45 - O declínio religioso após a Reforma


II. O PROTESTANTISMO NA ALEMANHA

A – DECLÍNIO RELIGIOSO APÓS A REFORMA

A era das disputas teológicas
A história do protestantismo alemão durante os anos que seguiram à Reforma é desalentadora. A grande onda do reavivamento religioso que a obra de Lutero provocou, logo arrefeceu. Teve início uma era triste de inúteis disputas teológicas.

Mesmo antes da Paz de Augsburg (1555) os luteranos disputavam entre si sobre questões de doutrina. Além disso, havia entre luteranos e os teólogos reformados discussões doutrinárias que alargavam cada vez mais a brecha entre estes dois grupos do protestantismo.


Ortodoxia luterana
Um dos resultados destas disputas foi a elaboração, pelos luteranos, em 1577, de um longo credo chamado a Fórmula da Concórdia. 

Julgava-se que esta fosse a expressão final do credo luterano, definindo toda a matéria como deveria permanecer. 

Ela condenava o Calvinismo, especialmente a predestinação, perpetuando assim a separação dos grupos luterano e reformado.

Todavia definiu-se, afinal, em todos os assuntos discutidos entre os luteranos, conseguindo boa medida de harmonia entre eles mesmos. 

A Fórmula da Concórdia veio a ser considerada por eles uma expressão completa da verdade cristã, um credo tão perfeito que não podia ser melhorado. 

Foi esta a razão por que os ministros luteranos dedicaram suas vidas à exposição e defesa desse credo, em vez de procurarem fortalecer a vida espiritual do povo, induzindo-o ao serviço cristão.

Estavam mais interessados na defesa da ortodoxia de doutrina luterana do que nos resultados da verdade cristã nas vidas dos crentes.

Esta a razão do declínio religioso do luteranismo alemão ao fim do século XVI e início do XVII. O êxito da Contra-Reforma nos distritos luteranos foi devido, principalmente, a essa condição.

O enfraquecimento religioso e as contínuas disputas teológicas entre luteranos e calvinistas explicam o papel obscuro do protestantismo alemão nos primeiros anos da Guerra dos Trinta Anos.

A guerra não trouxe qualquer benefício; pelo contrário, produziu grave prejuízo espiritual, como resultado da ruína e do barbarismo que provocara.


Declínio religioso no século XVII
É assim que encontramos a vida religiosa do protestantismo alemão depois de 1648, terrivelmente enfraquecida. 

Esta situação era a mesma, tanto entre luteranos como entre os reformados. O ministério era pobre quanto à religião pessoal. A ortodoxia era considerada o característico mais importante de um ministro. 

Não se pensava fosse necessária uma profunda experiência cristã que produzisse cristãos zelosos, consagrados.

A pregação consistia naturalmente, em grande parte, de discussões teológicas e pouca ênfase era dada à necessidade de se procurar viver um cristianismo vitalizado, rico de experiências e de frutos. As igrejas eram frias, cheias de formalidades e inativas. 

Não havia ideia de missões cristãs, e na sua pátria o protestantismo estava longe de ser uma força agressiva e entusiástica, como veio a ser depois.

Por Robert Hastings Nichols

ÍNDICE

A preparação para o Cristianismo
01 - A contribuição dos Romanos, Gregos e Judeus
02 - Como era o mundo no surgimento do cristianismo

A fundação e expansão da Igreja
03 - Jesus e sua Igreja
04 - A Igreja Apostólica Até o Ano 100

A Igreja antiga (100 - 313) 
05 - O mundo em que a Igreja vivia (100 - 313)
06 - Características da Igreja Antiga (100-313)

A Igreja antiga (313- 590) 
07 - O mundo em que a Igreja vivia (313 - 590)
08 - Características da Igreja Antiga (313-590)

A Igreja no início da Idade Média (590 - 1073) 
09 - O mundo em que a Igreja vivia (590-1073)
10 - Características da Igreja no início da Idade Média 
11 - O cristianismo em luta com o paganismo dentro da Igreja

A Igreja no apogeu da Idade Média (1073 - 1294) 
12 - A Igreja no Ocidente - O papado Medieval - Hildebrando
13a - Inocêncio III
13b - A Igreja Governa o Mundo Ocidental
14 - A guerra da Igreja contra o Islamismo - As cruzadas 
15 - As riquezas da Igreja
16 - A organização da Igreja
17 - A disciplina e a lei da Igreja Romana
18 - O culto da Igreja
19 - O lugar da Igreja na religião
20 - A vida de alguns líderes religiosos: Bernardo, Domingos e Francisco de Assis
21 - O que a Igreja Medieval fez pelo mundo
22 - A igreja Oriental

Decadência e renovação na Igreja Ocidental (1294 - 1517)

23 - Onde a Igreja Medieval falhou
24 - Movimentos de protesto: Cataristas, Valdeneses, Irmãos
25 - A queda do Papado
26 - Revolta dentro da igreja: João Wycliff e João Huss
27 - Tentativas de reforma dentro da Igreja
28 - A Renascença e a inquietude social como preparação para a Reforma

Revolução e reconstrução (1517 - 1648) 
29 - A Reforma Luterana
30 - Como Lutero se tornou reformador
31 - Os primeiros anos da Reforma Luterana
32 - Outros desdobramentos da Reforma Luterana
33 - A Reforma na Suíça - Zuínglio
34 - Calvino - líder da Reforma em Genebra
35 - A Reforma na França
36 - A Reforma nos Países Baixos
37 - A Reforma na Escócia, Alemanha e Hungria

48 - Restauração
49 - Revolução
50 - Declínio Religioso no começo do século 18
51 - O Reavivamento do Século 18 e seus resultados
52 - Os Pactuantes (Covenanters)
53 - O Século 18 na Escócia
54 - O Presbiterianismo na Irlanda

O Século 19 na Europa
55 - O Catolicismo Romano
56 - O Protestantismo na Alemanha, França, Holanda, Suíça, Escandinávia e Hungria
57 - O Movimento Evangélico na Inglaterra
58 - O Movimento Liberal
59 - O Movimento Anglo-Católico
60 - As Igrejas Livres
61 - As Igrejas na Escócia: despertamento, descontentamento e cisão
62 - As missões e o cristianismo europeu

O Século 20 na Europa
63 - História Política até 1935
64 - O Catolicismo Romano
65 - O Protestantismo no Continente
66 - A Igreja da Inglaterra
67 - As Igrejas Livres 
68 - A Escócia
69 - A Igreja Ortodoxa Oriental
70 - Outros países orientais
71 - O Movimento Ecumênico

O cristianismo na América
72 - As primeiras tentativas
73 - As Treze Colônias
74 - Reconstrução e reavivamento após a Guerra da Independência
75 - O Século 19 até 1830
76 - 1830 - 1861
77 - 1861 - 1890
78 - 1890 - 1929
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