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Cerca de 1830, surgiram na vida nacional modificações que afetaram a vida religiosa nos seus mais importantes aspectos.

Entre 1830 e 1860 foi grande imigração europeia. Por este motivo e por causa do avanço para o Oeste, houve rápido desenvolvimento no vale do Mississipe.

Foram anexados novos Estados, cresceu a população. A vida foi organizada. A força política do Oeste surgiu ao tempo do presidente Jackson. A indústria desenvolveu-se extraordinariamente e novas estradas de rodagem, estradas de ferro e canais foram construídos.

A luta contra a escravatura intensificou-se, orientando-se para a crise que surgiu depois de 1850. Contatos mais aproximados com a Europa trouxeram novas ideias políticas, sociais e religiosas. Alguns pensamentos religiosos modernos surgiram mesmo, na América.

Tudo isto contribuiu para que este período fosse agitado, cheio de controvérsias e modificações, numa fermentação incansável de lutas dos mais variados aspectos.

Por esta época as igrejas protestantes levaram à execução uma vasta obra de Missões Nacionais. Surgiram novas igrejas e colégios evangélicos através de todo o vale do Mississipe, como também em outras regiões mais para o Oeste.



O lançamento dos alicerces cristãos da sociedade neste enorme território, com suas imensas possibilidades, em poucos anos, é uma das maiores realizações da história cristã.

As igrejas alcançaram aquela visão que Lyman Beecher expressou nestas palavras quando, em 1832, deixou sua posição da mais avançada liderança religiosa no Leste para ser o diretor do novo Seminário Lame, em Cincinnati: "Plantar o cristianismo no Oeste (americano) é uma tarefa tão grande quanto seria plantá-lo no Império Romano, porém com maior permanência e poder".

Um resultado religioso direto da imigração foi o crescimento extraordinário da Igreja Católica Romana.

Neste período ela multiplicou por dez o número dos seus membros, que subiu a mais de três milhões de pessoas e alcançou também uma poderosa influência correspondente. As igrejas luteranas aumentaram grandemente em número por causa da imigração alemã e escandinava.

Também durante esse tempo as controvérsias perturbaram a vida de muitas igrejas e provocaram divisão na igreja presbiteriana.

A obra conjunta de presbiterianos e congregacionalistas nas missões nacionais trouxe para a igreja presbiteriana muitos precedentes congregacionalistas da Nova Inglaterra.

Daí terem-se espalhado consideravelmente as ideias teológicas que divergiam dos antigos postulados presbiterianos. Surgiram dois partidos: o progressista e o conservador.

O primeiro, favorável às novas ideias e pronto para adaptar a sua organização às novas necessidades. O segundo ficou sustentando os antigos padrões tradicionais, tanto em doutrina como em governo.

Houve um rompimento em 1837. Duas igrejas, a da Escola Nova e a da Velha Escola, separados desde 1838, reuniram-se em 1869.

Na Igreja Episcopal Protestante, uma controvérsia entre a "Alta Igreja" e a "Igreja Baixa", que surgira a partir de 1810, tornou-se bastante aguda neste período. Não obstante, esta igreja alcançou algum progresso e tomou posição para se tornar uma das principais entre as igrejas americanas.

A escravidão, sendo um assunto quase obrigatório, teve de afetar o pensamento das igrejas, como de toda a gente. Cerca do ano 1800, as igrejas, tanto as do Norte como as do Sul se opunham à escravidão, Isto é, como opinião geral.

Foi quando uma modificação de caráter econômico provocou uma transformação. A invenção da máquina de fiar, que apareceu pouco antes de 1800 fez desenvolver enormemente a plantação de algodão, de sorte que no sul apareceu uma era de grande prosperidade.



A escravidão que era um meio de desenvolver a cultura do algodão tornou-se menos combatida e até mesmo defendida por muitos. As igrejas do Sul cessaram a sua oposição. No Norte, onde não havia escravidão, surgiu um sentimento anti-escravagista dentro das igrejas, embora não muito profundo ainda.

Em 1830, verificou-se outra mudança. O sul ficou determinado a manter e a estender a escravidão e as suas igrejas procuraram encontrar na Bíblia aprovação divina para, a escravatura.

No norte, a oposição cresceu e as igrejas começaram a tomar a liderança deste movimento, embora não fossem todas unânimes. O poderoso reavivamento de 1830-31, resultante do trabalho de Finney, ficou ao lado da propaganda abolicionista, fortalecendo-a.

A partir de 1840, as igrejas do Norte aumentaram sua convicção de que era um grande mal a escravidão e resolveram lutar por extingui-la. Os batistas e metodistas dividiram-se, tanto no Norte como no Sul (1844-45) e noutras regiões onde habitavam.

A Lei do Escravo Fugitivo de 1850, e o Ato Kansas-Nebraska, de 1854, conduziram o povo cristão do Norte a uma oposição muito forte contra a escravidão. A liderança das igrejas teve uma parte decisiva no propósito abolicionista do Norte.

As bebidas alcoólicas constituíram outra questão social, que as igrejas levantaram. No começo do século XIX, este mal dominava terrivelmente em todas as camadas sociais.

A partir de 1810, houve um despertamento da consciência cristã neste sentido. Depois de 1820, teve início o movimento que continuou muito forte por vinte anos.

Este foi um trabalho exclusivamente das igrejas, tanto dos ministros como dos membros. E foi muito mais forte após o reavivamento de 1830-31.

O objetivo desse movimento era acabar com todos os hábitos sociais que, praticamente, envolvessem o uso de bebidas alcoólicas e, assim, assegurar a abstinência individual; primeiro, de bebidas fortes; depois, de todas as bebidas que_ contivessem qualquer quantidade de álcool.

Resultado foi que a embriaguez foi materialmente reduzida, houve regeneração de costumes e a quase totalidade das igrejas americanas tomou uma posição definida sobre essa questão.

Após dez anos mais de grande prosperidade e intensa atividade comercial, veio, em 1857, uma queda econômica e tempos bastante difíceis.



Logo apareceram sinais de um despertamento religioso nas reuniões de oração, na cidade de Nova York, promovidas pelos leigos.

Aqui teve início um reavivamento que se estendeu de Boston até Omaha, e, no Sul, até Washington. Em toda a parte este movimento apareceu como em Nova York: nos cultos de oração dos leigos.

Foi um movimento espontâneo sem organização ou evangelistas notáveis; dependia mais das orações do que de pregações e foi profundo e frutífero no seu caráter e resultados. Centenas de milhares de pessoas convertidas neste movimento se filiaram às igrejas.

Os crentes leigos foram impulsionados ao serviço religioso como nunca na história da igreja. As igrejas foram assim fortalecidas para enfrentarem as duras provações da Guerra Civil.

Por Robert Hastings Nichols

ÍNDICE

A preparação para o Cristianismo
01 - A contribuição dos Romanos, Gregos e Judeus
02 - Como era o mundo no surgimento do cristianismo

A fundação e expansão da Igreja
03 - Jesus e sua Igreja
04 - A Igreja Apostólica Até o Ano 100

A Igreja antiga (100 - 313) 
05 - O mundo em que a Igreja vivia (100 - 313)
06 - Características da Igreja Antiga (100-313)

A Igreja antiga (313- 590) 
07 - O mundo em que a Igreja vivia (313 - 590)
08 - Características da Igreja Antiga (313-590)

A Igreja no início da Idade Média (590 - 1073) 
09 - O mundo em que a Igreja vivia (590-1073)
10 - Características da Igreja no início da Idade Média 
11 - O cristianismo em luta com o paganismo dentro da Igreja

A Igreja no apogeu da Idade Média (1073 - 1294) 
12 - A Igreja no Ocidente - O papado Medieval - Hildebrando
13a - Inocêncio III
13b - A Igreja Governa o Mundo Ocidental
14 - A guerra da Igreja contra o Islamismo - As cruzadas 
15 - As riquezas da Igreja
16 - A organização da Igreja
17 - A disciplina e a lei da Igreja Romana
18 - O culto da Igreja
19 - O lugar da Igreja na religião
20 - A vida de alguns líderes religiosos: Bernardo, Domingos e Francisco de Assis
21 - O que a Igreja Medieval fez pelo mundo
22 - A igreja Oriental

Decadência e renovação na Igreja Ocidental (1294 - 1517)

23 - Onde a Igreja Medieval falhou
24 - Movimentos de protesto: Cataristas, Valdeneses, Irmãos
25 - A queda do Papado
26 - Revolta dentro da igreja: João Wycliff e João Huss
27 - Tentativas de reforma dentro da Igreja
28 - A Renascença e a inquietude social como preparação para a Reforma

Revolução e reconstrução (1517 - 1648) 
29 - A Reforma Luterana
30 - Como Lutero se tornou reformador
31 - Os primeiros anos da Reforma Luterana
32 - Outros desdobramentos da Reforma Luterana
33 - A Reforma na Suíça - Zuínglio
34 - Calvino - líder da Reforma em Genebra
35 - A Reforma na França
36 - A Reforma nos Países Baixos
37 - A Reforma na Escócia, Alemanha e Hungria

O cristianismo na Europa (1648 - 1800)
43 - A França e a Igreja Católica Romana
44 - A Igreja Católica Romana e a Revolução Francesa
45 - O declínio religioso após a Reforma
46 - O Pietismo
46 - A Igreja Oriental
47 - A Regra Puritana
48 - Restauração
49 - Revolução
50 - Declínio Religioso no começo do século 18
51 - O Reavivamento do Século 18 e seus resultados
52 - Os Pactuantes (Covenanters)
53 - O Século 18 na Escócia
54 - O Presbiterianismo na Irlanda

O Século 19 na Europa
55 - O Catolicismo Romano
56 - O Protestantismo na Alemanha, França, Holanda, Suíça, Escandinávia e Hungria
57 - O Movimento Evangélico na Inglaterra
58 - O Movimento Liberal
59 - O Movimento Anglo-Católico
60 - As Igrejas Livres
61 - As Igrejas na Escócia: despertamento, descontentamento e cisão
62 - As missões e o cristianismo europeu

O Século 20 na Europa
63 - História Política até 1935
64 - O Catolicismo Romano
65 - O Protestantismo no Continente
66 - A Igreja da Inglaterra
67 - As Igrejas Livres 
68 - A Escócia
69 - A Igreja Ortodoxa Oriental
70 - Outros países orientais
71 - O Movimento Ecumênico

O cristianismo na América
72 - As primeiras tentativas
73 - As Treze Colônias
74 - Reconstrução e reavivamento após a Guerra da Independência
75 - O Século 19 até 1830
76 - 1830 - 1861
77 - 1861 - 1890
78 - 1890 - 1929


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