31 - Os primeiros anos da Reforma Luterana


C - OS PRIMEIROS ANOS DA REFORMA LUTERANA

Desenvolvimento do luteranismo
A partir de 1520, os ensinos reformados dominaram rapidamente a Alemanha. A maioria dos monges deixaram seus claustros para pregarem as boas nova do Novo Testamento. 

Muitos dos sacerdotes das paróquias tornaram-se luteranos, e em muitíssimos casos os seus paroquianos os seguiram. 

Um bom número de bispos tornou-se favorável às novas doutrinas. Quando não se encontravam clérigos para pregar, os leigos o faziam.

Os livros de Lutero tiveram enorme divulgação e influencia. Muitos humanistas dedicaram sua cultura defendendo esta nova e melhor forma de Cristianismo. 

Os ensinos reformados foram amplamente divulgados entre o povo por meio de um grande número de tratados. 

O povo das cidades livres, onde o trabalho tinha sido previamente preparado pelos "Irmãos" que pregaram a religião evangélica, disseminaram a Bíblia e divulgaram os ensinos de João Huss, deu especial e entusiástica recepção ao Evangelho bíblico do reformador.

O movimento luterano espalhou-se como um forte reavivamento espiritual. De fato, este movimento (como a Reforma protestante em toda a parte) foi, fundamentalmente, um reavivamento religioso. 

Lutero tinha em si próprio um tremendo poder de vida religiosa, e através dos seus ensinos, e contudo tão antigos quanto o cristianismo, produziu no seu povo uma nova vida religiosa.



A doutrina central da Reforma: o sacerdócio de todos os cristãos
Por sua grande doutrina bíblica do sacerdócio de todos os cristãos, Lutero libertou os homens do temor e, libertos do medo foram igualmente libertos do poder da igreja medieval e conduzidos a uma religião mais sincera e profunda. 

Cada indivíduo, ensinava ele, podia gozar comunhão com Deus, pela fé, sem a intervenção do sacerdócio da igreja.

O homem podia confessar seus pecados a Deus e dele receber o perdão. Para sua salvação o homem não necessitava dos ritos dos sacerdotes e, portanto, não lhes devia obediência nem temor. 

Cada um podia andar corretamente com o seu Deus, podia ser justificado por meio da fé, sem se submeter às exigências da igreja papal.

Cada homem podia entender as Escrituras pela iluminação da fé, e por elas conhecer a vontade de Deus independentemente dos ensinos dessa igreja. 

Os alemães se congregaram em torno dessa religião cristã de portas abertas, de consciência aberta e de Escrituras abertas.



A guerra dos camponeses
Enquanto assim avançava o luteranismo, o Papa não dormia. Os legados papais lutaram por organizar uma aliança dos príncipes que ainda estavam com a velha religião e isto no propósito de esmagar a Reforma. A guerra dos camponeses em 1525 auxiliou, inesperadamente, esses propósitos. 

Esta guerra foi o desfecho dos longos anos de descontentamento e revolta de que já falamos. Verificaram-se levantes em muitas localidades, e quase toda a Alemanha estava em confusão e desordem. 

Os pobres camponeses foram esmagados com mão de ferro, mas sua revolta surtiu bom efeito quanto à situação religiosa.

O espírito da Reforma era bem forte entre os camponeses. Por isso alguns dos príncipes concluíram que as novas idéias religiosas traziam em seu bojo a revolução e resolveram opor-se a essas idéias. Foi assim que resultou os governantes da Alemanha dividirem-se em dois campos antagônicos.

O partido da Reforma incluía muita gente além dos luteranos. Um outro movimento de revolta contra a Igreja surgiu na Suíça alemã, sob a liderança de Zuínglio. 

Este movimento espalhara-se pelo sul da Alemanha de modo que alguns príncipes das cidades livres estavam mais sob a influência de Zuínglio que sob a de Lutero.



Luteranos e zuinglianos na dieta de 1526
Na Dieta de 1526, dominaram os luteranos e os zuinglianos, e asseguraram uma decisão, pela qual cada governo podia decidir qual a religião dos seus domínios. 

Imediatamente alguns príncipes começaram a reorganizar as igrejas dos seus territórios, com o culto e pregação segundo o ensino da Reforma. 

O imperador não se opôs a isto porque ele estava, então, em guerra contra o papa e contra Francisco I. De sorte que, enquanto os inimigos da Reforma brigavam, esta ganhava terreno.

Os protestantes
Mas na Dieta de 1529, em Spira, os católicos romanos, como os chamaremos daqui por diante, eram mais poderosos, em virtude das disputas políticas que enfraqueceram os luteranos. A decisão dessa Dieta impedia qualquer propaganda da Reforma nos seus dois ramos: o luterano e o zuingliano. 

Contra isto os membros da Dieta que eram do partido da Reforma, organizaram um protesto formal, razão por que, daí por diante, os seguidores do cristianismo reformado são geralmente chamados de "Protestantes"(1).

Por Robert Hastings Nichols

ÍNDICE


A preparação para o Cristianismo

01 - A contribuição dos Romanos, Gregos e Judeus
02 - Como era o mundo no surgimento do cristianismo

A fundação e expansão da Igreja
03 - Jesus e sua Igreja
04 - A Igreja Apostólica Até o Ano 100

A Igreja antiga (100 - 313) 
05 - O mundo em que a Igreja vivia (100 - 313)
06 - Características da Igreja Antiga (100-313)

A Igreja antiga (313- 590) 
07 - O mundo em que a Igreja vivia (313 - 590)
08 - Características da Igreja Antiga (313-590)

A Igreja no início da Idade Média (590 - 1073) 
09 - O mundo em que a Igreja vivia (590-1073)
10 - Características da Igreja no início da Idade Média 
11 - O cristianismo em luta com o paganismo dentro da Igreja

A Igreja no apogeu da Idade Média (1073 - 1294) 
12 - A Igreja no Ocidente - O papado Medieval - Hildebrando
13a - Inocêncio III
13b - A Igreja Governa o Mundo Ocidental
14 - A guerra da Igreja contra o Islamismo - As cruzadas 
15 - As riquezas da Igreja
16 - A organização da Igreja
17 - A disciplina e a lei da Igreja Romana
18 - O culto da Igreja
19 - O lugar da Igreja na religião
20 - A vida de alguns líderes religiosos: Bernardo, Domingos e Francisco de Assis
21 - O que a Igreja Medieval fez pelo mundo
22 - A igreja Oriental

Decadência e renovação na Igreja Ocidental (1294 - 1517)

23 - Onde a Igreja Medieval falhou
24 - Movimentos de protesto: Cataristas, Valdeneses, Irmãos
25 - A queda do Papado
26 - Revolta dentro da igreja: João Wycliff e João Huss
27 - Tentativas de reforma dentro da Igreja
28 - A Renascença e a inquietude social como preparação para a Reforma

Revolução e reconstrução (1517 - 1648) 
29 - A Reforma Luterana
30 - Como Lutero se tornou reformador
31 - Os primeiros anos da Reforma Luterana
32 - Outros desdobramentos da Reforma Luterana
33 - A Reforma na Suíça - Zuínglio
34 - Calvino - líder da Reforma em Genebra
35 - A Reforma na França
36 - A Reforma nos Países Baixos
37 - A Reforma na Escócia, Alemanha e Hungria



O cristianismo na Europa (1648 - 1800)
43 - A França e a Igreja Católica Romana
44 - A Igreja Católica Romana e a Revolução Francesa
45 - O declínio religioso após a Reforma
46 - O Pietismo
46 - A Igreja Oriental
47 - A Regra Puritana
48 - Restauração
49 - Revolução
50 - Declínio Religioso no começo do século 18
51 - O Reavivamento do Século 18 e seus resultados
52 - Os Pactuantes (Covenanters)
53 - O Século 18 na Escócia
54 - O Presbiterianismo na Irlanda

O Século 19 na Europa
55 - O Catolicismo Romano
56 - O Protestantismo na Alemanha, França, Holanda, Suíça, Escandinávia e Hungria
57 - O Movimento Evangélico na Inglaterra
58 - O Movimento Liberal
59 - O Movimento Anglo-Católico
60 - As Igrejas Livres
61 - As Igrejas na Escócia: despertamento, descontentamento e cisão
62 - As missões e o cristianismo europeu

O Século 20 na Europa
63 - História Política até 1935
64 - O Catolicismo Romano
65 - O Protestantismo no Continente
66 - A Igreja da Inglaterra
67 - As Igrejas Livres 
68 - A Escócia
69 - A Igreja Ortodoxa Oriental
70 - Outros países orientais
71 - O Movimento Ecumênico

O cristianismo na América
72 - As primeiras tentativas
73 - As Treze Colônias
74 - Reconstrução e reavivamento após a Guerra da Independência
75 - O Século 19 até 1830
76 - 1830 - 1861
77 - 1861 - 1890
78 - 1890 - 1929
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