1 João: Por que devemos amar o próximo? (15)



1 João 4.7-12

Nos versículos anteriores, João alertou os cristãos da Ásia mostrando a eles a necessidade de julgar as mensagens que estavam sendo proclamadas pelos homens que possivelmente haviam saído das igrejas. 


Agora, com o objetivo de prosseguir em sua denúncia a respeito desses falsos mestres, o apóstolo retoma o teste do amor ao próximo. Algo que ele já havia feito (2.7-11; 3.11-24). Aqueles falsos mestres não davam importância à prática do amor ao próximo e por isso, João deixa claro que a obediência ao mandamento do amor é a evidência de quem verdadeiramente conhece a Deus. 

João ensina que o ato de amar deve ser contínuo na vida do cristão. Nos vv. 7-12, o apóstolo se dedica a explicar os motivos centrais pelos quais o cristão deve amar ao seu próximo. Vejamos.

1. Porque o amor procede de Deus (v. 7). 
“Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus”. 

João deixa claro que a origem do amor que temos para com o próximo vem de Deus. É Ele quem transforma nosso coração de sorte que consigamos a amar o próximo. Portanto, se fomos transformados pelo poder de Deus, devemos agir como pessoas que foram de fato transformadas amando o próximo.

2. Porque quem ama é nascido de Deus e o conhece (v.7). 
“Todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus”. 

Aqui, João mostra que o amor é evidência de quem nasceu para uma nova vida. O amor é evidência de que a pessoa está na luz (2.10), que procede de Deus (3.10), enfim, que passou da morte para vida (3.14). De modo que se alguém diz conhecer a Deus, no entanto não ama o seu próximo, esse conhecimento é uma mentira.

Se nascemos de novo para uma nova vida, que a prática do amor comprove nossa nova identidade – a de filho de Deus, de nova criatura para viver em novidade de vida (Rm 6.4).

3. Porque Deus é amor (v.8) 
“Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor”. 

Neste ponto João justifica a afirmação de que quem não ama, não conhece a Deus – Deus é amor de modo que quem o conhece de fato, ama o seu próximo. João ensina que Deus não é apenas a fonte de todo amor, mas que ele é amor na totalidade de seu ser.

A implicação disso é um lógica usada pelo próprio João. Deus é luz (1.5) e quem tem comunhão com ele não está nas trevas. Deus é justo e quem é dele, pratica a justiça (2.29; 3.7). Sendo Deus amor, aquele que o conhece de fato, ama o próximo.

4. E seu amor ficou evidente em Cristo (v.9). 
“Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele”. 

O verbo “manifestar” significa que Deus revelou plenamente algo que estava até então oculto. Deus amou Abraão, amou Israel o resgatando do Egito, o livrando das opressões, porém é em Cristo que o amor de Deus foi plenamente manifestado. A intensidade de tal amor fica mais evidente pelo fato de Cristo ser descrito como o Filho Unigênito. Ser Unigênito quer dizer que Jesus é o único que reproduzir a natureza e o caráter de Deus. Somente por meio de Cristo é possível que homem viva de fato.

Da mesma forma que Deus comprovou seu amor nós por meio de Cristo, que comprovemos o amor de Deus pelo próximo por meio do exercício do amor.

5. Porque Deus nos amou (vv.10,11). 
“Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros”. 

João ensina que Deus provou o seu amor por nós enviando Cristo para satisfazer a ira que Ele tinha contra nós por conta de nossos pecados. Segundo o apóstolo, Ele não nos amou porque merecíamos. Pelo contrário mesmo sendo nós merecedores de sua ira, ainda assim, nos amou.

Sendo assim, pelo fato de que os cristãos foram alvos do amor de Deus, também devem amar o próximo. Lembremos-nos das palavras de Paulo: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei” (Rm 13.8). Isso quer dizer que ninguém pode dizer que já amou tudo o que tinha que amar. O amor é uma dívida constante do cristão.

6. Porque fica evidente que Ele está em nós (v. 12). 
“Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado”. 

Esse versículo lembra Paulo que afirma que somos santuário do Espírito Santo (1 Cor 6.19). João aqui, no entanto, deixa claro que ninguém viu a Deus. Ele é o Deus invisível (1 Tm 1.17) e que habita na luz inacessível (1 Tm 6.16). Porém a evidência de que esse Deus invisível está em nós é por meio da prática do amor ao próximo.

Sendo assim, o teste para saber se Deus habita em nós, é a capacidade de amar nosso próximo apesar daquilo que ele, eventualmente, fizer contra nós.

Conclusão 
João demonstra que o amor ao próximo é fundamental na vida do cristão. Ele mostra os porquês devemos amar uns aos outros. Porque o amor procede de Deus, porque quem ama, conhece de fato a Deus e é nascido Dele, porque Deus é amor e esse amor ficou claro através de Jesus mesmo sem merecermos tal amor. Enfim, é amando que mostramos que Deus de fato habita em nós.

Diante de tais palavras, que Deus retire do nosso coração a amargura, o ódio, a falta de perdão, o orgulho e tudo aquilo que impeça que nossa identidade de filhos de Deus seja apresentada neste mundo.


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