1 João: A intercessão e a perdição (20)




1 João 5.13-19

Que tipo de oração pode ser atendida? Um herege pode ser salvo? O crente pode perder a salvação?



O apóstolo João esclarece essas questões em sua carta, cujo objetivo é combater os ensinos dos gnósticos que na ocasião estavam confundindo os cristãos da Ásia menor.

De maneira bem objetiva e desafiadora, João aborda as questões levantadas e a forma como ele faz isso, certamente nos leva a uma séria reflexão sobre nossas orações e sobre nossa salvação. 

1. A oração que é atendida (vv. 13-15). 
“Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus. E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito”.

Antes de João falar da oração, ele mostra um de seus objetivos ao escrever para aqueles cristãos. Isto é, os verdadeiros crentes já possuem a vida eterna. Não é algo que ainda ocorrerá, mas já é uma realidade para os cristãos (v. 13). 

Os cristãos são filhos de Deus, portanto, têm acesso ao Senhor. Por isso, suas orações são atendidas (v.14). Mas que orações são essas? Aquelas que são segundo a vontade de Deus. Sendo assim, conclui João, da mesma forma como temos a certeza de que Deus ouve nossa oração, também teremos certeza que Ele há de conceder o objeto de nossa petição quando ele expressar a vontade do Senhor.

A pergunta então é: Quais orações expressam a vontade de Deus?

Vejamos alguns exemplos:

1ª Para ser repleto (ou morada) do Espírito. Jesus ensina isso quando diz: “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” (Lc 11.13)

2ª. Para ter sabedoria. Tiago afirma: “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera (não joga na cara); e ser-lhe-á concedida” (Tg 1.5)

3ª. Para se santificar. Implicitamente, esse pedido pode ser visto na declaração de Paulo: “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade (Fp 2.13)”. Deus é aquele que produz o desejo de santificação e certamente, responderá o clamor por aquilo que Ele plantou em nós. 

2. A oração que é negada. (vv. 16). 
“Se alguém vir a seu irmão cometer pecado não para morte, pedirá, e Deus lhe dará vida, aos que não pecam para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que rogue”. 

João ensina a necessidade de interceder por um irmão que pecou para que se arrependa. Contudo, no mesmo versículo, ele mostra que há orações que não serão atendidas por Deus. Que tipo de oração é essa?

Nesse texto João dá um exemplo de oração que não se enquadra na vontade de Deus – são aquelas em favor dos que pecaram para a morte. Que tipo de pecado é esse?

À luz do contexto é a apostasia (o afastamento da são doutrina). É um pecado voluntário e consciente como diz Calvino. O afastamento voluntário da doutrina do evangelho é a rejeição do próprio Cristo. É um pecado semelhante à blasfêmia contra o Espírito Santo que não há perdão. 

João não foi o único que falou sobre isso. Ao lermos hebreus, o autor fala do mesmo problema sobre o pecado da apostasia. Esse pecado é o mesmo que calcar (pisar, esmagar) aos pés do Filho de Deus, profanar o sangue da aliança e ultrajar (insultou) o Espírito da graça (Hb 10.29).

 A respeito dessas pessoas, o autor declara:

“É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia (desonra pública)” (Hb 6.4-6).

Diante disso, há duas questões para refletirmos:

1ª João não está proibindo a intercessão, somente está desaconselhando. Jeremias já havia experimentado isso. Deus deu a seguinte ordem: “Tu, pois, não intercedas por este povo, nem levantes por ele clamor ou oração, nem me importunes, porque eu não te ouvirei” (Je 7.16). Ali, Deus estava determinado em punir a apostasia daquele de Israel.

2ª. Mas essa pessoa não pode se arrepender? A resposta é simples: Quem está nessa condição de cegueira absoluta, não irá se arrepender. João Calvino escreve:

“Tal pessoas foram entregues a um estado mental reprovável, estão destituídas do Espírito Santo, e não podem fazer outra coisa senão, com suas mentes obstinadas, tornarem-se piores e piores, acrescentando mais pecado ao seu pecado”.


3. A proteção do mal (vv. 17-19). 
“Toda injustiça é pecado, e há pecado não para morte. Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca. Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno”. 

Diante do que João falou, seus leitores poderiam ficar aterrorizados. Por isso, ele passa a fazer algumas considerações sobre os verdadeiros crentes. O cristão genuíno é o que nasce de Deus, portanto ele “não peca” (v. 18a).

O que João quer dizer aqui é que o cristão genuíno não se afasta do evangelho. Ele preserva si de pecar (v. 18b). O Diabo não pode tocá-lo, isto é, Satanás não pode se assenhorar do cristão e leva-lo a cometer um pecado mortal (v. 18c).

O cristão pertence a Deus (v.19) o que contrasta com o mundo que jaz do maligno. Ou seja, como diz John Stott, o mundo está adormecido e deitado nos braços de Satanás enquanto é conduzido para a perdição. O cristão, contudo, embora esteja no mundo, é guardado pelo poder de Deus.

Aprendemos aqui lições preciosas:

1ª Estamos seguros nas mãos de Deus. Jesus declarou: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão”(Jo 10.27,28).

2ª. Deus nos deu para Cristo. Essa é outra razão de nossa segurança. Jesus ensinou “E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.39). John Macarthur disse que a razão da nossa segurança reside no fato de que nós estamos atrelados à manifestação do amor de Deus pelo seu Filho, Jesus. Sendo assim, Deus não daria e depois tomaria o que deu para Cristo, a saber, os eleitos.

Conclusão 
É importante que entendamos que Deus responderá àquelas orações que se harmonizam com Sua vontade. Por outro lado, há aquelas orações que não serão atendidas. Nesse caso, isso se aplica aqueles que se apostataram da fé, que, consequentemente, já estão perdidos. O cristão verdadeiro é preservado dessa situação, portanto sua salvação está garantida. Que em tais ensinos fique claro que Deus é soberano. A ele nossa adoração, louvor e reverência.


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