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1 João: Porque eu não devo amar o mundo (6)


Este sermão pertence a uma série.

1 João 2.15-17

Nos versículos anteriores (vv. 12-14) João lembrou seus leitores sobre algumas certezas que os cristãos devem ter. Ele é perdoado e acolhido por Deus; está habilitado para falar do Evangelho e é vitorioso sobre Satanás. Diante disso, o cristão deve abandonar qualquer atitude de amor com o mundo. “Não ameis o mudo, nem as coisas que há no mundo” (v. 15). 


A expressão “mundo” significa a humanidade corrompida, perdida e se encontra em rebeldia contra Deus. Na carta, João descreveu mundo da seguinte maneira. O mundo não conhece a Deus (3.1). Ele odeia os que são de Deus (3.13). Ele é dominado pelo Diabo (5.19;4.4). Os falsos mestres procedem do mundo e o mundo os ouve (4.5-6). Sendo assim, nos vv. 16-17, João justifica os motivos pelos quais o cristão não pode amar o mundo. Vejamos:

1. Porque quem ama o mundo não ama o pai. 
“Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” (2.15.b). O “amor do Pai” aqui deve ser entendido como o amor que os filhos de Deus têm para com Ele. Sendo assim, João está dizendo: Se vocês amam o mundo, não amam a Deus. 

Quem não ama a Deus constitui-se em inimigo do Senhor. Tiago escreveu: “Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4.4). 

No coração do homem não há espaço para o mundo e para Deus. O estudioso Matthew Henry fez a seguinte afirmação: “O coração do homem é estreito e não pode conter ambos os amores. O amor ao mundo sufoca o amor do Pai; portanto, quanto mais ele prevalece, mais o amor de Deus definha e decai”. 

A partir disso, somos levados a pensar da seguinte maneira: Há uma música da década de 80 que dizia: “Mamãe eu acho que estou ligeiramente grávida”. Sabemos que isso não é possível. Da mesma forma que isso é inconcebível, também não é possível que o cristão seja ligeiramente piedoso ou ligeiramente mundano.

Na vida cristã não existe meio termo, não existe mais ou menos. Não há possibilidade de ficar sobre o muro. Não existe relativismo. O cristão foi chamado para viver em novidade de vida. O cristão foi capacitado para amar a Deus acima de todas as coisas. Nascemos de novo não para professarmos uma religião, mas para refletirmos a imagem de Deus. E para que isso ocorra é necessário pronta rejeição a todos os valores desse mundo. 

2. Porque o mundo é mau. 
“Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo” (v. 16).

Nesse versículo João mostra outro motivo pelo qual o cristão não pode amar o mundo. O mundo é mau. Ele descreve essa maldade por meio de três aspectos. 1º) Concupiscência da carne – Significa todos os desejos impuros, todos os pensamentos e palavras sem virtude, adultério, prostituição, a falta de moderação, falta de paciência, gula, inveja, discórdias, etc (Gl 5.19-21). 2º) 

Concupiscência dos olhos – Trata-se da vontade de contemplar aquilo que agrada aos olhos ainda que seja proibido. Um exemplo disso é Eva quando percebeu que o fruto era “agradável aos olhos” (Gn 3.6). 3º) Soberba da vida – Aqui, significa confiança nos bens materiais. Confiança nas riquezas é uma marca de um mundo sem Deus.

Enfim, não é possível para o cristão amar algo que é mau e que somente traz prejuízo àqueles que se entregam a ele. Diante disso devemos nos perguntar: O que tem mais me fascinado? O Evangelho ou o que o mundo tem oferecido? O que tem mais me atraído? Viver em novidade de vida ou conforme os costumes dessa sociedade? O que tem me dado mais prazer? A obediência a Deus ou a obediência aos meus mais terríveis desejos? 

É tempo de nos lembrarmos o que escreveu Paulo: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12. 2).

3. Porque o mundo passa. 
“Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente.” (v. 17 a). 

João finaliza o motivo pelo qual o mundo não pode ser amado pelo crente. Ele é transitório; ele está passando. O mundo e todas as suas paixões não somente têm data para se encerrar como ele está debaixo de juízo de Deus. Por outro lado, que foram transformados pelo poder de Deus e que por isso, desejam fazer a vontade de Deus e se esforçam para isso permanecerão para sempre. 

Essas palavras nos fazem lembrar de uma música chamada “Sorrisos” do grupo Vencedores por Cristo. Ela dizia: “Há sempre um ponto final em tudo o que não é real. Cedo ou tarde a fumaça se dissipará. E toda festa ficará sem brilho e o coração verá que está vazio e a existência perderá seu valor”. À luz da Bíblia essa música anuncia uma terrível verdade: Tudo o que o mundo oferece é ilusão, passageiro e temporário. Além disso, o mundo e seus amantes estão sujeitos ao juízo do Senhor.

Se depositarmos nossa esperança neste mundo, nos frustraremos. Se fundamentarmos nossa alegria nesse século, experimentaremos apenas ilusão. Se gastarmos horas com esse mundo, para dar um colorido especial para nossa vida, perderemos um tempo precioso. Somente Cristo pode nos satisfazer, dar sentido à nossa existência, esperança para o futuro e nos livrar do juízo. Ele é Senhor, é o libertador e é vida. Por isso ele declarou: “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10.10).

Conclusão
Por que eu não devo amar o mundo? A Bíblia responde: Porque quem ama o mundo, não ama a Deus; porque o mundo é mau; porque o mundo passa. Que o Senhor em sua graça nos capacite a amá-lo a qualquer preço. Que nosso Deus nos supra com forças para resistirmos a esse mundo perverso. Que sua palavra nos conduza a olhar apenas para Cristo e não para aquilo que tem enganado a muitos.

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Carlos Eduardo Pereira de Souza  é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2012. Mestrado em Divindade com concentração no Novo Testamento pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper em 2013. Pós-graduando em docência do ensino superior, pela Universidade Paulista.

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