Rei Asa e a Reforma Nacional: Limpeza Institucional e o Erro das Alianças Estrangeiras – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

Texto básico: 2 Crônicas 14:1-8

Embora a influência do lar e da educação seja decisiva na formação do caráter, a experiência nos mostra que essa regra tem exceções. E, dentro das exceções, geralmente aparecem traços marcantes da regra.

O rei que estudamos exemplifica muito bem, em seu caráter, governo e nas lições que nos proporciona, a verdade que estamos afirmando.

Em última análise, o rei Asa, apesar dos acertos de sua boa administração, revela sua condição humana: pecador, fraco e inclinado à corrupção. O ser humano só tem valor real na medida em que busca a Deus e obedece aos Seus mandamentos.

A) O CARÁTER DE ASA

1. Influências na formação do ser humano

No comportamento de uma pessoa, revelam-se influências hereditárias, que constituem a estrutura básica de sua personalidade, e influências adquiridas, que ela recebe do meio em que vive e da educação de seus pais.

Para uma criança de bom caráter, que herdou de seus antepassados uma personalidade equilibrada, a má educação e um ambiente ruim poderão prejudicá-la, mas dificilmente conseguirão alterar sua essência fundamental. 

Este fato explica por que, de lares marcados por dificuldades e ambientes reprováveis, podem surgir personalidades bem-dotadas, que rejeitam os maus exemplos. No entanto, isso não é o que ocorre comumente.

2. O ambiente e a herança de Asa

A família de Asa e o ambiente em que foi criado forneceram condições para que ele tivesse um mau caráter. Contudo, os maus exemplos que teve não deformaram sua personalidade, porque ele herdou de seus antepassados uma índole muito boa; um espírito que o inclinava para o bem e para Deus.

Enquanto Asa atendeu aos apelos dessa herança que trazia consigo, reagindo contra as forças negativas de seu ambiente e buscando pôr em prática a fé pela qual seus antepassados alcançaram grandes vitórias, sua vida e sua obra foram um sucesso. 

Cheio de glória e vendo seu reino prosperar, Asa, no entanto, descuidou de sua fé e enfraqueceu-se espiritualmente.

3. A importância fundamental da fé

A fé é de importância fundamental na formação do caráter. Uma pessoa que herda um bom caráter, se não tiver fé em Deus, poderá se tornar passiva.

A fé, porém, dará vigor e dinamismo à sua vida. Por outro lado, a pessoa que herda inclinações negativas encontra na fé um auxílio decisivo para superar as tendências de seu espírito.

Por isso, o homem de fé verdadeira pode modificar, por sua influência, o mau ambiente em que vive — não tanto pela reprovação verbal dos erros que vê, mas, principalmente, pelo seu modo de viver. Asa uniu sua boa herança à fé que engrandeceu seus antepassados.

Ele atendeu às palavras de Azarias:

2 Crônicas 15:2
“Ouvi-me, Asa, e todo o Judá e Benjamim. O Senhor está convosco enquanto vós estais com ele; se o buscardes; ele se deixará achar; porém, se o deixardes, vos deixará.”

B) O BOM GOVERNO DE ASA EM JUDÁ

1. A primeira vitória e a oração de fé

Asa começou seu governo ordenando a “Judá que buscasse o Senhor Deus de seus pais, e que observasse a lei e o mandamento” (2 Crônicas 14:4).

Dispondo de um exército de 580 mil homens, sua primeira vitória foi no campo político, vencendo Zerá, o etíope, cujo exército contava com um milhão de homens. Revelando a força de sua fé em Deus, Asa orou:

2 Crônicas 14:11
"Senhor, além de ti não há quem possa socorrer numa batalha entre o poderoso e o fraco; ajuda-nos, pois, Senhor, nosso Deus, porque em ti confiamos, e em teu nome viemos contra esta multidão. Senhor, tu és nosso Deus, não prevaleça contra ti o homem."

Assim, pela fé, Asa prevaleceu contra os etíopes, que eram muito mais poderosos.

2. A vitória no campo espiritual

No campo espiritual, a vitória de Asa não foi menor. Quando ouviu as palavras do profeta Azarias, filho de Odete, o texto nos diz que ele "cobrou ânimo e lançou as abominações fora de toda a terra de Judá e Benjamim, como também das cidades que tomara na região montanhosa de Efraim; e renovou o altar do Senhor, que estava diante do pórtico do Senhor" (2 Crônicas 15:8).

A reforma de Asa atingiu a própria corte, pois ele não hesitou em depor sua própria mãe da dignidade de rainha, porque ela “havia feito a Aserá uma abominável imagem; Asa destruiu-lhe a imagem, que, feita em pó, queimou no vale de Cedrom” (2 Crônicas 15:16).

Reunindo todo o Judá e Benjamim, junto com os de Efraim, Manassés e Simeão, ele fez uma aliança de "buscarem o Senhor, Deus de seus pais, de todo o coração, e de toda a alma" (2 Crônicas 15:12-15).

3. A prosperidade e a queda

Em contraste com os reinados de Roboão e Abias, seus antecessores, o reinado de Asa, que durou 41 anos, foi marcado por um longo período de paz e prosperidade. Sua fidelidade ao Deus de seus pais, que mais tarde se manifestaria em Jesus Cristo, teve profunda repercussão em sua administração política e reforma religiosa.

Pressionado, no entanto, pela ameaça de Baasa, rei de Israel, no 36º ano de seu reinado, Asa se mostrou fraco. Ele revelou estar sofrendo as influências negativas do ambiente e, em seu coração, mostrou falta de fé, confiando mais no socorro dos homens do que na providência de Deus.

C) LIÇÕES DA VIDA DE ASA

Este incidente na vida de Asa nos mostra a evidência do seguinte princípio: do Deus a quem o homem ama e serve, depende o caráter que ele tem e o tipo de vida que ele leva.

1. A aliança com a Síria

Seguindo o princípio que acabamos de mencionar, a vida de Asa nos proporciona lições muito oportunas. 

Enquanto ele amou e serviu ao Senhor, o Deus de seus pais, seu caráter e sua vida evidenciaram claramente a influência da lei e dos mandamentos, tanto na esfera política quanto na religiosa. 

Quando, porém, fez aliança com Ben-Hadade, rei da Síria, para combater Baasa, rei de Israel, revelou que seu coração já não era submisso ao Senhor.

Repreendido pelo profeta Hanani, Asa, em vez de se corrigir, indignou-se contra ele, prendendo-o na casa do cárcere. 

Na mesma ocasião, liberando seu ódio, oprimiu alguns do povo (2 Crônicas 16:10). Asa, embora não estivesse adorando imagens de deuses pagãos, estava, sem dúvida, amando e servindo a outro deus.

2. A importância de perseverar

As lições da vida e da obra de Asa derivam de suas atitudes diante de Deus. Ou seja: não basta começarmos bem, não basta vivermos bem apenas durante um certo período de nossa vida. 

Se amamos e servimos a Deus, dando frutos dessa fidelidade, mas depois, levados por outros interesses, abandonamos nosso primeiro amor, nossa vida, mesmo tendo começado bem, acabará muito mal. A fidelidade que devemos a Deus deve ser real tanto nas horas alegres quanto nas horas amargas.

3. O perigo do sucesso

Quantos há que, em horas de angústia e desespero, buscaram o Senhor e foram socorridos por Ele? Depois, com a chegada da alegria, saúde e prosperidade, deixaram-se levar por outros deuses e, passando a amá-los, traíram sua fé e acabaram mal uma vida bem começada. 

Quantos que, na igreja, sem grandes responsabilidades, eram ótimos crentes, passaram a atuar em esferas de maiores responsabilidades e, portanto, maiores tentações, e fraquejaram exatamente quando seu testemunho era mais necessário. 

Deixaram-se levar pelo deus da glória, da fama, da política ou do dinheiro, perdendo seu primeiro amor.

A advertência de Paulo é de valor eterno:

1 Coríntios 10:12
“Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia.”

CONCLUSÃO

O servo de Deus dispõe de muitos meios de graça que lhe permitem viver vitoriosamente a vida cristã. A negligência em usar tais recursos é, em geral, a grande responsável por seus fracassos espirituais. 

Na medida em que busca a Deus, através dos meios que o próprio Deus providenciou, o homem cresce e se fortalece espiritualmente.

Nem a posição social, nem a riqueza, nem a proeminência política ou a importância no campo da ciência o desviarão de sua fidelidade a Deus, pois ele está cada vez mais ciente de que tudo o que tem e é, deve ao Senhor. Só nestas condições ele poderá ser fiel até à morte.


Lista de estudos da série

1. Rei Saul e a Liderança Fracassada: Como o Poder sem Caráter Destrói uma Nação – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

2. Rei Davi e o Pastor Guerreiro: De Anônimo a Chefe de Estado – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

3. Rei Salomão e a Sabedoria: O Auge Econômico e o Perigo da Corrupção pelo Luxo – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

4. Rei Roboão e a Crise Fiscal: Quando a Opressão Estatal e Impostos Altos Dividem o Império – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

5. O Reino Dividido e a Geopolítica: Uma Análise dos Motivos e Consequências da Ruptura – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

6. Israel e Judá em Guerra Fria: A História de um Conflito Fratricida – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

7. Rei Jeroboão e a Religião de Estado: Usando a Fé como Manipulação Política para Manter o Poder – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

8. Rei Abias e a Guerra Civil: O Conflito Sangrento nas Fronteiras e a Vitória pela Fé – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

9. Rei Asa e a Reforma Nacional: Limpeza Institucional e o Erro das Alianças Estrangeiras – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

10. Rei Josafá e a Estratégia de Estado: O Poder da Educação Nacional e o Perigo das Coligações Políticas – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

11. Rei Acabe e a Tirania: O Confisco de Propriedade Privada e o Abuso de Poder – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

12. Rei Jeú e o Golpe Militar: O Banho de Sangue para Derrubar uma Dinastia Corrupta – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

13. Rei Joás e a Influência Política: Ascensão, Tutela Sacerdotal e Queda de um Governo – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

14. Rei Uzias e o Orgulho Militar: Quando o Sucesso Tecnológico e Bélico Leva à Ruína – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

15. Rei Acaz e o Pragmatismo: Alianças Perigosas com Superpotências e o Declínio Moral – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

16. Rei Ezequias e o Colapso Iminente: Fé para Enfrentar a Guerra Mundial e a Doença Mortal – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

17. Rei Manassés e a Reviravolta: Do Totalitarismo Sanguinário ao Arrependimento no Cativeiro – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

18. Rei Josias e a Constituição Divina: A Reforma Radical Baseada no Livro da Lei – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

19. Reis Jeoacaz, Jeoaquim e Zedequias: O Colapso Final e a Perda da Soberania Nacional – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

Semeando Vida

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