros desdobramentos da Reforma Luterana
33 - A Reforma na Suíça - Zuínglio
34 - Calvino - líder da Reforma em Genebra
35 - A Reforma na França
36 - A Reforma nos Países Baixos
37 - A Reforma na Escócia, Alemanha e Hungria

O cristianismo na Europa (1648 - 1800)
43 - A França e a Igreja Católica Romana
44 - A Igreja Católica Romana e a Revolução Francesa
45 - O declínio religioso após a Reforma
46 - O Pietismo
46 - A Igreja Oriental
47 - A Regra Puritana
48 - Restauração
49 - Revolução
50 - Declínio Religioso no começo do século 18
51 - O Reavivamento do Século 18 e seus resultados
52 - Os Pactuantes (Covenanters)
53 - O Século 18 na Escócia
54 - O Presbiterianismo na Irlanda

O Século 19 na Europa
55 - O Catolicismo Romano
56 - O Protestantismo na Alemanha, França, Holanda, Suíça, Escandinávia e Hungria
57 - O Movimento Evangélico na Inglaterra
58 - O Movimento Liberal
59 - O Movimento Anglo-Católico
60 - As Igrejas Livres
61 - As Igrejas na Escócia: despertamento, descontentamento e cisão
62 - As missões e o cristianismo europeu

O Século 20 na Europa
63 - História Política até 1935
64 - O Catolicismo Romano
65 - O Protestantismo no Continente
66 - A Igreja da Inglaterra
67 - As Igrejas Livres 
68 - A Escócia
69 - A Igreja Ortodoxa Oriental
70 - Outros países orientais
71 - O Movimento Ecumênico

O cristianismo na América
72 - As primeiras tentativas
73 - As Treze Colônias
74 - Reconstrução e reavivamento após a Guerra da Independência
75 - O Século 19 até 1830
76 - 1830 - 1861
77 - 1861 - 1890
78 - 1890 - 1929
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