49 - Revolução


C - A REVOLUÇÃO
Os eventos dessa época mostraram todavia que a maioria do povo preferia que a igreja nacional permanecesse como ao tempo da reforma, em vez de seguir o sistema introduzido pelos puritanos. 

Isto não significava que o protestantismo inglês fosse assim duvidoso, e a prova se viu quando Tiago II, sucessor de Carlos II, tentou transformar a igreja nacional em Católica Romana.

A nação revoltou-se contra o seu propósito e contra a tirania com que tentou levá-lo a efeito. 

Os líderes de ambos os partidos políticos apelaram para Guilherme, Príncipe de Orange e Chefe de Estado da Holanda, cuja esposa, Maria, era filha do rei, para que viesse com um exército defender a liberdade na Inglaterra e o protestantismo. 

O país levantou-se para apoiá-lo quando o príncipe desembarcou. O rei da França fugiu e Guilherme e a esposa tornaram-se os soberanos da Inglaterra.

A revolução decidiu (1) que o poder pertencesse ao povo
Esta incruenta Revolução de 1689 decidiu a favor da Inglaterra várias questões da mais alta importância. Decidiu-se que o poder supremo pertencia ao povo, pois Guilherme e Maria tornaram-se soberanos por decisão do Parlamento, através do qual a vontade do povo foi expressa. 

Assim a prolongada luta contra os reis tiranos, pela liberdade do povo, luta em que os puritanos se distinguiram desde o reinado de Tiago I, terminou afinal com a vitória.

Aqui vemos a relação existente entre o protestantismo e a liberdade política. A doutrina do sacerdócio universal dos crentes, segundo a qual cada homem tem acesso a Deus, como um direito próprio alcançado por Cristo, contribui para que os homens conheçam e pleiteiem seus direitos políticos.

(2) Que a Inglaterra continuasse protestante
Em segundo lugar ficou firmado o caráter da Inglaterra como nação protestante. O parlamento declarou-o, modificando apenas o Juramento da Coroação de modo a poder o rei jurar lealdade à Religião Reformada, estabelecida segundo a Lei.

(3) Que houvesse liberdade de culto
Em terceiro lugar foi conseguida a liberdade de culto para os protestantes ortodoxos que discordavam da Igreja da Inglaterra. Pelo Ato de Tolerância de 1689, a Inglaterra, finalmente, abandonou a idéia de obrigar a todas as pessoas aceitarem uma só forma de religião. 

Daí em diante não somente a Igreja da Inglaterra, mas igualmente os não conformistas, como são algumas vezes chamadas as Igrejas Livres, tiveram direito de decidir da sua vida eclesiástica. Todavia foi negada, ainda desta vez, a liberdade de culto à Igreja Católica Romana.


A Alta e a Baixa Igreja
Durante o reinado de Guilherme e de Maria, surgiu na Igreja da Inglaterra uma cisão que foi de grande efeito na vida religiosa nacional e até mesmo na da América. Os dois grupos em que a Igreja se dividiu foram chamados de "Alta Igreja" e "Igreja Baixa". 

O motivo de separação foram questões de governo eclesiástico e de ministério. 

Os clérigos da Alta Igreja afirmavam que o governo da Igreja pelos bispos era divinamente ordenado, e que os bispos vinham em sucessão ininterrupta desde os apóstolos, e que o único ministério válido era o da ordenação pelas mãos de um bispo.

Daí, eles considerarem os não conformistas sem ministério regular e legítimo. Os da Igreja Baixa, embora aprovassem o governo eclesiástico por meio dos bispos, não sustentavam estes "altos" pontos de vista e muitos desejavam reconhecer o ministério dos não conformistas, ou das igrejas livres.

Por Robert Hastings Nichols

ÍNDICE


A preparação para o Cristianismo

01 - A contribuição dos Romanos, Gregos e Judeus
02 - Como era o mundo no surgimento do cristianismo

A fundação e expansão da Igreja
03 - Jesus e sua Igreja
04 - A Igreja Apostólica Até o Ano 100

A Igreja antiga (100 - 313) 
05 - O mundo em que a Igreja vivia (100 - 313)
06 - Características da Igreja Antiga (100-313)

A Igreja antiga (313- 590) 
07 - O mundo em que a Igreja vivia (313 - 590)
08 - Características da Igreja Antiga (313-590)

A Igreja no início da Idade Média (590 - 1073) 
09 - O mundo em que a Igreja vivia (590-1073)
10 - Características da Igreja no início da Idade Média 
11 - O cristianismo em luta com o paganismo dentro da Igreja

A Igreja no apogeu da Idade Média (1073 - 1294) 
12 - A Igreja no Ocidente - O papado Medieval - Hildebrando
13a - Inocêncio III
13b - A Igreja Governa o Mundo Ocidental
14 - A guerra da Igreja contra o Islamismo - As cruzadas 
15 - As riquezas da Igreja
16 - A organização da Igreja
17 - A disciplina e a lei da Igreja Romana
18 - O culto da Igreja
19 - O lugar da Igreja na religião
20 - A vida de alguns líderes religiosos: Bernardo, Domingos e Francisco de Assis
21 - O que a Igreja Medieval fez pelo mundo
22 - A igreja Oriental

Decadência e renovação na Igreja Ocidental (1294 - 1517)

23 - Onde a Igreja Medieval falhou
24 - Movimentos de protesto: Cataristas, Valdeneses, Irmãos
25 - A queda do Papado
26 - Revolta dentro da igreja: João Wycliff e João Huss
27 - Tentativas de reforma dentro da Igreja
28 - A Renascença e a inquietude social como preparação para a Reforma

Revolução e reconstrução (1517 - 1648) 
29 - A Reforma Luterana
30 - Como Lutero se tornou reformador
31 - Os primeiros anos da Reforma Luterana
32 - Outros desdobramentos da Reforma Luterana
33 - A Reforma na Suíça - Zuínglio
34 - Calvino - líder da Reforma em Genebra
35 - A Reforma na França
36 - A Reforma nos Países Baixos
37 - A Reforma na Escócia, Alemanha e Hungria

O cristianismo na Europa (1648 - 1800)
43 - A França e a Igreja Católica Romana
44 - A Igreja Católica Romana e a Revolução Francesa
45 - O declínio religioso após a Reforma
46 - O Pietismo
46 - A Igreja Oriental
47 - A Regra Puritana
48 - Restauração
49 - Revolução
50 - Declínio Religioso no começo do século 18
51 - O Reavivamento do Século 18 e seus resultados
52 - Os Pactuantes (Covenanters)
53 - O Século 18 na Escócia
54 - O Presbiterianismo na Irlanda

O Século 19 na Europa
55 - O Catolicismo Romano
56 - O Protestantismo na Alemanha, França, Holanda, Suíça, Escandinávia e Hungria
57 - O Movimento Evangélico na Inglaterra
58 - O Movimento Liberal
59 - O Movimento Anglo-Católico
60 - As Igrejas Livres
61 - As Igrejas na Escócia: despertamento, descontentamento e cisão
62 - As missões e o cristianismo europeu

O Século 20 na Europa
63 - História Política até 1935
64 - O Catolicismo Romano
65 - O Protestantismo no Continente
66 - A Igreja da Inglaterra
67 - As Igrejas Livres 
68 - A Escócia
69 - A Igreja Ortodoxa Oriental
70 - Outros países orientais
71 - O Movimento Ecumênico

O cristianismo na América
72 - As primeiras tentativas
73 - As Treze Colônias
74 - Reconstrução e reavivamento após a Guerra da Independência
75 - O Século 19 até 1830
76 - 1830 - 1861
77 - 1861 - 1890
78 - 1890 - 1929

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