Texto básico: 2 Crônicas 36:1-12
Neste estudo veremos, de relance, o declínio e a queda de Judá, que ocorreram durante os governos de Jeoacaz, Jeoaquim e Zedequias, os últimos reis que, com seu procedimento, apressaram a derrocada final do reino.
A) JEOACAZ E JEOAQUIM
1. A submissão ao Egito
O reinado de Jeoacaz durou apenas três meses. O Faraó Neco, rei do Egito, o depôs e mandou prendê-lo em Ribla (2 Reis 23:33).
O rei do Egito impôs à terra de Judá uma pesada multa de “cem talentos de prata e um de ouro” (2 Reis 23:33). No trono de Judá, em lugar de Jeoacaz, Faraó Neco colocou seu irmão Eliaquim.
Eliaquim, ou Jeoaquim, como o rei do Egito passou a chamá-lo, reinou onze anos e “fez o que era mau perante o Senhor seu Deus” (2 Crônicas 36:5). Jeoacaz, porém, foi levado cativo para o Egito, onde morreu (2 Reis 23:34).
2. A opressão da Babilônia
A situação religiosa e política de Judá piorava a cada dia. Passada a opressão do Egito, Nabucodonosor, rei da Babilônia, subiu contra Judá durante o governo de Jeoaquim, que, por três anos, viveu como seu servo (2 Reis 24:1).
A seguir, Judá sofreu nas mãos dos caldeus, sírios, moabitas e amonitas (2 Reis 24:2). A mão de Deus pesava sobre Judá, e a humilhação do povo se tornava cada vez maior.
A personalidade de Josias, durante seu governo, parece ter contido a rebeldia do povo. Com sua morte, porém, e cessada sua disciplina, os filhos de Judá se descontrolaram.
Como o arco que volta à sua posição natural quando a pressão do arqueiro cessa, assim Judá voltou ao estado de pecado, cessada a influência de Josias.
3. A perda da soberania
No extremo de sua decadência, Judá não tinha mais a capacidade nem a liberdade de escolher seus próprios reis.
Os reis estrangeiros, dominadores que eram, além de nomear e depor os reis de Judá, davam-lhes também o nome que desejavam.
Faraó Neco trocou o nome de Eliaquim para Jeoaquim, e Nabucodonosor mudou o nome de Matanias para Zedequias (2 Reis 23:34; 24:17).
Estes reis estrangeiros eram, nas mãos de Deus, verdadeiros chicotes com que o Senhor açoitava Seu povo rebelde (2 Reis 24:2; Jeremias 25:9).
Judá se desviara do Senhor, quebrando a aliança que fizera durante o governo de Josias (2 Reis 23:3) e, agora, desorientado, caminhava para o exílio babilônico, a etapa mais amarga da punição que o Senhor lhe infligia.
B) JOAQUIM E ZEDEQUIAS
1. O início do cativeiro
Joaquim, filho de Jeoaquim, reinou só três meses em Jerusalém. Nabucodonosor, rei da Babilônia, o prendeu e o levou cativo. A humilhação, agora, não se limitava mais à exploração do povo; atingia também o santuário.
Cumprindo profecias sem saber, Nabucodonosor levou todos os tesouros da casa do Senhor e da casa do rei e cortou em pedaços todos os utensílios de ouro que Salomão fizera para o templo (2 Reis 24:13). Em 2 Reis 24:14-16, relata-se o início do cativeiro.
2. O reinado de Zedequias e a queda de Jerusalém
Em lugar de Joaquim, Nabucodonosor pôs no trono a Matanias, dando-lhe o nome de Zedequias (2 Reis 24:17). Ele reinou onze anos e, como os três reis que o precederam, “fez o que era mau perante o Senhor”.
No nono ano de seu reinado, Zedequias se rebelou contra o rei da Babilônia. Nabucodonosor subiu contra Jerusalém e sitiou a cidade, que “se via apertada da fome, e não havia pão para o povo da terra” (2 Reis 25:3).
Quando a cidade foi arrombada, o rei Zedequias tentou fugir, mas foi capturado. Cruéis, os caldeus obrigaram Zedequias a presenciar a execução de seus próprios filhos e, depois de lhe vazarem os olhos, levaram-no preso para a Babilônia.
Depois da queda de Jerusalém, veio a destruição do templo e de todos os edifícios importantes da cidade. O muro que cercava Jerusalém também foi destruído.
3. A retribuição pela infidelidade
Assim, a iniquidade do povo e dos sacerdotes que se corromperam recebia, na humilhação do cativeiro, sua retribuição.
Este era o preço amargo da infidelidade de Judá. Durante muitos anos, Judá teve oportunidades excepcionais para engrandecer a Deus. Não lhe faltaram, através dos profetas fiéis, as advertências do Senhor. Sua obstinação e a de seus reis trouxeram sobre si a punição de Deus.
Rei, povo e sacerdotes corrompidos zombavam dos servos de Deus, ridicularizavam Seus profetas e desprezavam Suas palavras, “até que subiu a ira do Senhor contra o seu povo, e não houve remédio algum” (2 Crônicas 36:16).
CONCLUSÃO
O texto central deste estudo diz que “A justiça exalta as nações, mas o pecado é o opróbrio dos povos” (Provérbios 14:34).
A veracidade destas palavras se confirma não apenas no caso de Israel e Judá, mas também na experiência de muitas nações modernas. Fruto do pecado humano, a injustiça semeia a discórdia entre os homens e as nações.
Para que as nações experimentem os benefícios da justiça, é necessário que todos se coloquem em harmonia com Deus, a fonte da verdadeira justiça.
Sem Deus, não há justiça, e os homens e as nações vivem continuamente no exílio, sofrendo as consequências de sua rebeldia. O mundo já assistiu, estarrecido, à derrocada de países que tentaram criar uma justiça sem Deus.
Pensava-se que o homem, uma vez educado e civilizado, seria capaz de promover a paz. Vimos o resultado infeliz dessa tentativa. Ainda hoje, o mundo despreza os servos de Deus, zombando de Sua mensagem.
Não veem que suas tentativas para desarmar as nações redundam sempre em fracasso? A solução não depende da inteligência ou da técnica, mas da boa vontade, e esta depende da relação do homem com seu Criador.
Ou nos voltamos para Deus, humilhados e arrependidos, ou permanecemos no cativeiro moral, espiritual e econômico que nos devora.
Nada do que fazemos escapa à nossa escravidão: o pecado nos escraviza e domina todas as áreas de nossa vida. Libertados pelo Espírito da graça, deixaremos de ser escravos.
Lista de estudos da série
1. Rei Saul e a Liderança Fracassada: Como o Poder sem Caráter Destrói uma Nação – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
2. Rei Davi e o Pastor Guerreiro: De Anônimo a Chefe de Estado – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
3. Rei Salomão e a Sabedoria: O Auge Econômico e o Perigo da Corrupção pelo Luxo – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
4. Rei Roboão e a Crise Fiscal: Quando a Opressão Estatal e Impostos Altos Dividem o Império – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
5. O Reino Dividido e a Geopolítica: Uma Análise dos Motivos e Consequências da Ruptura – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
6. Israel e Judá em Guerra Fria: A História de um Conflito Fratricida – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
7. Rei Jeroboão e a Religião de Estado: Usando a Fé como Manipulação Política para Manter o Poder – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
8. Rei Abias e a Guerra Civil: O Conflito Sangrento nas Fronteiras e a Vitória pela Fé – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
9. Rei Asa e a Reforma Nacional: Limpeza Institucional e o Erro das Alianças Estrangeiras – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
10. Rei Josafá e a Estratégia de Estado: O Poder da Educação Nacional e o Perigo das Coligações Políticas – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
11. Rei Acabe e a Tirania: O Confisco de Propriedade Privada e o Abuso de Poder – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
12. Rei Jeú e o Golpe Militar: O Banho de Sangue para Derrubar uma Dinastia Corrupta – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
13. Rei Joás e a Influência Política: Ascensão, Tutela Sacerdotal e Queda de um Governo – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
14. Rei Uzias e o Orgulho Militar: Quando o Sucesso Tecnológico e Bélico Leva à Ruína – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
15. Rei Acaz e o Pragmatismo: Alianças Perigosas com Superpotências e o Declínio Moral – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
16. Rei Ezequias e o Colapso Iminente: Fé para Enfrentar a Guerra Mundial e a Doença Mortal – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
17. Rei Manassés e a Reviravolta: Do Totalitarismo Sanguinário ao Arrependimento no Cativeiro – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
18. Rei Josias e a Constituição Divina: A Reforma Radical Baseada no Livro da Lei – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
19. Reis Jeoacaz, Jeoaquim e Zedequias: O Colapso Final e a Perda da Soberania Nacional – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
