25 - A queda do Papado

IV. A QUEDA DO PAPADO



A - BONIFÁCIO VIII

As ambições de Bonifácio
Vejamos agora os sinais evidentes do desastre que se aproxima dentro da corte do poder supremo da igreja, ou seja, no papado. 

Em 1294, depois de o papado ter sofrido alguma perda de influência durante os fracos pontificados de alguns papas, Bonifácio VIII subiu ao trono.

Possuía ele as idéias e o espírito de Hildebrando e Inocêncio III e julgava mesmo poder ultrapassá-los. Seu propósito era ser o governo supremo da Europa, tanto temporal como espiritual, isto é, queria ser imperador e papa.

Diz-se que durante as festas do jubileu dó ano 1300 fez questão de ser visto por milhares de peregrinos, sentado num trono, usando a coroa e espada de Constantino e exclamando: "Sou o César; sou o Imperador". É assim que a história o apresenta.

Quando, porém, tentou realizar as suas idéias, defrontou-se com dois reis poderosos: Eduardo I, da Inglaterra e Felipe, o Belo, de França. Fortes e garantidos pela unidade das suas respectivas nações, esses monarcas, conseguiram afastar o papa dos negócios internos dos seus respectivos países.

A disputa, que girava sobre o direito do rei, de cobrar impostos das propriedades da igreja, modificou-se, assumiu outro caráter. Era a igreja, ou a nação que devia governar o território nacional? Bonifácio protestou, lutou, mas teve de ceder.



Sua queda
Mais tarde envolveu-se em outra contenda com Felipe de França. Num verdadeiro estilo de Hildebrando ele afirmou a supremacia papal sobre todos os reis, excomungou a Felipe e ameaçou depô-lo do trono. 

A resposta de Felipe aos trovões do papa foi enviar uma força armada para prendê-lo. E, de fato, o papa foi preso em Anagni. Depois de três dias foi solto e voltou a Roma, morrendo pouco depois (1303), desgostoso ou louco em virtude da sua repentina e vergonhosa queda.

O papado medieval recebera uma ferida incurável. O poder que governara o mundo foi publicamente envergonhado e ninguém sequer levantou a mão para defendê-lo. E o que lhe deu o golpe foi a nova força política do nacionalismo. As nações estavam unidas e fortalecidas pelo sentimento nacionalista.

B - O CATIVEIRO BABILÓNICO
O papado estava agora sob o poder do rei da França. Isto foi publicamente declarado em 1309, pois o papa estabeleceu seu trono em Avinhão, no Reno, em território francês. Aqui, no seu "Cativeiro Babilônico", o papado permaneceu por sessenta e oito anos. 

Durante esse tempo ele perdeu o prestígio no pensamento e na consciência da Europa. O simples fato de mudar-se de Roma constituiu uma queda irreparável de autoridade. Até mesmo os mais ignorantes sentiram isto.

O domínio francês rebaixou o papado aos olhos de todos os povos. Grande perda da sua influência moral resultou da notória imoralidade da corte papal em que alguns dos papas foram os primeiros a dar os piores exemplos. 

Perda maior ainda resultou da avareza insaciável, da ambição desmedida desses papas do Avinhão. A Europa gemeu debaixo das contínuas extorsões e explorações de toda a sorte.



C - O GRANDE CISMA
Como se o Cativeiro não fosse bastante, surgiu o Grande Cisma no papado. Forçado pela exigência da opinião pública, provavelmente forçado ainda mais pela insistência daquela mulher extraordinária, Catarina de Sena, Gregório XI, em 1377, voltou a Roma.

Pouco depois da eleição de seu sucessor em 1378, um papa rival foi escolhido pelos cardeais franceses, e elevado à corte papal em Avinhão. 

Por mais de trinta anos houve dois papas, um, em Avinhão e outro em Roma. Algumas nações reconheciam o de Roma, outras, o de Avinhão. A contenda e a discórdia dominaram toda a igreja.

A situação era tão intolerável que os cardeais de ambos os papas convocaram um concílio geral para acabar com o Cisma, concílio esse que se reuniu em Pisa, em 1409, e escolheu um novo papa. Todavia desde que os dois já existentes se recusavam a resignar, ficaram os três papas.

Cinco anos depois convocou-se outro concílio geral em Constança, o qual depôs a dois deles e persuadiu o terceiro a resignar. O Cisma assim terminou com a eleição de Martinho V, que foi reconhecido por toda a igreja. 

Martinho e vários dos seus sucessores foram políticos astutos e bons administradores, razão por que recobraram para o papado algum respeito e autoridade. Mas o papado jamais voltou a ser o que fora dantes.

Por Robert Hastings Nichols

ÍNDICE


A preparação para o Cristianismo

01 - A contribuição dos Romanos, Gregos e Judeus
02 - Como era o mundo no surgimento do cristianismo

A fundação e expansão da Igreja
03 - Jesus e sua Igreja
04 - A Igreja Apostólica Até o Ano 100

A Igreja antiga (100 - 313) 
05 - O mundo em que a Igreja vivia (100 - 313)
06 - Características da Igreja Antiga (100-313)

A Igreja antiga (313- 590) 
07 - O mundo em que a Igreja vivia (313 - 590)
08 - Características da Igreja Antiga (313-590)

A Igreja no início da Idade Média (590 - 1073) 
09 - O mundo em que a Igreja vivia (590-1073)
10 - Características da Igreja no início da Idade Média 
11 - O cristianismo em luta com o paganismo dentro da Igreja

A Igreja no apogeu da Idade Média (1073 - 1294) 
12 - A Igreja no Ocidente - O papado Medieval - Hildebrando
13a - Inocêncio III
13b - A Igreja Governa o Mundo Ocidental
14 - A guerra da Igreja contra o Islamismo - As cruzadas 
15 - As riquezas da Igreja
16 - A organização da Igreja
17 - A disciplina e a lei da Igreja Romana
18 - O culto da Igreja
19 - O lugar da Igreja na religião
20 - A vida de alguns líderes religiosos: Bernardo, Domingos e Francisco de Assis
21 - O que a Igreja Medieval fez pelo mundo
22 - A igreja Oriental

Decadência e renovação na Igreja Ocidental (1294 - 1517)

23 - Onde a Igreja Medieval falhou
24 - Movimentos de protesto: Cataristas, Valdeneses, Irmãos
25 - A queda do Papado
26 - Revolta dentro da igreja: João Wycliff e João Huss
27 - Tentativas de reforma dentro da Igreja
28 - A Renascença e a inquietude social como preparação para a Reforma

Revolução e reconstrução (1517 - 1648) 
29 - A Reforma Luterana
30 - Como Lutero se tornou reformador
31 - Os primeiros anos da Reforma Luterana
32 - Outros desdobramentos da Reforma Luterana
33 - A Reforma na Suíça - Zuínglio
34 - Calvino - líder da Reforma em Genebra
35 - A Reforma na França
36 - A Reforma nos Países Baixos
37 - A Reforma na Escócia, Alemanha e Hungria



O cristianismo na Europa (1648 - 1800)
43 - A França e a Igreja Católica Romana
44 - A Igreja Católica Romana e a Revolução Francesa
45 - O declínio religioso após a Reforma
46 - O Pietismo
46 - A Igreja Oriental
47 - A Regra Puritana
48 - Restauração
49 - Revolução
50 - Declínio Religioso no começo do século 18
51 - O Reavivamento do Século 18 e seus resultados
52 - Os Pactuantes (Covenanters)
53 - O Século 18 na Escócia
54 - O Presbiterianismo na Irlanda

O Século 19 na Europa
55 - O Catolicismo Romano
56 - O Protestantismo na Alemanha, França, Holanda, Suíça, Escandinávia e Hungria
57 - O Movimento Evangélico na Inglaterra
58 - O Movimento Liberal
59 - O Movimento Anglo-Católico
60 - As Igrejas Livres
61 - As Igrejas na Escócia: despertamento, descontentamento e cisão
62 - As missões e o cristianismo europeu

O Século 20 na Europa
63 - História Política até 1935
64 - O Catolicismo Romano
65 - O Protestantismo no Continente
66 - A Igreja da Inglaterra
67 - As Igrejas Livres 
68 - A Escócia
69 - A Igreja Ortodoxa Oriental
70 - Outros países orientais
71 - O Movimento Ecumênico

O cristianismo na América
72 - As primeiras tentativas
73 - As Treze Colônias
74 - Reconstrução e reavivamento após a Guerra da Independência
75 - O Século 19 até 1830
76 - 1830 - 1861
77 - 1861 - 1890
78 - 1890 - 1929
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