1 João: O testemunho de Deus sobre Jesus (19)



1 João 5.6-12

Como tem sido frequentemente mencionado nessa série de estudos, os gnósticos negavam tanto a encarnação quanto à divindade de Cristo. Esse ensino, certamente poderia confundir os cristãos da Ásia menor. 


Nessa seção, João rechaça o ensino destes homens com o testemunho de Deus acerca de Cristo. A seguir, refletiremos sobre alguns aspectos de tal testemunho e, finalmente, as implicações do ato de crer ou não no testemunho que Deus dá a respeito de seu Filho.

1. Esse testemunho é coerente (v. 6). 
Este é aquele que veio por meio de água e sangue, Jesus Cristo; não somente com água, mas também com a água e com o sangue. E o Espírito é o que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade. João fala de água e sangue. 

Estes dois elementos estão interligados. Ambos se relacionam a dois eventos históricos. A água diz respeito ao batismo de Jesus. No momento de seu batismo, o Senhor disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17). 

O sangue, diz respeito à morte de Cristo. Na cruz, ele derramou o seu sangue. Quando Ele morreu, Deus deu testemunho acerca de Cristo através de eventos sobrenaturais. veio grande escuridão, o véu do templo se rasgou, a terra tremeu e mortos saíram do sepulcro (Mt 27.45,51-53). 

Ao falar de água e sangue, João também tem como propósito combater o ensino de que Jesus não tinha um corpo real. Água e sangue somente poderiam sair de um corpo verdadeiro e não, de um aparente. 

Portanto, a coerência do testemunho está ligada a eventos históricos; a saber, o batismo e a morte de Cristo. Ambos foram testemunhados por muitas pessoas. Além disso, o testemunho é coerente no sentido de que somente de um corpo real poderia sair água e sangue. 

2. Esse testemunho é unânime (vv. 7,8). 
“Pois há três que dão testemunho no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra: o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes num só propósito”. 

O testemunho dado acerca de Cristo, não envolve apenas o Pai, mas a Trindade. Eles falam a mesma coisa a respeito de Cristo. O Pai deu testemunho a respeito do Filho em vários momentos; em seu nascimento virginal, no batismo, na transfiguração, por meio dos milagres, através da ressurreição. 

A Palavra refere-se a Cristo, o verbo encarnado que deu testemunho a respeito de si mesmo. Repetidas vezes no Evangelho de João ele usou a fórmula: Eu sou, uma alusão à revelação feita por Deus na sarça (Ex 3.14). Com isso, Cristo afirma ser divino. O Espírito deu testemunho de Cristo ao descer sobre ele no seu batismo (Lc 3.22) e por meio de milagres (Lc 4.18; At 10.38). 

Portanto, o testemunho da Trindade a respeito de Jesus é um só – Ele é homem e Deus. Não há divergência entre eles.

3. Esse testemunho é verdadeiro (v. 9). 
“Se admitimos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior; ora, este é o testemunho de Deus, que ele dá acerca do seu Filho”. Quando João usa as três pessoas da trindade para falar do testemunho a respeito de Jesus, ele tem em mente o costume antigo de que o testemunho de duas ou três pessoas é verdadeiro (Dt 17.6; 19.15; Mt 18.16). 

No entanto, por causa do pecado, esse testemunho pode ser falho. Diferentemente do testemunho do homem, o testemunho da Deus é maior, ou seja, é verdadeiro. Sendo assim, se aceitamos o testemunho de homens que são falhos, quanto mais devemos aceitar o testemunho que Deus dá a respeito de Jesus. 

4. As implicações sobre crer ou não neste testemunho (vv. 10 – 12).
“Aquele que crê no Filho de Deus tem, em si, o testemunho. Aquele que não dá crédito a Deus o faz mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus dá acerca do seu Filho. 

E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida”. João finaliza essa seção mostrando os efeitos práticos em crer ou não no testemunho tríplice a respeito de Cristo. 

Aquele que passa a crer no testemunho de Deus, a mensagem do Evangelho passa a fazer sentido. Ele tem em si o mesmo testemunho dado por Deus a respeito de seu Filho (v. 10). Ele passa a entender que Jesus se encarnou, morreu pelos nossos pecados e ressuscitou no terceiro dia. 

O que não crê no testemunho do Senhor, consiste chamar Deus de mentiroso. O que crê entende que a vida eterna somente é possível por meio da fé em Cristo Jesus e este é o testemunho de Deus (v. 11). 

Aquele que crê em Cristo tem em si a vida eterna, portanto, não está morto espiritualmente. Enfim, aquele que crê em Jesus, tem o Pai. Não existe possibilidade alguma de comunhão com Deus fora da pessoa de Jesus. 

Conclusão
O testemunho de Deus sobre seu Filho, Jesus é abrangente e eficaz. Ele é coerente, envolve a trindade, por isso é unânime e por isso, é verdadeiro. Quem não crer neste testemunho está morto, não tem comunhão com Deus já entrou em juízo. O único meio de escapar de tal juízo é crer em Cristo como Senhor, Salvador que morreu pelos nossos pecados para nos conceder perdão.


Mais sermões em 1 João
01 - A encarnação de Cristo - 1 João 1-4
07 - Os Anticristos - 1 João 2.18-26
08 - Permanência - 1 João 2.27-29
11 - O amor ao próximo (1) - 1 João 3.11-16
12 - O amor ao próximo (2) - 1 João 3.17-21
16 - A comunhão com Deus - 1 João 4.13-16
17 - O amor a Deus - 1 João 4.17-21
19 - O testemunho de Deus sobre Jesus - 1 João 5.6-12

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