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1 João: O amor ao próximo (12)


Este sermão pertence a uma série.

1 João 3.17-21

Na reflexão anterior, abordamos um importante assunto tratado por João – o amor ao próximo. Conforme vimos, o amor é uma ordem e quem não ama está morto espiritualmente e ao mesmo tempo, é um assassino. João faz essas considerações para alertar os cristãos da Ásia para não serem enganados pelos falsos mestres que desconsideravam a ordem de ajudar o próximo em suas necessidades. Nessa reflexão, daremos continuidade na abordagem de João sobre o amor ao próximo.


1. Amar é agir (vv.17,18). 
“Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade”.

A maioria dos cristãos da época era de classes sociais mais baixas. Eram viúvas, soldados, escravos, agricultores, pastores de ovelhas, criadores de porcos, pescadores, dentre outros. Por outro lado, nas igrejas existiam pessoas mais ricas. Eram da nobreza, oficiais do governo, mulheres de alta posição e comerciantes. 

Pobres e mais abastados estavam lado a lado na igreja. Em épocas de estiagem, a crise se tornava mais crítica. E os crentes em melhores condições, não poderiam “fechar o coração”. Isto é, não poderiam sufocar a compaixão pelo próximo. Para João, a compaixão, uma das formas de demonstração de amor, portanto, deve se manifestar através de atitudes e não somente de palavras (v.18).

O princípio aqui é bem claro. O amor não deve ser apenas professado, deve ser demonstrado. Deus provou seu amor enviando Cristo; Ele não apenas disse que amava, antes, Ele agiu. Essa lógica deve ser aplicada a nós. 

Podemos e devemos falar de amor, entretanto, nossas ações devem acompanhar nossas palavras. Lembremos que João “não está proibindo que usemos palavras para encorajar e confortar os irmãos, mas adverte que elas devem ser acompanhadas de ações concretas de compaixão” (Augustus Nicodemus).

O comentarista John Gill faz uma pertinente consideração. Assim ele escreve: “É legítimo e bom expressarmos nosso amor uns aos outros, e a todos, em palavras, empregar boas palavras e linguagem cortês, falando de maneira afetuosa, especialmente aos que estão aflitos; mas não devemos ficar somente nisso, pois de nada adiantará dizer aos necessitados, ‘ide e fartai-vos’ e não lhes darmos nada além de palavras”.

2. Amar traz benefícios (vv. 19-21). 
“E nisto conheceremos que somos da verdade, bem como, perante ele, tranqüilizaremos o nosso coração; pois, se o nosso coração nos acusar, certamente, Deus é maior do que o nosso coração e conhece todas as coisas. Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus”.

Nesses versículos João fala de dois benefícios que são resultados da prática do amor. O primeiro deles é a certeza da salvação. Esse princípio é transmitido pela declaração: “E nisto conheceremos que somos da verdade”. Ser da “verdade” quer dizer que está em Cristo. 

Logo, quem consegue amar de fato conclui que foi transformado pelo poder do Evangelho. Quem consegue expressar misericórdia, algo que não era possível antes, tem a certeza de que está nas mãos de Cristo. E quem está em Cristo, é nova criatura foi salvo.

O segundo benefício é a tranquilidade diante de Deus. João complementa: “tranquilizaremos o nosso coração”. Isso se relaciona com nossa consciência. Quando amamos de fato, não temos motivos para temer o juízo de Deus. 

Por outro lado, prossegue João no v. 20, se nossa consciência nos acusar que não temos praticado o amor, Deus é maior que nossa consciência e é capaz de ver ainda mais podridão do que nós mesmos. A consciência é uma ilustração do tribunal de Deus. Quando somos condenados no tribunal da nossa consciência isso mostra claramente que seremos condenados no tribunal de Deus.

As palavras de João mostram a relação entre fé e obediência. Ninguém pode presumir que está salvo se não existe amor em sua vida. Esses versículos nos ensinam que amar de fato e de verdade é o remédio para males tais como angústia, amargura e falta de coragem para se chegar diante de Deus. 

Portanto, cabem as perguntas: Amamos de fato e de verdade? Nossas obras tem demonstrado que somos cristãos? O amor de que tanto falamos se manifesta através de misericórdia para com os carentes?

Conclusão
O amor é o termômetro da vida que se leva com Deus. Amar é agir. Amar nos dá tranquilidade porque ele comprova que fomos transformados pelo Senhor e capacitados para o exercício do amor. O ato de amar retira de nós o peso da consciência. Que o Senhor atue no nosso coração e retire dele tudo o que nos impede de amarmos verdadeiramente.

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Carlos Eduardo Pereira de Souza  é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2012. Mestrado em Divindade com concentração no Novo Testamento pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper em 2013. Pós-graduando em docência do ensino superior, pela Universidade Paulista.

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