Texto básico: 2 Crônicas 33:1-13
Em vez de continuar a obra de seu pai, Manassés — ainda criança quando começou a reinar — enveredou pelos caminhos da idolatria e “tornou a edificar os altos que Ezequias, seu pai, havia derribado, levantou altares aos baalins, fez postes-ídolos, e se prostrou diante de todo o exército dos céus, e o serviu”.
Durante o longo reinado de Manassés, Judá voltou a experimentar os trágicos efeitos da idolatria.
A) O CATIVEIRO DE MANASSÉS
1. A profundidade do pecado
Nos desmandos a que se entregou, Manassés chegou a profanar o templo do Senhor, edificando ali "altares a todo o exército dos céus".
Ele também colocou no templo “a imagem de escultura do ídolo que tinha feito”, fazendo Judá e os moradores de Jerusalém errarem, de maneira que fizeram pior do que as nações que o Senhor tinha destruído (2 Crônicas 33:3-5, 7, 9).
O sentimento religioso de Manassés se perverteu completamente. Contrariando as determinações de Deus, ele “queimou a seus filhos como oferta, no vale do filho de Hinom”, entregando-se à prática da adivinhação, da feitiçaria, e tratando com necromantes e feiticeiros (2 Crônicas 33:6). É fácil imaginar a desordem de um reino cujo monarca se entrega a tais práticas.
2. O juízo de Deus
Manassés se entregou a todas as práticas que Deus havia proibido terminantemente (Deuteronômio 4:19; 18:9-14; Jeremias 7:31). Este rei de Judá se desumanizou e, em seu estado, arrastou consigo o povo.
Tão insensíveis ficaram que não atenderam ao Senhor, que os advertia (2 Crônicas 33:10). Deus, entretanto, usa de medidas especiais em casos como este: medidas drásticas que, à luz de Seus propósitos, produzem o efeito desejado.
Lembre-se do exemplo de Jonas: enquanto Deus o chamava suavemente, o profeta não atendeu. Quando, porém, Deus sacudiu sua consciência, pondo em perigo sua vida, então ele atendeu. O mesmo se deu com Manassés. Neste caso, Deus não usou a força do mar, mas o poderio militar do rei da Assíria.
3. A humilhação e o cativeiro
Os assírios prenderam Manassés com ganchos e o amarraram com correntes. Que humilhação! Levaram-no assim para a Babilônia. Não é difícil imaginar a triste figura de Manassés, dominado por seus inimigos.
Perdera sua liberdade pessoal e sua autoridade de rei fora destruída. No cativeiro, humilhado até o pó, Manassés sentiu o peso de sua desgraça.
O autor de Crônicas faz referência aos profetas que falaram a Manassés em nome de Deus (2 Crônicas 33:18), que provavelmente lhe mostraram a relação entre sua humilhação e sua desobediência ao Senhor.
B) A CONVERSÃO DE MANASSÉS
1. O arrependimento e o perdão
Alcançado pela mão de Deus, que o puniu em Sua misericórdia, Manassés “suplicou deveras ao Senhor seu Deus, e muito se humilhou perante o Deus de seus pais” (2 Crônicas 33:12).
Sentindo em sua alma o bálsamo do perdão divino, Manassés reconheceu que o Senhor era Deus (2 Crônicas 33:13).
É uma pena que o homem precise ser tratado, muitas vezes, de forma dura para se humilhar diante de Deus. Quantas pessoas têm sido levadas aos pés de Cristo através de experiências amargas!
O sofrimento humano é um dos meios que Deus usa, não só para demarcar os limites do poder do homem, mas também para levá-lo ao encontro da redenção que há em Seu amor. A experiência de Manassés — perdido em meio à sua própria liberdade — tem se repetido na vida de milhões.
2. Provas da conversão
Manassés deu prova de sua conversão. Tendo reconhecido que o Senhor era Deus, ele...
2 Crônicas 33:15-16
“Tirou da casa do Senhor os deuses estranhos e o ídolo, como também todos os altares que edificara no monte da casa do Senhor, e em Jerusalém, e os lançou fora da cidade. Restaurou o altar do Senhor, sacrificou sobre ele ofertas pacíficas e de ações de graça e ordenou a Judá que servisse ao Senhor Deus de Israel.”
Sua conversão, portanto, foi real. A mudança radical que sofreu interiormente se refletiu nos atos que passou a praticar. O homem novo em que Manassés se transformou passou a fazer coisas novas, a produzir obras próprias de sua nova natureza espiritual.
3. Os meios da graça
Os meios que Deus usa para alcançar o homem em sua miséria e pecado — ainda hoje — são a Sua Palavra (a Bíblia) e os Seus servos.
Os profetas mencionados em 2 Crônicas 33:18 devem ter sido o instrumento que Deus usou para levar Manassés a reconhecer seu pecado e a se arrepender. A fé e o reconhecimento do pecado e da graça de Deus vêm "pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo” (Romanos 10:17).
Manassés, enquanto as circunstâncias o favoreciam, rejeitou a graça que Deus lhe oferecia. Quando, porém, o Senhor, em Sua providência, criou novas condições, permitindo que ele fosse humilhado, então o rei se deixou vencer pela força irresistível da graça divina e reconheceu que o Senhor era Deus.
O que é a conversão, senão o reconhecimento efetivo de que o Senhor é Deus? Reconhecendo este fato, o homem passa a viver segundo os padrões deste Deus que é Senhor.
CONCLUSÃO
Manassés profanou o templo do Senhor, colocando ali altares a outras divindades e erguendo uma imagem de escultura no santuário. Devemos reconhecer, entretanto, que o templo do Senhor não se profana somente com práticas como as de Manassés.
Há outras práticas — menos aparentes, mas nem por isso menos graves — que profanam o templo do Senhor. Quando, pelos nossos pensamentos e atitudes, nos afastamos das verdadeiras razões do culto, estamos profanando o templo do Senhor.
Por quê? Simplesmente porque nossos motivos e razões pessoais — quase sempre de caráter pecaminoso — passam a ocupar, em nossa mente e coração, o lugar que pertence ao Senhor.
Nossa mente e coração, muitas vezes, servem de templo para ídolos, e nós, mesmo sem adorar imagens de escultura, nos tornamos tão idólatras quanto Manassés.
O apóstolo Paulo (1 Coríntios 6:19) diz que o corpo do cristão é "santuário do Espírito Santo”. Quantas vezes, alimentando pensamentos impuros e praticando atos impuros, não temos nós profanado este templo?
Na Carta aos Hebreus, encontramos estas palavras para nossa meditação:
Hebreus 10:29
“De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?”
A responsabilidade dos servos de Cristo é enorme: é proporcional ao seu privilégio. Não esperemos que Deus nos humilhe, mas humilhemo-nos diante d'Ele e busquemo-Lo com ansiedade, sabendo que Ele é Senhor.
Lista de estudos da série
1. Rei Saul e a Liderança Fracassada: Como o Poder sem Caráter Destrói uma Nação – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
2. Rei Davi e o Pastor Guerreiro: De Anônimo a Chefe de Estado – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
3. Rei Salomão e a Sabedoria: O Auge Econômico e o Perigo da Corrupção pelo Luxo – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
4. Rei Roboão e a Crise Fiscal: Quando a Opressão Estatal e Impostos Altos Dividem o Império – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
5. O Reino Dividido e a Geopolítica: Uma Análise dos Motivos e Consequências da Ruptura – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
6. Israel e Judá em Guerra Fria: A História de um Conflito Fratricida – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
7. Rei Jeroboão e a Religião de Estado: Usando a Fé como Manipulação Política para Manter o Poder – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
8. Rei Abias e a Guerra Civil: O Conflito Sangrento nas Fronteiras e a Vitória pela Fé – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
9. Rei Asa e a Reforma Nacional: Limpeza Institucional e o Erro das Alianças Estrangeiras – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
10. Rei Josafá e a Estratégia de Estado: O Poder da Educação Nacional e o Perigo das Coligações Políticas – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
11. Rei Acabe e a Tirania: O Confisco de Propriedade Privada e o Abuso de Poder – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
12. Rei Jeú e o Golpe Militar: O Banho de Sangue para Derrubar uma Dinastia Corrupta – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
13. Rei Joás e a Influência Política: Ascensão, Tutela Sacerdotal e Queda de um Governo – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
14. Rei Uzias e o Orgulho Militar: Quando o Sucesso Tecnológico e Bélico Leva à Ruína – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
15. Rei Acaz e o Pragmatismo: Alianças Perigosas com Superpotências e o Declínio Moral – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
16. Rei Ezequias e o Colapso Iminente: Fé para Enfrentar a Guerra Mundial e a Doença Mortal – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
17. Rei Manassés e a Reviravolta: Do Totalitarismo Sanguinário ao Arrependimento no Cativeiro – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
18. Rei Josias e a Constituição Divina: A Reforma Radical Baseada no Livro da Lei – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
19. Reis Jeoacaz, Jeoaquim e Zedequias: O Colapso Final e a Perda da Soberania Nacional – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
