1 João: O amor como evidência da verdadeira conversão (4)



1 João 2.7-11

O gnosticismo foi uma grande ameaça para a igreja já no primeiro século. O apóstolo João combateu ferrenhamente essa heresia. Uma das características desse movimento era a falta de amor para com o próximo. 


Conforme já foi exposto, essa filosofia acreditava que a matéria era má e o espírito era bom. Por causa disso, os adeptos desse pensamento não entendiam que o corpo humano devia ser socorrido em suas necessidades. Ele tinha que perecer por ser mau. Esse ensino contrariava a Escritura, portanto, nesses versículos João se propõe a combater esse erro.


1. O amor é princípio antigo (vv. 7-8).

“Amados, não vos escrevo mandamento novo, senão mandamento antigo, o qual, desde o princípio, tivestes. Esse mandamento antigo é a palavra que ouvistes. Todavia, vos escrevo novo mandamento, aquilo que é verdadeiro nele e em vós, porque as trevas se vão dissipando, e a verdadeira luz já brilha”.

João deixa claro nessa passagem que não está ensinando uma novidade. Eles já haviam ouvido o mandamento do amor quando haviam convertido. Além disso, o mandamento do amor é tão antigo quanto o Velho Testamento. Todavia João fala de novo mandamento no v.8. O que ele quer dizer com novo mandamento? 

Cristo intensificou o mandamento do amor. Ele ensinou: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt 5.44). Cristo não apenas ensinou, mas deu exemplo de seu amor, morrendo pelos seus. Assim ele disse: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (Jo 15.13). 

A vinda de Cristo ao mundo por amor aos seus é comparada por João como a luz da manhã que lentamente vai acabando com as trevas. Portanto, o que deveria ficar claro para os ouvintes de João era o seguinte princípio. O amor era mandamento antigo e Cristo foi a maior manifestação desse amor.

Certamente, o amor é a palavra mais bela e mais usada em poesias, músicas, livros, revistas, artigos, discursos, páginas da internet, redes sociais. É um princípio antigo, já ensinado no AT e por isso, é conhecido por tantas pessoas. 

O problema é que apesar do princípio ser bem conhecido, poucos sabem como expressar o verdadeiro amor. Amor não é sentimento, nem palavra; é atitude. Nunca é uma ação voltada para nós mesmos, antes, é voltada para os outros. Jesus mostra isso ao se encarnar para morrer pelos seus. 

Conforme nos ensina o apóstolo Paulo em 1 Cor 13, o amor mostra paciência, bondade, o amor não é possessivo, ou seja, não é ciumento. Uma pessoa que ama de fato, jamais se exibe para o outro para ser admirado. 

Quem ama, não é arrogante, não comete atos vergonhosos, não está preocupado apenas com os seus interesses. Quem ama não se irrita facilmente, não guarda rancor. Quem de fato ama, não se alegra com o que é injusto, pelo contrário sua alegria está apenas na verdade. Enfim, o amor tudo sofre, tudo espera, tudo suporta. 

Somente quem teve a vida transformada pelo evangelho tem condições de mostrar esse amor tal como foi ensinado e vivido por Jesus. Somente quem foi transformado por Cristo tem o desejo de imitá-lo em todas as coisas, principalmente na atitude de amar independentemente do que façam a ele. 

2. A verdadeira conversão é caracterizada pelo amor ao próximo (vv. 9-11)

“Aquele que diz estar na luz e odeia a seu irmão, até agora, está nas trevas. Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço. Aquele, porém, que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos”.

Os gnósticos afirmavam que estavam na luz e que tinham um conhecimento especial de Deus. João, no entanto, percebia um engano fatal – Diziam estar na luz, mas não davam importância para a necessidade do próximo. 

Sendo assim, não praticavam o amor. Quem não ama, odeia. Para João, odiar não significa matar, mas sim não auxiliar o próximo em suas necessidades. Os gnósticos não davam importância alguma às dificuldades do próximo. 

Por isso, ele é categórico. Quem diz que está na luz, mas não ajuda seu próximo, na verdade está nas trevas. E estar nas trevas, significa que não houve conversão. Por outro lado, quem ama de fato, mostra que conhece a Deus, porque Deus é amor – “Aquele que ama a seu irmão permanece na luz” (v. 10a)

Quem está na luz, não tropeça, ou seja, ele vê onde está indo e não vive tropeçando no pecado (v. 10b). Sendo assim, ele finaliza dizendo que quem odeia seu irmão nunca se converteu – ele está nas trevas (v.11).

Esses versículos são significativos e podemos pensar nas seguintes questões:

1. De vez em quando ouvimos a seguinte frase: “Não amo, mas também não odeio”. Contudo, aprendemos com João que nem sempre o ódio é aquele sentimento que nos leva a matar alguém, mas é aquele que se manifesta de diversas formas. E uma das formas mais comuns é a indiferença. 

Portanto, fique atento com a atitude de indiferença. Ser indiferente para com o próximo, para com as suas necessidades ou porque um dia ele te magoou é atitude de ódio. Cuidado com o ódio! Ele pode ser um indicativo de falta de conversão.

2. Os gnósticos diziam que conheciam a Deus, porém não se preocupavam com o próximo. Com isso aprendemos que de nada serve ter conhecimento da Bíblia se você não amar o seu próximo. De nada vale se você conhecer toda a doutrina e todo o sistema da igreja que você frequenta se não há amor pelo próximo. De nada serve ter a função de destaque na igreja se não houver amor sincero. 

Não há serventia alguma se alguém faz grandes realizações na igreja e fora dela, se não ama de fato. As palavras de Paulo a esse respeito são de grande relevância. Ele escreveu: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. 

Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (1 Co 13.1-3).

Lembrando que amor sincero é caracterizado por atitude e não por palavra. 

Conclusão. 
O amor é característica marcante de uma vida transformada por Cristo. Isso, porque o cristão foi transformado pelo amor de Deus que é ensinado desde o Antigo Testamento. No homem que é verdadeiramente transformado pelo evangelho é enxertado esse amor de Deus, que passa a ser compartilhado com os outros. Por isso, a conversão genuína é caracterizada pelo amor ao próximo. 

Que estejamos prontos para amar e que Deus nos encha cada vez mais com esse amor e que assim, possamos compartilhá-lo com nosso próximo.


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