10 - Características da Igreja no início da Idade Média


2 – A IGREJA

[a] Sua extensão
Veremos neste período da vida da igreja muita coisa que nos entristece. Contudo verifica-se que o espírito de Cristo ainda operava, em virtude do esplêndido trabalho dos seus missionários.

Quando a Inglaterra foi conquistada pelos pagãos anglos e saxões, estes expulsaram para as regiões mais ocidentais da ilha muitos dos seus primitivos habitantes, os bretões, e com eles o cristianismo britânico que tinha sido ali implantado no III século. Mas esses mesmos conquistadores foram ganhos pelo cristianismo que lhes veio de duas fontes.

De Roma, o papa Gregório I enviou cerca de quarenta monges chefiados por Agostinho, prior de um mosteiro romano, como missionários à Inglaterra. Em 597 aportaram à foz do Tamisa. Naquele mesmo ano, Ethelberto, rei de Kent, foi batizado e seu reino tornou-se todo cristão.

Agostinho foi nomeado arcebispo da Inglaterra, com sede em Cantuária (Canterbury). Outros missionários romanos seguiram a esse primeiro grupo. Outro importante centro missionário estabeleceu-se em York, no norte da Inglaterra.

Todavia a maior parte da evangelização da Inglaterra foi realizada pelos monges escoceses que procederam de Iona e da Irlanda no início do século VII.

Em 635, estabeleceram um mosteiro que na realidade era um centro missionário, em Lindisfarne, ilha situada na costa de Yorkshire. Daí, saíram os monges por toda a Inglaterra. Eram amados e reverenciados pelo povo. Quando um deles viajava, era recebido com alegria qualquer lugar.

Os que os encontravam pelas estradas suplicavam sua benção e reuniam-se multidões nos lugares por eles visitados para ouvi-los, pois todos sabiam que nenhum outro motivo os impelia senão o interesse pelo bem espiritual do povo.

Pregavam, batizavam e visitavam os enfermos. Realmente foram esses monges escoceses que conquistaram o povo inglês para Cristo.

Desse modo, havia na Inglaterra duas formas de cristianismo, a romana e a escocesa. Elas diferiam apenas em alguns ritos religiosos.

A principal diferença todavia, era que os missionários romanos e seus conversos reconheciam e cumpriam as regras do papa; ao que os monges escoceses, cujo cristianismo não fora originário de Roma, não seguiam essas regras.

Depois de alguma controvérsia foi decidido, num sínodo em 664, especialmente por causa da influência do rei Oswin, que a Igreja inglesa obedecesse à autoridade romana.



A Igreja foi completamente reorganizada por Teodoro de Tarso, arcebispo de Cantuária, ao fim do mesmo século. Por esse tempo o Cristianismo já se tinha tornado a religião de quase toda a Inglaterra.

Os ingleses enviaram povos alguns dos seus mais nobres missionários. O maior deles e de todos os missionários deste período, foi Bonifácio (680-755). Nasceu em Devonshire, de pais ricos. Tornou-se famoso por sua cultura, eloquência e piedade.

Ainda moço sentiu-se chamado para evangelizar os germanos, não obstante os amigos preverem para ele outra notável carreira em sua terra. De lá saiu e conseguiu permissão do papa para trabalhar como missionário na Turíngia.

Ali trabalhou de maneira assombrosa, pregando, batizando fundando escolas e mosteiros, instituindo uma organização eclesiástica no sul da Alemanha, país que ele conquistou para o Cristianismo.

Como a maioria dos missionários medievais, deu combate tremendo ao culto pagão, provando que seus deuses nada eram.

Derrubou o carvalho sagrado de Odin em Geismar na presença de uma multidão aterrorizada de pagãos que tinham dado permissão para fazê-lo, julgando que o veriam cair morto ao cometer o sacrilégio.

Hábil, conseguiu auxiliares ingleses de ambos os sexos. Além do seu pesado encargo como arcebispo de Mainz e chefe da igreja germânica, o papa Zacarias o encarregou de reformar e organizar a igreja corrompida da França, objetivo que alcançou.

Bonifácio coroou sua obra, despojando-se de todos os seus altos ofícios, ao setenta e quatro anos e, como simples pregador, foi evangelizar os frísios, povo selvagem que habitava a foz do Reno.

Dois anos depois, um bando deles o assassinou. Foi ele quem tornou, em caráter duradouro, o sul da Alemanha uma terra cristianizada e é difícil encontrar homem que tenha feito mais para Cristo.

Enquanto os homens do norte assolavam as costas da Europa, a Igreja respondia enviando o Evangelho aos lares desses que eram o terror do mundo. O "Apóstolo do Norte" foi Ansgar (801-865), francês de família nobre, monge de Corbey. De há muito desejava ele pregar aos pagãos.

A oportunidade apareceu-lhe com o desejo de Luiz, o Pio, filho de Carlos Magno, de enviar, um missionário à Dinamarca. Depois de ali permanecer vários anos, atravessou para a Suécia com alguns companheiros, e lá iniciou o trabalho Evangélico. Foi depois sagrado bispo de Hamburgo com autoridade missionária sobre todo o norte.

Seus companheiros foram espalhados e sua diocese saqueada pelos piratas; mas restaurando suas forças, viu, afinal, o Cristianismo estabelecido na Suécia, embora que este só se tornasse forte no século XI.

A primeira das terras eslavas a ser evangelizada foi a Morávia no século IX, por dois grandes e notáveis irmãos, Constantino (Cirilo) e Metódio, gregos de Tessalônica. Considerando o que alcançaram entre outros povos eslavos, podem eles ser colocados na galeria dos mais nobres missionários cristãos.

Pouco depois, o Cristianismo foi imposto pela força, em respectivos governos, e às vezes, de modo bem cruel. Tal foi o caso da Noruega e da Polônia, não obstante haver no primeiro país trabalho missionário inglês.



Na Rússia, em grande parte, o Cristianismo entrou pela força. Ao fim do século X, Vladmir, chefe de um reino cuja capital era Kiev, por motivos políticos, introduziu o Cristianismo da Igreja Oriental.

A religião cristã já era de certo modo conhecida através do trabalho dos missionários do oriente. Dessa vez, porém, Vladimir exigia que to dos os seus súditos professassem o Cristianismo, sem embargo do que conhecessem a respeito.

Apegado ao seu velho paganismo o povo resistiu, sendo, afinal, compelido a submeter-se à vontade do soberano. Disso resultou a Igreja estabelecer-se em quase toda a parte. Muitos, especialmente os habitantes das aldeias do interior, permaneceram ocultando seu paganismo.

Muita coisa desse paganismo, de mistura com ideias errôneas a respeito do Cristianismo, permaneceu até os tempos modernos. A igreja russa esteve desde o princípio, sob a autoridade do patriarca de Constantinopla.

A organização mais poderosa do Cristianismo em sua propaganda neste período, e também da cultura, foi monasticismo.

Na Europa ocidental milhares de monges viviam nos mosteiros debaixo da disciplina beneditina. Os mosteiros tornaram-se lares coletivos de trabalho manual e intelectual, lugares onde se cultivavam a vida devocional o desapego às coisas do mundo.

Plantados no meio dos bárbaros, como estavam muitos desses mosteiros, eram eles verdadeiros centros de civilização.

Ministravam lições práticas de agricultura, trabalhos manuais e a arte de construção. Preservaram e multiplicaram os livros, promovendo a leitura e a escrita. Muita coisa da educação que tinha de ser ministrada era preparada nas suas escolas.

Eram também as únicas instituições de caridade da época, que cuidavam dos doentes e dos pobres. Muitos desses mosteiros eram verdadeiros centros missionários. Por vários séculos as missões se irradiaram desses centros monásticos.

Uma grande diferença, porém, entre as missões medievais e as que conhecemos, diferença que até hoje ainda perdura, muito influiu na vida da Igreja e no caráter dos seus membros.

Nas modernas missões protestantes geralmente, ninguém é recebido à comunhão da Igreja sem apresentar evidências da sua fé em Cristo.

Mas o método das missões medievais era, receber o povo tão depressa ele concordasse em ser batizado, sem se inquirir sobre as condições espirituais dos candidatos (1).

Desse modo grandes massas foram introduzidas na Igreja, apenas aceitavam seu ensino e disciplina. Depois, quando era possível, ministrava-se algum ensino superficial a essas massas.

Tal método tornou possível uma rápida expansão da Igreja que agrupara em seu seio multidões que apenas tinham vaga ideia do que fosse a vida cristã.



[b] A organização da Igreja
Sobre este assunto dois fatos são de capital importância neste período; o ulterior aparecimento do grande poder da igreja de Roma e do seu bispo; e a divisão da Igreja Católica em dois ramos, o do oriente e do ocidente.

1. Surgimento do Papado
No início desse período aparece um dos maiores papas, Gregório I, chamado o Grande. O fato de sua eleição ao papado (590) ter a data do início de um dos três grandes períodos em que história da Igreja é dividida prova a sua importância.

Gregório foi de caráter irrepreensível muito honrado por sua bondade e modo de vida, de uma austeridade muito severa.

Era dotado de grande coragem e energia, de extraordinária habilidade administrativa e tinha a sabedoria de um verdadeiro estadista, sempre mostrando muita simpatia pelas necessidades humanas e cheio de visão e de ideal pelo cristianismo.

Foi grande escritor de assuntos religiosos. Seus livros, embora não tivessem o cunho
de originalidade e erudição, tiveram muita influência no seu tempo. Demonstrou extraordinário interesse pela música e pelo ritual eclesiástico.

Valendo-se dos seus dons extraordinários, Gregório tirou o máximo partido da sua posição de bispo de Roma, constituindo-se patriarca do ocidente.

Defendeu e impôs constantemente a sua autoridade sobre esta grande parte da Igreja. Conseguiu que os mais fortes bispos metropolitanos reconhecessem a superioridade de Roma. Fez com que o culto seguisse o ritual romano.

Enviou missionários a muitas partes, como Agostinho à Inglaterra, os quais ensinavam obediência ao bispo de Roma, ao mesmo tempo em que propagavam o Cristianismo. Seria, porém, injustiça dizer-se que seu único objetivo foi aumentar o poder do seu próprio ofício.

Ele muito trabalhou para purificar e fortalecer a Igreja, cuidando dos pobres e enviando o cristianismo aos pagãos.

Mas ele acreditava sinceramente que a "sé apostólica é a cabeça de todas as igrejas", por isso em todos os seus atos trabalhou por enaltecer o poder do bispo de Roma.

Não obstante recusar ser chamado bispo universal, conseguiu o reconhecimento da sua autoridade além das fronteiras do patriarcado ocidental, marchando, assim, para o domínio universal. Desse modo Gregório fez mais do que qualquer outro, exceto Hildebrando, para tornar o papado o que veio a ser na Idade Média.

Apreciemos agora alguns dos fatores que nesse período contribuíram para o crescimento do bispo de Roma. Não havia na Europa ocidental nenhum outro governo civil bastante forte entre o ano 400 e o tempo de Carlos Magno (768-814), e mesmo depois de Carlos Magno, até aparecer Oto I.

Não houve por todo esse tempo qualquer governo que ministrasse a justiça e impusesse a ordem e a paz. Mas em Roma, a antiga sede do poder mundial, estava o bispo exercendo um ofício então julgado santo, visto crer-se ter sido primeiramente exercido por um apóstolo.

Esse poder de Roma pretendia o domínio mundial da Igreja, e tentava alcançar todo o mundo ocidental com a sua soberania.

E muitos dos bispos de Roma foram homens fortes e capazes de governar. Em toda a Europa ocidental, por muitos anos, o papa era o único representante de um governo permanente.

Nesta situação, o poder do papado inevitavelmente cresceu por todo o ocidente e, em menor grau, em outras partes da Igreja.

Além disso, alguns papas foram reconhecidos não somente como representantes da autoridade, mas igualmente da justiça; isto numa época quando muitos governantes não conheciam outra lei, exceto os seus próprios caprichos.

Durante o pontificado de Nicolau I, (858-867), Lotário, rei de Lorena, repudiou a esposa, substituindo-a por outra mulher e, não obstante, conseguiu a aprovação dos arcebispos subservientes do seu reino.



Tal situação, constituía, naturalmente, uma grave ameaça à moralidade. Mas o papa, depois de forte luta, compeliu o rei a receber a esposa e a despedir a rival. Nenhum outro governo no mundo teria realizado esse feito.

Mas a autoridade do chefe da Igreja, baseada no temor da excomunhão que, conforme se cria, significava a morte eterna, contribuiu para alcançar essa vitória.

O papa aparecia assim, encarnando um poder acima do dos reis, pois representava a lei moral. Tais circunstâncias fortaleceram cada vez mais o papado, que tanto podia ser uma força para o bem, como para o mal.

Outra coisa que muito fortaleceu o papado foi a situação de muitos papas como governadores civis de Roma. Esse governo civil é conhecido como o “poder temporal”. Durante a maior parte dos séculos V, VI, e VII não houve, em Roma, governo civil, digno do nome.

Muitas vezes, em épocas de calamidade, como de pestilência ou fome, perigo de invasão, motins ou desordens gerais, os bispos tiveram de assumir o governo da cidade.

Tal foi o caso de Gregório I. O povo de Roma o compeliu a aceitar o governo da cidade em virtude de a situação demandar um governo de mão forte, sábio e justo.

O povo estava convencido de que esse homem era Gregório. Desse modo o governador espiritual da cidade tornou-se igualmente o seu governador civil.

Durante esse período, Roma tornou-se praticamente independente, tendo os papas como seus soberanos. Além das cidades, os papas governavam extensos territórios na Itália, os quais lhes foram doados por Pepino, rei dos francos, pai de Carlos Magno (2).

Assim, os papas recebiam rendas dessas terras e mantinham um exército como os demais governos civis. Este poder temporal deu aos papas uma garantia e segurança de mando que jamais teriam conseguido por outro meio.

Outro fator fortalecimento do poder papal foram as famosas ficções ou falsificações conhecidas como "As Falsas Decretais".

Elas, (a mais engenhosa fraude jamais conhecida na história), constituíam uma coleção de decisões dos concílios eclesiásticos, decretos e cartas dos papas. Alguns destes documentos eram legítimos; a maioria, porém, era constituída de escritos falsos (3).

Pretendeu-se provar que tais documentos continham o relato dos feitos de todos os bispos de Roma, desde os tempos primitivos do cristianismo até o século VIII.

As Decretais apresentavam todos esses bispos como tendo exercido autoridade sobre toda a Igreja; e que essa autoridade teria sido sempre universalmente reconhecida.

Esses falsos documentos foram provavelmente forjados na França, na primeira metade do século IX. Parece terem sido escritos com o propósito de defenderem os bispos contra a interferência dos metropolitanos ou arcebispos e também de certos governos civis.

Tais documentos pois, apresentavam os papas como tendo exercido o governo sobre os bispos de toda a parte, o que revela a clara deliberação de engrandecer o papado. Foi assim que se manipulou o apoio histórico do poder papal.

Nicolau I foi o primeiro papa a fazer uso das famosas decretais para fortalecer o seu poder. Empregou-as para vencer os arcebispos que pretendiam tornar-se independentes do governo eclesiástico de Roma. Ainda hoje as decretais são reconhecidas como falsas.

Naqueles tempos difíceis e atrasados quando surgiram, não havia homens cultos e corajosos para as examinarem e denunciarem a fraude.



Depois de Nicolau fazer uso delas, foram as mesmas incorporadas às leis da Igreja Romana e se tornaram elemento poderoso para o incremento da autoridade papal.

As Missões também contribuíram em parte para o surgimento do poder de Roma. Quando os papas enviavam missionários, encarregavam-nos de tornar as terras conquistadas obedientes aos papas. Assim, cada conquista para o cristianismo era outra para o poder do papa.

Vimos como a Igreja na Inglaterra caiu sob a autoridade dos papas, pela atuação dos missionários romanos. Muito fez Bonifácio para estender a influência e domínio do papa na parte da Alemanha que conquistou ao paganismo, o que aconteceu também na Baviera e na França.

Por estranho que pareça, o avanço do Islamismo foi outra contribuição para o aumento do poder de Roma. Quando a Ásia ocidental e a África do norte caíram sob a dominação árabe, a Igreja foi terrivelmente enfraquecida no oriente.

Três dos cinco patriarcados (Alexandria, Jerusalém, Antioquia), caíram sob o domínio de uma religião que era inimiga mortal do cristianismo. Enquanto isso, a Igreja no ocidente crescia vantajosamente por meio das suas missões.

De modo que, a parte da Igreja que reconhecia a soberania do papa, cresceu em importância; enquanto a parte oriental, em que tal soberania não era reconhecida, tornou-se menor e mais enfraquecida.

2. A Separação do Oriente e do Ocidente
Os fatos que ocasionaram a divisão final da Igreja Católica nas igrejas do oriente e do ocidente foram tão triviais que não são dignos de menção.

Se quisermos descobrir as causas dessa divisão temos de examinar mais profundamente o assunto. Uma delas foi a diferença de raça.

No ocidente, a raça dominante era a latina que se tornara fortalecida pela fusão com os germanos. No oriente, dominavam os gregos que receberam grande infusão do sangue oriental.

Esta foi a diferença que facilmente se tornou a causa das incompreensões e falta de simpatia, fortalecendo ainda mais os outros fatores de separação.

Outra causa da divisão da Igreja foi o estabelecimento de dois governos no império, o do oriente e do ocidente.

O abismo existente entre as duas partes do império foi alargado quando desapareceu a linha dos imperadores ocidentais e ficaram somente os imperadores do oriente. O oeste ficou sem qualquer governo.

Os imperadores do oriente governaram a igreja como qualquer outra coisa dos seus domínios. Mas a Igreja do ocidente, chefiada pelo bispo de Roma, não podendo exercer seu domínio, rompeu, finalmente, com os imperadores do oriente quando o papa coroou Carlos Magno imperador romano.

Uma terceira causa de divisão foi a pretensão sempre crescente, do bispo de Roma, a qual nunca foi reconhecida pelo patriarca de Constantinopla.

Um concílio no oriente declarou o papa deposto do seu bispado. Isto foi feito por outro concílio dois anos mais tarde. Mas a contenda entre o Leste e o Oeste continuou em discussões amargas por causa de pequenas diferenças de doutrina e ritos, até 1054.

Então, depois de nova contenda entre o papa e o patriarca, o primeiro pronunciou um anátema contra o segundo e contra os que o apoiavam.



Este foi o rompimento final. Desde então, as igrejas grega e romana vivem separadas, cada qual pretendendo ser a verdadeira igreja Católica e recusando à outra qualquer reconhecimento.

A igreja grega ou do oriente compreendia a Grécia, a maior parte da península balcânica e a Rússia, inclusive grande parte dos cristãos da Ásia Menor, Síria e Palestina. O resto da Europa ficou, portanto, prestando obediência ao papa.

Daqui por diante daremos mais atenção, principalmente, à Igreja Romana ou do ocidente, pois esta exerceu muito maior influência na história do mundo, do que a igreja grega ou do oriente; e porque, com a primeira, a vida religiosa das Américas ainda hoje tem muito maior relação, do que com a oriental.

Não vamos, porém, julgar que a Igreja Romana era toda a igreja cristã. Além dela houve, ao lado da igreja grega, a Igreja Nestoriana e outras igrejas separadas, tanto na Ásia como no Egito.

(1) O que a Igreja Católica apresenta como conversão é coisa bem diferente da conversão evangélica, pelas seguintes razões: [1] Quando o missionário católico chega a um novo campo ele fala em igreja porque ele é a igreja visto representar a autoridade dela. O missionário protestante, ao contrário, só organizara uma igreja quando houver uma comunidade que esteja em condições espirituais adequadas para formar uma igreja evangélica. [2] O missionário católico, em vista do ensino de que o batismo salva, batiza os agregados, certo como está de que o sacramento os transformará. Jamais um missionário Protestante agirá assim. [3] Instruindo os conversos o protestante usa a palavra de Deus. Se os convertidos não sabem ler o missionário abre uma escola para os ensinar, a fim de que o crente possa alimentar sua piedade na fonte do ensino cristão - a Bíblia. O missionário católico não se esforça por ensinar as Escrituras. Os resultados desses dois métodos diferentes também têm de ser diversos. E a História o prova. – nota do tradutor.
(2) Esses territórios não pertenceram a Pepino visto como não tivera ele autoridade na Itália; não obstante, ele os doou. Os papas conservaram tais territórios que constituíram grande parte dos Estados Papais, sobre os quais os papas eram soberanos até 1870. O poder temporal reviveu sobre o pequeno território do Vaticano, em 1929, depois da Concordata com o governo de Mussolini.
(3) O caráter espúrio desses documentos é agora universalmente reconhecido até por sábios católicos romanos e por outros.

Por Robert Hastings Nichols

ÍNDICE

A preparação para o Cristianismo

01 - A contribuição dos Romanos, Gregos e Judeus
02 - Como era o mundo no surgimento do cristianismo

A fundação e expansão da Igreja
03 - Jesus e sua Igreja
04 - A Igreja Apostólica Até o Ano 100

A Igreja antiga (100 - 313) 
05 - O mundo em que a Igreja vivia (100 - 313)
06 - Características da Igreja Antiga (100-313)

A Igreja antiga (313- 590) 
07 - O mundo em que a Igreja vivia (313 - 590)
08 - Características da Igreja Antiga (313-590)

A Igreja no início da Idade Média (590 - 1073) 
09 - O mundo em que a Igreja vivia (590-1073)
10 - Características da Igreja no início da Idade Média 
11 - O cristianismo em luta com o paganismo dentro da Igreja

A Igreja no apogeu da Idade Média (1073 - 1294) 
12 - A Igreja no Ocidente - O papado Medieval - Hildebrando
13 - Inocêncio III
13 - A Igreja Governa o Mundo Ocidental
14 - A guerra da Igreja contra o Islamismo - As cruzadas 
15 - As riquezas da Igreja
16 - A organização da Igreja
17 - A disciplina e a lei da Igreja Romana
18 - O culto da Igreja
19 - O lugar da Igreja na religião
20 - A vida de alguns líderes religiosos: Bernardo, Domingos e Francisco de Assis
21 - O que a Igreja Medieval fez pelo mundo
22 - A igreja Oriental

Decadência e renovação na Igreja Ocidental (1294 - 1517)

23 - Onde a Igreja Medieval falhou
24 - Movimentos de protesto: Cataristas, Valdeneses, Irmãos
25 - A queda do Papado
26 - Revolta dentro da igreja: João Wycliff e João Huss
27 - Tentativas de reforma dentro da Igreja
28 - A Renascença e a inquietude social como preparação para a Reforma

Revolução e reconstrução (1517 - 1648) 
29 - A Reforma Luterana
30 - Como Lutero se tornou reformador
31 - Os primeiros anos da Reforma Luterana
32 - Outros desdobramentos da Reforma Luterana
33 - A Reforma na Suíça - Zuínglio
34 - Calvino - líder da Reforma em Genebra
35 - A Reforma na França
36 - A Reforma nos Países Baixos
37 - A Reforma na Escócia, Alemanha e Hungria
O cristianismo na Europa (1648 - 1800)
43 - A França e a Igreja Católica Romana
44 - A Igreja Católica Romana e a Revolução Francesa
45 - O declínio religioso após a Reforma
46 - O Pietismo
46 - A Igreja Oriental
47 - A Regra Puritana
48 - Restauração
49 - Revolução
50 - Declínio Religioso no começo do século 18
51 - O Reavivamento do Século 18 e seus resultados
52 - Os Pactuantes (Covenanters)
53 - O Século 18 na Escócia
54 - O Presbiterianismo na Irlanda

O Século 19 na Europa
55 - O Catolicismo Romano
56 - O Protestantismo na Alemanha, França, Holanda, Suíça, Escandinávia e Hungria
57 - O Movimento Evangélico na Inglaterra
58 - O Movimento Liberal
59 - O Movimento Anglo-Católico
60 - As Igrejas Livres
61 - As Igrejas na Escócia: despertamento, descontentamento e cisão
62 - As missões e o cristianismo europeu

O Século 20 na Europa
63 - História Política até 1935
64 - O Catolicismo Romano
65 - O Protestantismo no Continente
66 - A Igreja da Inglaterra
67 - As Igrejas Livres 
68 - A Escócia
69 - A Igreja Ortodoxa Oriental
70 - Outros países orientais
71 - O Movimento Ecumênico

O cristianismo na América
72 - As primeiras tentativas
73 - As Treze Colônias
74 - Reconstrução e reavivamento após a Guerra da Independência
75 - O Século 19 até 1830
76 - 1830 - 1861
77 - 1861 - 1890
78 - 1890 - 1929
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