1 João: A comunhão com Deus (16)



1 João 4.13-16

Nos versículos anteriores (7-12), João ensinou que os cristãos devem praticar o amor mútuo. E a grande referência para isso é o amor de Deus para com seu povo. Nos versos seguintes (13-16), o apóstolo fala da permanência mútua entre Deus e seus filhos.



O verbo “permanecer” ocupa lugar de grande importância no texto. Significa que Deus está no cristão e o cristão está em Deus. Isso não quer dizer que homem e Deus se tornam uma só pessoa, mas significa que Ele age constantemente na vida dos crentes.

Os falsos mestres questionavam isso e afirmavam que a permanência em Deus se dava através de um conhecimento secreto a partir de experiências místicas. Nessa passagem, João combate isso e deixa claro que a união entre Deus e os crentes é resultado da atuação do Pai do Filho e do Espírito. A seguir, veremos como João trata da questão.

1. É resultado da dádiva do Espírito.
“Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele, em nós: em que nos deu do seu Espírito” (v. 13).

O que João ensina aqui é que os cristãos verdadeiros já estão em Deus. Todo crente genuíno passou a ser morada do Espírito quando creu em Jesus.

A habitação do Espírito na vida do crente é evidenciada por três características básicas: 1ª. O testemunho que o Espirito dá a nós que somos filhos de Deus (Rm 8.16). 2ª. Por meio de sua iluminação para conhecermos a verdade (1 Co 2.10-14). 3ª. Pelo fruto que ele nos faz produzir como amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio (Gl 5.22,23).

Tal ensino têm importantes implicações na vida cristã em todas as eras. Vejamos algumas:

2.1. Para sermos habitação do Espírito não é necessária outra coisa, senão a fé em Cristo Jesus. Há correntes que falam que a habitação do Espírito é a segunda bênção. No entanto, a habitação do Espírito ocorre concomitantemente com a fé em Cristo. Paulo escreveu: “Em quem [Jesus] também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa ” (Ef 1.13).

2.2. A habitação do Espírito não é caracterizada por falar em outras línguas, ou fazer coisas extraordinárias, mas sim, pela obediência à palavra, pelo reconhecimento da sã doutrina e pela produção de bons frutos.            

2. É resultado da obra de Cristo.
“E nós temos visto e testemunhamos que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. Aquele que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele, em Deus” (vv.14,15).

João, nesses versículos fala de dois elementos fundamentais relacionados com a habitação de Deus no crente e do crente Nele. O primeiro elemento no v. 14 é a missão do Filho que é salvar o mundo (todos os eleitos procedentes de todas as línguas e nações). O segundo é a confissão pública acerca dessa missão.

Confessar aqui, não consiste em confessar da boca pra fora, mas sim, ser a expressão daquilo que está no coração (Rm 10.9). Além disso, significa confessar seu senhorio, sua encarnação e sua divindade. Ensinamentos que eram negados pelos gnósticos.

Portanto, o ensino de João aqui é que sabemos que Deus está em nós quando confessamos sinceramente Cristo como nosso Senhor e o confessamos da maneira correta – Ele se encarnou, é divino, é Senhor e o único por meio de quem podemos ser salvos.

Tais palavras tem importância fundamental na vida do homem. Vejamos:

1. Não há salvação a não ser por meio da fé no Cristo encarnado, no Senhor e salvador. Somente por meio de Cristo o homem pode chegar até Deus e assim, ser salvo: Em atos 4.12, nós lemos: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”.

2. Não basta crer, pois é necessário crer de forma correta (Tg 2.19). Qualquer ensino que desvencilhe Cristo do seu Senhorio, de sua divindade e de que Ele morreu por nossos pecados é a própria negação do pai. Portanto, para esses, ainda que mencionem o nome de Deus, não existe nenhuma comunhão com Ele. João já havia escrito: “Todo aquele que nega o Filho, esse não tem o Pai; aquele que confessa o Filho tem igualmente o Pai” (1 Jo 2.23).

3. Confessar que Cristo é o Senhor não é o suficiente, pois a confissão verdadeira é evidenciada por uma vida de obediência e santidade de vida.



3. É resultado do amor do Pai.
“E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele” (v.16).

Nesse versículo, João se refere ao amor de Deus como elemento para a comunhão entre o crente e o Senhor. O amor de Deus, conforme Jo 3.16 e 1 Jo 2.9 consiste no fato de Deus ter enviado Jesus como o salvador para libertar os eleitos por meio de seu sacrifício. Por isso, João afirma que Deus ama pelo fato de que Ele, em sua essência é amor. Sendo Deus amor, a implicação é lógica.

Quem permanece em Deus (se mantém firme na confissão e na obediência) permanece no ato de amar o próximo. Amar o próximo consiste na assistência às suas necessidades físicas e materiais. Sendo assim, a prática do amor é uma evidência da união com Deus e não aquela que é resultado de um tipo de conhecimento secreto através de experiências ensinado por aqueles falsos mestres.

Tais palavras são pertinentes nos dias de hoje, especialmente, pelo fato de que tantos têm defendido que as experiências e posses são provas da comunhão com Deus ao invés ensinarem que o ato de amar o próximo se constitui em uma das evidências da comunhão com Deus. Vejamos algumas implicações:

1. Não meça a intensidade de sua comunhão com Deus a partir de suas emoções (arrepios, prantos etc), mas também pelo amor que você dispensa ao seu próximo.

2. Não meça a intensidade de sua comunhão com Deus por meio de suas atividades religiosas (trabalhos na igreja, leitura bíblica e orações). Embora tais coisas sejam importantes e ordenadas na Bíblia, se apenas nos limitarmos a isso, nossa religião é vã (ou seja, não serve para nada). Tiago escreveu: “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações” (Tg 1.27).

3. Não meça a intensidade de sua comunhão com Deus por aquilo que Ele dá (bens, emprego, conforto, etc). Isso é fruto de Sua graça. Antes, a intensidade da sua comunhão com Deus é também medida pelo amor que você tem para com o seu próximo não alimentando amargura, desejo de vingança ou deixando de assisti-lo em suas necessidades.

Conclusão
A comunhão com Deus é necessária e vital ao ser humano. Sem ela, o homem está perdido, morto e condenado. João mostra que a comunhão com Deus não é produto de experiências, visões ou coisas do tipo.

Antes, é resultado da presença do Espírito, da obra de Cristo e do amor de Deus que nos habilita a amar o próximo. Se desejarmos comunhão intensa com Deus, a mesma somente pode ser obtida pela ação do Deus trino. Que Ele abra nossos olhos, ouvidos e nos capacite a ouvi-lo, obedecê-lo.


Mais sermões em 1 João
01 - A encarnação de Cristo - 1 João 1-4
07 - Os Anticristos - 1 João 2.18-26
08 - Permanência - 1 João 2.27-29
11 - O amor ao próximo (1) - 1 João 3.11-16
12 - O amor ao próximo (2) - 1 João 3.17-21
16 - A comunhão com Deus - 1 João 4.13-16
17 - O amor a Deus - 1 João 4.17-21

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