09 - O mundo em que a Igreja vivia (590-1073 A.D)


1 – O MUNDO EM QUE A IGREJA VIVIA
Guerras, confusão, trevas e barbarismo prevaleceram na Europa ocidental durante o período que vamos estudar.

Uma das tribos germânicas mais rudes, os lombardos, apoderou-se do norte da Itália e dilatou-se para o centro do país. Os piratas escandinavos, os normandos e os dinamarqueses assaltavam as costas do Atlântico e do Mediterrâneo. 

Os normandos apoderaram-se de territórios na França e no sul da Itália e, em 1066, conquistaram a Inglaterra. Os francos aumentaram muito seus domínios no norte da França e no oeste da Alemanha.

Do oriente veio uma nova raça de fortes conquistadores, os árabes, inspirados por sua nova religião, o maometismo, numa arrancada invencível. 

Maomé foi, sem dúvida, um chefe religioso sincero. A religião que ensinou, tendo como objetivo principal o culto de um único Deus, era mais elevada que o politeísmo dantes existente na Arábia. Como líder da nova religião adotou a guerra como meio de a propagar.

Antes da sua morte (632), conquistou a Arábia e sua religião dominou todas as demais terras conquistadas. Os árabes, guerreiros e invencíveis pelos ensinos de Maomé, conseguiram um vasto império na Ásia ocidental.

Numa luta desesperada, os imperadores orientais os sustiveram na baía diante de Constantinopla. Mas os árabes conquistaram sem resistência o Egito, o norte da África e a Espanha. Sua corrida para o ocidente não foi interceptada até que encontraram um dos poderosos povos germânicos.

Em 732, perto de Tours, na França central, os francos, sob o comando de Carlos Martel, derrotaram os guerreiros de Islam, que tiveram de se retirar para a Espanha.

Comparando-se, por meio de um mapa, a distância de Tours a Constantinopla, vê-se o pouco que restava, no ocidente, para ser conquistado pelos árabes.

Só assim tem-se a idéia do perigo que correu o Cristianismo. Sustados em sua marcha, os árabes ainda mantiveram a Espanha e o resto das suas conquistas, ficando o Mediterrâneo sujeito ao seu domínio.

Durante esse período não surgiu na Europa ocidental nenhum poder capaz de impor a ordem e a paz e desenvolver a civilização. Desde a queda do poder ocidental no V século, nenhum governo o substituiu.

Os pequenos reinos que as tribos germânicas estenderam nas terras que conquistaram, nada fizeram por levantar estados fortes em caráter permanente. Os chefes desses reinos, foram, na maioria, déspotas violentos, incapazes de manter um governo justo e ordeiro.



Depois de muitos anos de anarquia surgiu, afinal, um dos grandes construtores de civilização: Carlos, rei dos francos, mais conhecido por Carlos Magno, cujo esplêndido reinado durou de 768 a 814.

Por suas conquistas militares, tornou-se chefe de um domínio que se estendia do rio Elba na Alemanha, até o Ebro, no norte da Espanha, tendo como limite ocidental as águas do Atlântico; e avançava na direção do oriente além de Viena, incluindo também grande parte do norte da Itália.

Seu governo sobre esse território foi realmente sábio e forte. Acendeu ele novas luzes nas trevas que as migrações bárbaras haviam espalhado por toda a Europa, tomou homens cultos sob seu patrocínio, promoveu a criação de escolas e construção de igrejas e mosteiros.

Como cristão, pôs seu poder em benefício do cristianismo. Mas alguma coisa do que fez neste sentido, como as guerras contra os saxões a fim de convertê-los resultou em grande mal.

Como chefe da Europa, Carlos não podia deixar de se relacionar com o papa, considerado o cabeça do cristianismo no ocidente. O caminho para essas relações foi aberto pelo pai de Carlos, Pepino, que em certa ocasião atendera a um apelo do papa a fim de expulsar inimigos que ameaçavam Roma.

Carlos Magno prestou muito auxílio aos papas. Em retribuição, o papa Leão III, no dia de Natal do ano 800, na cidade de Roma, coroou-o imperador. Este ato foi considerado como uma ressurreição do antigo império romano e Carlos Magno como sucessor dos imperadores romanos.

Na mente dos homens da Europa ficara viva a impressão do antigo império romano. Como resultado do contato de Carlos com a cidade de Roma, ele a considerou uma das suas capitais.

Ele e a maioria dos seus súditos, porém, eram germanos, de sorte que, embora chamado romano, seu império era realmente germânico. Os domínios de Carlos Magno foram divididos entre seus três netos e depois da divisão o império desapareceu.

Mas no século X, um grande rei germânico, Oto I, conquistou um domínio que incluía a Alemanha, a Suíça, o norte e o centro da Itália. Como prêmio por seus triunfos foi coroado imperador pelo papa, em Roma, em 962. Dessa vez, o poder de Carlos Magno foi em grande parte restaurado.



O império fundado por Oto foi chamado o Santo Império Romano e se tornou o principal poder político da Idade Média. Na realidade durou até 1806, embora tenha sido forte em alguns períodos depois do século XIII.

Como o de Carlos Magno, este foi igualmente chamado de romano, quando, na realidade, era germânico. Também foi chamado de "santo" por os homens da época julgarem ter o império caráter religioso.

Segundo a ideia geral da época o Reino de Deus tinha dois representantes no mundo: o império, para reger os negócios temporais; e a igreja, chefiada pelo papa, para reger os negócios espirituais.

Segundo essa teoria, tanto o império como a igreja abrangiam todos os homens, mas esse império jamais conseguiu domínio sobre toda a Europa ocidental.

Como se pensava, a sociedade humana possuía dois métodos de governo divinamente indicados. É evidente que a ideia de uma divisão de autoridade entre dois governos iguais não era viável, e que, ou a igreja, ou o império, deveria ser supremo. No próximo período veremos como isto se confirmou.

Durante todo esse tempo em que se verificaram profundas modificações no ocidente, o império no oriente manteve seu trono em Constantinopla.

Seus imperadores pretendiam ser os sucessores dos imperadores romanos e nunca reconheceram os governos germânicos do ocidente. Esse império ficou bastante reduzido pelas conquistas árabes, e perdeu muito do seu território, tanto na Ásia como na África.

Todavia, os imperadores do oriente por séculos se opuseram à maré do maometismo, evitando que a Europa fosse por ele assolada.

A esse império oriental o cristianismo deve a defesa do seu campo de ação, por muitos anos, contra o Islamismo.

Por Robert Hastings Nichols

ÍNDICE

A preparação para o Cristianismo

01 - A contribuição dos Romanos, Gregos e Judeus
02 - Como era o mundo no surgimento do cristianismo

A fundação e expansão da Igreja
03 - Jesus e sua Igreja
04 - A Igreja Apostólica Até o Ano 100

A Igreja antiga (100 - 313) 
05 - O mundo em que a Igreja vivia (100 - 313)
06 - Características da Igreja Antiga (100-313)

A Igreja antiga (313- 590) 
07 - O mundo em que a Igreja vivia (313 - 590)
08 - Características da Igreja Antiga (313-590)

A Igreja no início da Idade Média (590 - 1073) 
09 - O mundo em que a Igreja vivia (590-1073)
10 - Características da Igreja no início da Idade Média 
11 - O cristianismo em luta com o paganismo dentro da Igreja

A Igreja no apogeu da Idade Média (1073 - 1294) 
12 - A Igreja no Ocidente - O papado Medieval - Hildebrando
13 - Inocêncio III
13 - A Igreja Governa o Mundo Ocidental
14 - A guerra da Igreja contra o Islamismo - As cruzadas 
15 - As riquezas da Igreja
16 - A organização da Igreja
17 - A disciplina e a lei da Igreja Romana
18 - O culto da Igreja
19 - O lugar da Igreja na religião
20 - A vida de alguns líderes religiosos: Bernardo, Domingos e Francisco de Assis
21 - O que a Igreja Medieval fez pelo mundo
22 - A igreja Oriental

Decadência e renovação na Igreja Ocidental (1294 - 1517)

23 - Onde a Igreja Medieval falhou
24 - Movimentos de protesto: Cataristas, Valdeneses, Irmãos
25 - A queda do Papado
26 - Revolta dentro da igreja: João Wycliff e João Huss
27 - Tentativas de reforma dentro da Igreja
28 - A Renascença e a inquietude social como preparação para a Reforma

Revolução e reconstrução (1517 - 1648) 
29 - A Reforma Luterana
30 - Como Lutero se tornou reformador
31 - Os primeiros anos da Reforma Luterana
32 - Outros desdobramentos da Reforma Luterana
33 - A Reforma na Suíça - Zuínglio
34 - Calvino - líder da Reforma em Genebra
35 - A Reforma na França
36 - A Reforma nos Países Baixos
37 - A Reforma na Escócia, Alemanha e Hungria
O cristianismo na Europa (1648 - 1800)
43 - A França e a Igreja Católica Romana
44 - A Igreja Católica Romana e a Revolução Francesa
45 - O declínio religioso após a Reforma
46 - O Pietismo
46 - A Igreja Oriental
47 - A Regra Puritana
48 - Restauração
49 - Revolução
50 - Declínio Religioso no começo do século 18
51 - O Reavivamento do Século 18 e seus resultados
52 - Os Pactuantes (Covenanters)
53 - O Século 18 na Escócia
54 - O Presbiterianismo na Irlanda

O Século 19 na Europa
55 - O Catolicismo Romano
56 - O Protestantismo na Alemanha, França, Holanda, Suíça, Escandinávia e Hungria
57 - O Movimento Evangélico na Inglaterra
58 - O Movimento Liberal
59 - O Movimento Anglo-Católico
60 - As Igrejas Livres
61 - As Igrejas na Escócia: despertamento, descontentamento e cisão
62 - As missões e o cristianismo europeu

O Século 20 na Europa
63 - História Política até 1935
64 - O Catolicismo Romano
65 - O Protestantismo no Continente
66 - A Igreja da Inglaterra
67 - As Igrejas Livres 
68 - A Escócia
69 - A Igreja Ortodoxa Oriental
70 - Outros países orientais
71 - O Movimento Ecumênico

O cristianismo na América
72 - As primeiras tentativas
73 - As Treze Colônias
74 - Reconstrução e reavivamento após a Guerra da Independência
75 - O Século 19 até 1830
76 - 1830 - 1861
77 - 1861 - 1890
78 - 1890 - 1929
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