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1 João: A descrição dos filhos de Deus (10)


Este sermão pertence a uma série.

1 João 3. 7-10

Uma característica marcante nessa carta é que João demonstra as características que identificam os filhos de Deus. Isso tem a função de teste para desmascarar os falsos mestres que tinham aparência de cristãos e que espalhavam doutrinas que comprometiam a pureza doutrinária da igreja. Nessa seção, o apóstolo divide a humanidade em dois blocos.



Os que são filhos de Deus e os que são filhos do diabo. Ambos os grupos se revelam pelas suas obras. Nesses versículos João se propõe a informar algumas descrições dos filhos de Deus que contrastam com as dos filhos do diabo. São elas:

1. Os filhos de Deus são imitadores do Senhor (v.7,8). “Filhinhos, não vos deixeis enganar por ninguém; aquele que pratica a justiça é justo, assim como ele é justo. Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo”. 

Na época dessa carta, havia falsos mestres que afirmavam que a salvação era mediante um conhecimento secreto. Além disso, esses falsos mestres afirmavam que a vida moral não fazia nenhuma diferença para Deus e chegavam ao ponto de negar a existência do pecado. Os leitores de João são exortados para não serem enganados por essas pessoas. 

O apóstolo estabelece um contraste marcante entre os filhos de Deus e os filhos do Diabo. Quem vive na prática do pecado procede do Diabo. O Diabo peca tão somente porque é sua natureza. Ele peca desde o princípio, logo, as pessoas que pecam como se isso fosse uma coisa natural, são como o Diabo, sendo assim, são como seus filhos. Por outro lado, os filhos de Deus o imitam. Eles são guiados pela verdade e pelo Espírito Santo, e, embora caiam em tentações, isso não é rotina na vida do crente.

Com isso, devemos refletir da seguinte forma: Quem tem sido nosso referencial de vida? Tem sido o Senhor Jesus ou nós mesmos? Não nos enganemos quando seguimos nossos impulsos, seguimos o caminho do pecado. Isso porque, somos naturalmente maus e inclinados a desobedecer ao Senhor. 

Atenção: Quando alguém segue apenas aos seus impulsos pecaminosos, ele tão somente está imitando a Satanás visto que o ato de pecar para o Diabo é algo natural – faz parte de sua essência. Seguir os impulsos pode ser um indicativo de quem é o verdadeiro pai. 

2. Os filhos de Deus herdam a natureza do Pai (v.9). “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus”.

João, nesse versículo justifica porque o filho de Deus não vive na prática do pecado. Primeiramente, porque ele é nascido de Deus conforme 1 Jo 2. 29. Em segundo lugar, porque como nascido de Deus, o filho herda a natureza do Senhor. João deixa claro isso através das seguintes palavras: “o que permanece nele é a divina semente”. A palavra semente no grego é “sperma”, a raíz da palavra espermatozoide. 

Quando uma criança é concebida, as características de seu pai são transmitidas através do sêmen. Logo, aqueles que foram gerados pelo Pai herdam suas características santas. É por isso que o cristão verdadeiro não mais tolera o pecado e se entristece quando o comete. É por isso que o autêntico filho de Deus vive na luta pra não obedecer as suas inclinações. Porque ele herdou do Senhor a repulsa pelo pecado. 

A partir disso, temos que constantemente nos perguntar com quem nós temos parecido. Para isso, temos que avaliar as nossas ações. Elas têm revelado que temos semelhança com Cristo? Não há possibilidade de ser uma coisa e produzir outra. Ninguém pode ser filho de Deus, mas agir como se fosse filho do Diabo. Tiago escreveu: “Acaso, meus irmãos, pode a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Tampouco fonte de água salgada pode dar água doce” (Tg 3.12).

3. Os filhos de Deus amam aos seus irmãos (v.10). Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão.

João, finalmente, retoma um assunto que ele já havia colocado anteriormente (1 Jo 2.7-11) e que será exposto nos próximos versículos - a prática do amor. De fato, o amor é o resumo dos mandamentos. Paulo escreveu: “Pois estes mandamentos: “Não adulterarás”, “Não matarás”, “Não furtarás”, “Não cobiçarás”, e qualquer outro mandamento, todos se resumem neste preceito: “Ame o sei próximo como a si mesmo”. O amor não pratica o mal contra o próximo. Portanto, o amor é cumprimento da Lei” (Rm 13.9-10)”. 

Diante disso, temos que nos perguntar se nosso amor tem sido sincero ou se temos apenas falado de amor. O amor não é sentimento, antes, amor é atitude. Quem ama, faz! Que ama, cuida! Quem ama, também diz não, tal como um pai diz não para algo que seu filho deseja, mas que lhe pode ser prejudicial. Não discursemos sobre o amor, amemos de fato.

Conclusão
O verdadeiro filho de Deus tem descrições muito claras na Escritura. João nos fornece algumas delas: Os filhos de Deus são imitadores do Senhor, herdam a natureza do Pai, e amam aos seus irmãos (v.10). Que reflitamos em tais princípios e que sejamos não meros religiosos, pelo contrário, que sejamos autênticos filhos de Deus e que essa condição seja demonstrada por meio de nossos frutos.

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Carlos Eduardo Pereira de Souza  é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Formou-se em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em 2003 e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2012. Mestrado em Divindade com concentração no Novo Testamento pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper em 2013. Pós-graduando em docência do ensino superior, pela Universidade Paulista.

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