1 João: Os Anticristos (7)



1 João 2.18-26

Nos versículos anteriores, João não havia atacado diretamente aos falsos mestres que punham em risco as igrejas da Ásia. Na presente passagem, o apóstolo passa a atacar aqueles homens com o objetivo de denunciá-los e expor seus erros. 

Mas, quem eram os anticristos? O termo grego diz respeito a todos os que se opõem ou tomam o lugar de Cristo. No contexto da carta, eram os falsos mestres que espalhavam o ensino de que Jesus não havia se manifestado em carne – ele se parecia com homem. 

São essas pessoas que João ataca e nesse ataque, ele dá importantes orientações a respeito da atividade dos anticristos. Vejamos:

1. O tempo das manifestações dos anticristos (vv. 18,19). 

“Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a última hora. Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos”.

O tempo para as manifestações dos anticristos estava muito claro na mente de João – Era “a última hora” (vv.18). É o período inaugurado quando Jesus se manifestou. Uma das características desse tempo é a apostasia.

Na época de João, os falsos mestres eram pastores e mestres que seguiram o gnosticismo e saíram das igrejas e tentavam convencer outras pessoas a seguirem seus ensinos. Por isso ele escreve: “Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco”. 

Em suma, o período dos “últimos tempos” ou “última hora” é caracterizado pelo abandono da sã doutrina e pela negação do Evangelho. Essa era a época vivenciada pelos leitores de João. 

O que essa advertência nos ensina?

Não pensemos que os últimos dias ainda vão chegar. Eles já são uma realidade e isso é caracterizado pelas várias mentiras que têm sido ensinadas em nome de Deus: Jesus advertiu: “Surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos” (Mt 24.24). 

Paulo já vivendo isso escreveu: 

“Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência”. (1 Tm 4.1-2).

Portanto, não fique na expectativa de que isso ainda ocorrerá. Já tem sido uma realidade desde os tempos dos apóstolos. Portanto, cuidado com o que você ouve, cuidado com o que você lê, cuidado com que você assiste. O ensino dos falsos cristos está nos livros, no rádio, na televisão e na internet. Sendo assim, sigamos o conselho de Paulo: “Acautelai-vos dos cães! Acautelai-vos dos maus obreiros!” (Fp 3.2)

2. O conteúdo do ensino dos anticristos (vv. 20,23). 

“E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento. Não vos escrevi porque não saibais a verdade; antes, porque a sabeis, e porque mentira alguma jamais procede da verdade. Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho. Todo aquele que nega o Filho, esse não tem o Pai; aquele que confessa o Filho tem igualmente o Pai”.

A primeira coisa que João deixa claro é que nem todos os cristãos eram seduzidos pelos falsos mestres. Eles possuíam unção e por isso tinham conhecimento da verdade. Isso quer dizer que eles tinham o Espírito Santo que os guiava na verdade (Jo 16.13). 

No que diz respeito ao conteúdo do ensino dos falsos mestres, João deixa claro que era a mentira que eles ensinavam. Que mentira era essa? Eles negavam que Cristo era homem. 

Segundo eles, Jesus se parecia com um homem. Isso contrariava o ensino da Escritura de anuncia que Jesus viria na forma humana (Is 53). Portanto, dizer que Jesus tinha apenas a aparência de um homem era uma mentira. Quem nega que o Filho veio como homem, não tem o Pai e nega o próprio Deus. Quem assim procede é um anticristo (v. 22b). Ele nega tanto a Jesus quanto a Deus. 

Qual é a relevância dessas palavras para os dias de hoje? A mensagem dos gnósticos poderia até ser bela na sua aparência. Eles falavam que a carne é má; da libertação do mal. Mas, para isso era necessário entregar o corpo às paixões para ser destruído. 

Porque a carne era má, Cristo não poderia ter vindo como homem, senão seria aprisionado num corpo de pecado. Estavam “preocupados” com a divindade de Cristo. Apesar da bela aparência, era uma mentira e todos que ouvissem e pregassem tais ensinos colocariam suas almas e dos outros em risco. 

Da mesma forma, devemos ter cuidado hoje, visto que muitos ensinos são belos em sua aparência, contudo, são mentiras, logo não provém do Senhor. Ensinos tais como as mensagem de auto-ajuda, a ênfase na sentença “Deus é amor”. 

Por causa da compreensão equivocada dessa frase, assim como os gnósticos, muitos tem estimulado os cristãos à uma vida de pecado, esquecendo que Deus também é juiz. Ensinos que enfatizam apenas o fato de que Deus vê o interior, tem levado muitos a se portarem irreverentemente no templo. Portanto, sigamos a orientação de Cristo: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (Mt 7.15).

3. O antídoto contra o ensino dos anticristos (vv. 24-26). 

“Permaneça em vós o que ouvistes desde o princípio. Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também permanecereis vós no Filho e no Pai. E esta é a promessa que ele mesmo nos fez, a vida eterna. Isto que vos acabo de escrever é acerca dos que vos procuram enganar”.

Finalmente João informa o meio para se livrar do ensino dos falsos mestres. Eles deveriam permanecer naquilo que haviam aprendido. Deveriam guardar a doutrina apostólica. Conforme o v. 24, permanecer na doutrina significa comunhão com Cristo, com o Pai. 

Permanecer na doutrina significa conversão sincera, significa que se desfruta da vida eterna (v. 25). João deixa claro isso para que aquelas pessoas não fossem enganadas por aqueles homens (v. 26). 

Sendo assim, em que sentido essas palavras podem e devem ser aplicadas em nossos dias? Três são os conselhos à luz do que aprendemos com João. São eles:

1º) Permaneça firme na sã doutrina – “Mantém o padrão das sãs palavras que de mim ouviste com fé e com o amor que está em Cristo Jesus” (2 Tm 1.13). Não abra mão da doutrina evangélica em que foi ensinada para seguir o que parece uma inovação. Em outras palavras, não abra mão do ensino de que todo homem é pecador e que ele somente pode ser salvo pela graça através da fé em Cristo Jesus. Não abra mão de que a Bíblia é instrumento final de revelação de Deus, portanto, não há mais novas revelações. 

2º) Permaneça firme na Escritura – Paulo escreve: “Tu, porém permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado” (2 Tm 3.14,15). Em outras palavras, não abandone a Escritura para seguir o é novo e desconhecido, ainda que seja atraente. 

3ª) Cuidado com o uso da Bíblia - Quando Paulo escreveu aos tessalonicenses, homens usavam parte de suas palavras para disseminar ensinos errados. Fazer uso da Escritura como pretexto para heresias já era uma prática na época dos apóstolos. Portanto, tenha cuidado com o que você ouve ainda que a Bíblia seja usada como fundamento. Nem sempre o uso da Escritura significa que o ensino seja bíblico. Na dúvida, pergunte.

Conclusão
Os anticristos não são um terrorismo criado pela igreja, nem são pessoas que aparecerão no futuro. Em João, aprendemos que eles estão em atividade desde o tempo dos apóstolos, que seus ensinos são mentiras, e que o único meio de não ser contaminado por eles, é mantendo-se firmes na Escritura. 

Que o Senhor abra os nossos olhos para enxergarmos isso, que nos dê maturidade para que consigamos discernir o que é falso do que é verdadeiro, e que sua palavra habite ricamente em nós para não sermos seduzidos por aquilo que é mau.


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