Rei Salomão e a Sabedoria: O Auge Econômico e o Perigo da Corrupção pelo Luxo – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

Texto básico: 1 Reis 3:3-15

Salomão recebeu de seu pai, Davi, conselhos que, se tivessem sido seguidos por toda a sua vida, jamais teriam permitido que sua grandeza e glória fossem comprometidas. Entre outras coisas, Davi disse a Salomão:

1 Reis 2:3-4
"Guarda os preceitos do Senhor teu Deus, para andares nos seus caminhos, para guardares os seus estatutos, os seus mandamentos, os seus juízos e os seus testemunhos, como está escrito na lei de Moisés, para que prosperes em tudo quanto fizeres, e por onde quer que fores; para que o Senhor confirme a palavra que falou de mim, dizendo: Se teus filhos guardarem o seu caminho, para andarem perante a minha face fielmente, de todo o seu coração e de toda a sua alma, nunca te faltará sucessor ao trono de Israel."

A) SALOMÃO COMEÇOU BEM

1. A humildade de Salomão

Ao iniciar seu reinado, Salomão demonstrou grande humildade. Ao justificar seu pedido a Deus, ele disse: “Não passo de um jovem e não sei como liderar” (1 Reis 3:7).

Salomão se reconhecia como uma criança na experiência administrativa, no conhecimento dos problemas do governo e na sabedoria necessária para discernir o que era melhor para o bem-estar e a felicidade de seu povo.

Embora estivesse investido da autoridade de rei, ele precisava das condições certas para exercê-la com competência.

2. O pedido por sabedoria

Além da humildade, Salomão mostrou bom senso ao pedir a Deus um coração compreensivo para julgar o povo, pois sabia que para isso precisava de muita prudência (1 Reis 3:9).

Deus se agradou de sua atitude e, como prova de Sua generosidade, deu a Salomão não apenas um coração sábio e entendido — tornando-o único entre todos os reis antes e depois dele —, mas também lhe concedeu riquezas e glória.

Sabedoria, prudência, riqueza e glória: esta é a ordem correta dos valores que devem guiar uma verdadeira administração pública. Sabedoria nas decisões, prudência ao aplicá-las, e a riqueza e prosperidade como resultado desse processo. E, para coroar tudo, a glória e a magnificência que vêm da riqueza. Veja mais em 1 Reis 4:20-28.

3. A prosperidade do reino

A influência de Salomão, na fase de sua impressionante prosperidade, não se limitou a seu reino. Ela ultrapassou fronteiras, chegando a Tiro, na Fenícia, e ao Egito, país dos Faraós, com o qual Israel não tinha relações há mais de quinhentos anos.

Ele estabeleceu relações comerciais com Ofir e Társis. A rainha de Sabá, provavelmente líder dos sabeanos, um povo comerciante do sudoeste da Arábia, ficou maravilhada com a fama de Salomão e foi visitá-lo em Jerusalém (1 Reis 10:1-13).

Salomão construiu o templo de Jerusalém, dedicando a ele engenho, arte, consagração e riqueza (1 Reis 6:1 a 8:11). 

Em seu discurso ao povo, Salomão explicou as razões que o levaram a edificar o templo (1 Reis 8:12-21). É importante ler também a oração de consagração do templo em 1 Reis 8:22-53 e o relato de outras construções em 1 Reis 9:10-28.

B) O PODER CORROMPE SALOMÃO

1. A influência das riquezas e das mulheres

A fabulosa riqueza que Salomão acumulou lhe deu grande poder. O desejo de desfrutar dessa riqueza — um desejo comum a todos os pecadores — o levou a se desviar do caminho certo.

Seu coração se inclinou para as mulheres, e ele reuniu em sua casa cerca de “setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe perverteram o coração” (1 Reis 11:3-4).

Além da filha do Faraó (1 Reis 3:1-2), em sua casa viviam mulheres moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e heteias (1 Reis 11:1).

Já idoso e sem energias, Salomão começou a colher os frutos de sua infidelidade ao Senhor. Influenciado por suas mulheres, ele passou a servir aos deuses Astarote e Milcom, divindades dos sidônios e dos amonitas, respectivamente (1 Reis 11:5).

2. O perigo da infidelidade

Muitas vezes, o desvio de uma pessoa começa com pequenas infidelidades. Salomão iniciou seu afastamento dos caminhos de Deus ao se casar com a filha do Faraó, uma mulher egípcia. As razões do coração infiel começam a pesar nas decisões, levando a pessoa a ignorar a vontade de Deus e a abandonar Seus caminhos (1 Reis 11:6).

Quando o coração de alguém se corrompe, as riquezas e a glória que Deus lhe deu se transformam em armadilhas e fontes de maldição, como advertido em 1 Timóteo 6:10.

O erro de Salomão foi colocar seu coração nas riquezas, ignorando a advertência das Escrituras (Salmo 62:10). A mesma riqueza que antes serviu para engrandecê-lo, agora servia para humilhá-lo. A riqueza era a mesma, mas o coração de Salomão havia mudado completamente.

Ele contrariou seus próprios princípios e conselhos, como: “As riquezas de nada aproveitam no dia da ira, mas a justiça livra da morte” (Provérbios 11:4) e “Quem confia nas suas riquezas cairá, mas os justos reverdecerão com a folhagem” (Provérbios 11:28). Veja também Provérbios 14:24; 22:1; 23:5; 27:24.

3. A verdadeira grandeza

Diante de Deus, o que define a grandeza ou a miséria de uma pessoa é o que ela *é*, e não o que ela *possui* (Lucas 12:15). Salomão foi grande enquanto seu coração estava inclinado a servir ao Senhor.

Porém, quando sua alma se deixou levar pela ilusão das riquezas e seguiu mulheres idólatras, sua grandeza se reduziu a nada, mesmo que ele ainda possuísse muito poder e muitas riquezas.

Salomão se tornou senhor de si mesmo e, nessas condições, o poder só tinha valor quando exercido para sua satisfação pessoal. Ele transformou o poder em um fim em si mesmo.

Ao abandonar os caminhos do Senhor por sua infidelidade, Salomão semeou, já em seu próprio governo, as sementes da discórdia que, mais tarde, levariam à destruição do reino unido de Israel.

C) O REINO DE SALOMÃO COMEÇA A DESINTEGRAR-SE

1. O surgimento de adversários

Dois homens que haviam escapado da destruição promovida por Davi — Hadade, o idumeu (1 Reis 11:14), e Rezom, filho de Eliada (1 Reis 11:23) — se tornaram adversários de Salomão. Ainda durante seu reinado, o profeta Aías disse a Jeroboão que Deus dividiria o reino de Salomão e daria dez tribos a ele (1 Reis 11:30-31).

No entanto, por amor a Davi, essa divisão só ocorreria no reinado de Roboão, filho de Salomão (1 Reis 11:34-35). Que grande responsabilidade tem aquele que governa!

Salomão, agora em uma fase aguda de infidelidade, dedicou-se a construir um santuário para Camos, a divindade moabita, e para Moloque (também chamado de Malcom ou Milcom), a divindade amonita (1 Reis 11:5-7).

Ao agir assim, Salomão estava contrariando diretamente as determinações de Deus em Números 33:52.

2. A idolatria ao poder

Poderíamos dizer que, inicialmente, Salomão se entregou à idolatria do poder. Milhões de vidas já foram sacrificadas a essa divindade chamada "poder". É uma divindade que vive em cada pessoa, oculta ou manifesta, e que em muitos se personifica de forma avassaladora.

É ao culto insaciável a essa divindade que devemos a destruição de valiosos patrimônios que a humanidade acumulou ao longo dos séculos.

O culto ao poder — um deus que fascina e engana — não existe apenas no coração de políticos ambiciosos. Ele também pode existir no coração daqueles a quem foi confiada a administração das próprias igrejas.

No governo de um país, como no caso de Israel, isso leva ao desastre das instituições. No governo das igrejas, leva à negação da grandeza do Evangelho и do Espírito de Cristo.

3. O poder como centro da vida

A existência de um forte abuso de poder religioso em algumas igrejas, por exemplo, evidencia que essa forma de idolatria — o culto ao poder — ainda existe hoje.

O culto ao poder, seja de natureza civil, militar, política ou religiosa, tende a endeusar ou divinizar a pessoa que o exerce. Esse processo coloca o ser humano no centro da vida e desloca Deus para a margem.

Sendo finito e corruptível, o ser humano não tem condições reais para ser o centro de si mesmo.

Quando o profeta Gade pediu a Davi que escolhesse seu próprio castigo, uma das três opções era fugir de seus inimigos por três meses. Davi respondeu:

2 Samuel 24:14
“Estou em grande angústia; porém, caiamos na mão do Senhor, porque muitas são as suas misericórdias; mas não caia eu nas mãos dos homens.”

CONCLUSÃO

Salomão começou bem, porque buscou em Deus a capacidade para governar a si mesmo e à nação. Acabou mal, porque, no auge do poder e da glória, perdeu o equilíbrio que vinha do Senhor.

Para nós, que vivemos em uma época em que o culto ao poder se tornou uma obsessão, ficam o bom e o mau exemplo de Salomão. O primeiro deve ser imitado; o último deve ser evitado. Além disso, tenhamos sempre em mente a solene advertência de Paulo:

1 Coríntios 10:12
“Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia.”


Lista de estudos da série

1. Rei Saul e a Liderança Fracassada: Como o Poder sem Caráter Destrói uma Nação – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

2. Rei Davi e o Pastor Guerreiro: De Anônimo a Chefe de Estado – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

3. Rei Salomão e a Sabedoria: O Auge Econômico e o Perigo da Corrupção pelo Luxo – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

4. Rei Roboão e a Crise Fiscal: Quando a Opressão Estatal e Impostos Altos Dividem o Império – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

5. O Reino Dividido e a Geopolítica: Uma Análise dos Motivos e Consequências da Ruptura – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

6. Israel e Judá em Guerra Fria: A História de um Conflito Fratricida – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

7. Rei Jeroboão e a Religião de Estado: Usando a Fé como Manipulação Política para Manter o Poder – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

8. Rei Abias e a Guerra Civil: O Conflito Sangrento nas Fronteiras e a Vitória pela Fé – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

9. Rei Asa e a Reforma Nacional: Limpeza Institucional e o Erro das Alianças Estrangeiras – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

10. Rei Josafá e a Estratégia de Estado: O Poder da Educação Nacional e o Perigo das Coligações Políticas – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

11. Rei Acabe e a Tirania: O Confisco de Propriedade Privada e o Abuso de Poder – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

12. Rei Jeú e o Golpe Militar: O Banho de Sangue para Derrubar uma Dinastia Corrupta – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

13. Rei Joás e a Influência Política: Ascensão, Tutela Sacerdotal e Queda de um Governo – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

14. Rei Uzias e o Orgulho Militar: Quando o Sucesso Tecnológico e Bélico Leva à Ruína – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

15. Rei Acaz e o Pragmatismo: Alianças Perigosas com Superpotências e o Declínio Moral – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

16. Rei Ezequias e o Colapso Iminente: Fé para Enfrentar a Guerra Mundial e a Doença Mortal – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

17. Rei Manassés e a Reviravolta: Do Totalitarismo Sanguinário ao Arrependimento no Cativeiro – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

18. Rei Josias e a Constituição Divina: A Reforma Radical Baseada no Livro da Lei – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

19. Reis Jeoacaz, Jeoaquim e Zedequias: O Colapso Final e a Perda da Soberania Nacional – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel 

Semeando Vida

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