Introdução
Em época de eleição, é comum que candidatos procurem líderes religiosos e locais de culto. É verdade que querem se fazer conhecidos, mas muitas vezes o interesse pela religião para por aí.
Já vimos candidatos que, pela manhã, estão em uma igreja evangélica e, à noite, em um centro espírita – atirando para todos os lados a fim de agradar a todos.
Por que estou levantando esta questão? Porque há certa semelhança com a história do rei Acaz. Ele foi alguém que, em termos de religiosidade, atirou para todos os lados.
Com essa atitude, ele construiu um governo sem a verdadeira orientação de Deus, contrariou Sua vontade e levou o povo ao fracasso.
Explicação
Antes de pensarmos nas lições, vamos relembrar o contexto histórico. Acaz foi rei de Judá, filho de Joatão. Ele viveu em uma época em que a Assíria era uma grande potência e ameaçava as nações vizinhas.
É provável que Acaz tenha buscado uma aliança com o rei da Assíria para se proteger dos filisteus, que invadiam seu território.
Mas essa aliança colocou Acaz em apuros. Logo, Síria e Israel declararam guerra contra seu reino. Diante da crise, o profeta Isaías foi enviado para exortar o rei a confiar em Deus e não buscar socorro em nações estrangeiras. Porém, Acaz não quis saber da proteção de Deus.
Os exércitos da Síria e de Israel cercaram Jerusalém e, apesar de не conseguirem conquistá-la, mataram milhares de homens e levaram outros como escravos (2 Reis 16:5).
Acaz então pediu auxílio ao rei da Assíria, dando-lhe os tesouros do Templo e do palácio e tornando a nação submissa.
O rei assírio cumpriu sua parte, invadindo Samaria e tomando Damasco. Com Damasco tomada, Acaz foi até lá para prestar homenagem ao rei assírio (2 Reis 16; 2 Crônicas 28).
De maneira resumida, o governo de Acaz foi caracterizado por práticas pecaminosas, acordos interesseiros, cultos pagãos e completo afastamento de Deus.
E, apesar de profetas como Isaías, Oseias e Miqueias terem atuado durante seu reinado, ele nunca deu ouvidos à voz de Deus (Isaías 1:1; Oseias 1:1; Miqueias 1:1).
Vamos destacar algumas marcas desse reinado que se distanciou de Deus e refletir sobre suas aplicações práticas. Quais foram as marcas do reinado de Acaz?
1ª MARCA: PRAGMATISMO RELIGIOSO
2 Crônicas 28:22-25
No tempo da sua angústia, cometeu ainda maiores transgressões contra o SENHOR; ele mesmo, o rei Acaz. Pois ofereceu sacrifícios aos deuses de Damasco, que o feriram, e disse: Visto que os deuses dos reis da Síria os ajudam, eu lhes oferecerei sacrifícios para que me ajudem a mim. Porém eles foram a sua ruína e a de todo o Israel. Ajuntou Acaz os utensílios da Casa de Deus, fê-los em pedaços e fechou as portas da Casa do SENHOR; e fez para si altares em todos os cantos de Jerusalém. Também, em cada cidade de Judá, fez altos para queimar incenso a outros deuses; assim, provocou à ira o SENHOR, Deus de seus pais.
A influência dos líderes, positiva ou negativa, é um tema constante nestes estudos. Houve reis, como Josafá, que tiveram a coragem de seguir a Palavra de Deus, trazendo uma influência positiva. No caso de Acaz, o exemplo foi o pior possível. Ele liderou a idolatria porque queria resultados. Ele quis ser pragmático.
Uma pessoa pragmática busca a solução dos problemas. Mesmo que a solução vá contra a ética e a moral, se é útil e resolve, ela deve ser usada. E era assim que Acaz agia.
Quando ele fez aliança com a Assíria, aquele povo esmagou seus inimigos. Vendo o sucesso assírio, Acaz acreditou que os deuses deles eram mais poderosos que o verdadeiro Deus.
Ele então promoveu a destruição dos utensílios do templo, fechou suas portas e construiu altares pagãos por toda Jerusalém. Em uma visita a Damasco, ele se impressionou com um altar pagão e mandou o sacerdote Urias fazer uma cópia em Jerusalém (2 Reis 16:10).
Aplicação
Acaz foi pragmático: procurou o que dava resultado e, com isso, negociou a verdadeira adoração a Deus. Para ele, era simples: o deus dos outros parecia dar mais resultado, então ele trocou de deus como quem troca de roupa.
E hoje, será que isso acontece? Sim, é uma marca da religiosidade de nosso tempo. Vemos pessoas que mudam de religião em busca de resultados, sem um compromisso real com a verdade.
Há líderes que prometem "todos os problemas resolvidos", "resultado financeiro imediato", "patrimônio dobrado em um ano". É puro pragmatismo: de um lado, líderes querendo igrejas cheias; do outro, o povo querendo uma solução rápida. Nada de Jesus, nada de salvação, nada de pecado.
O que enche o templo é a promessa de riqueza. A marca de Acaz e de nosso tempo é esta: o pragmatismo religioso.
2ª MARCA: BANALIZAÇÃO DA VIDA HUMANA
2 Crônicas 28:3
Também queimou incenso no vale do filho de Hinom e queimou a seus próprios filhos, segundo as abominações dos gentios que o SENHOR lançara de diante dos filhos de Israel.
Acaz sacrificou seus próprios filhos no vale de Hinom. Você consegue imaginar a maldade disso? É mais uma prova de um homem que reinava completamente distante de Deus. Somente uma pessoa ímpia e sanguinária poderia praticar algo tão cruel. Isso não é religiosidade, é fanatismo.
O sacrifício humano era o aspecto mais maligno do paganismo e estava ligado à adoração de Moloque, a divindade amonita. O próprio Senhor havia proibido essa prática (Levítico 18:21). Essa obra é maligna, pois o inimigo vem para matar, roubar e destruir (João 10:10).
Aplicação
Assim como na época de Acaz, ainda hoje existe a banalização da vida humana. Vemos seitas que praticam sacrifícios, a violência em nossas cidades, roubos, chacinas, assassinatos. A vida humana perdeu seu valor.
3ª MARCA: DECLÍNIO DA NAÇÃO
2 Crônicas 28:19
Porque o SENHOR humilhou a Judá por causa de Acaz, rei de Israel; porque este permitira que Judá caísse em dissolução, e ele, de todo, se entregou à transgressão contra o SENHOR.
Toda a nação sofreu por causa do governo ímpio de Acaz. Judá foi invadida, e seus recursos foram entregues aos adversários. É oportuno lembrar o provérbio que diz:
Provérbios 29:2
Quando os justos governam, alegra-se o povo; mas quando o ímpio domina, o povo geme.
Aplicação
O Brasil, em sua história, passou por muitos momentos difíceis. O que os livros de Reis e Crônicas nos ensinam é que devemos lutar por uma nação que busque ao Senhor.
Muitas vezes, esperamos mudanças de cima para baixo. Mas nós podemos mudar muitas coisas de baixo para cima, fazendo nossa parte por uma cidade e um país melhor.
Como? Pregando o evangelho, sendo honesto, vivendo em amor, promovendo a paz e deixando de lado o “levar vantagem em tudo”.
Se cada um de nós fizer sua parte, promovemos mudança. Hoje, infelizmente, impera a desonestidade, a mentalidade de prejudicar o próximo, que vai contra o que Deus ensina. E quando isso acontece, ninguém ganha.
4ª MARCA: REJEIÇÃO DA VOZ PROFÉTICA
Diante da iminência de uma invasão, o profeta Isaías exortou o rei Acaz a confiar em Deus. Mas Acaz recusou um sinal de garantia divina e não creu em sua proteção (Isaías 7:1-12).
No momento em que Judá estava sendo invadida, Deus enviou seu profeta com a solução para a crise. A fé em Deus era a chave para a vitória.
Mas Acaz não quis saber dessa orientação e continuou dando ouvidos ao rei da Assíria. O ímpio e obstinado Acaz ignorou Isaías, ignorou a Deus.
Aplicação
Esta foi uma marca de Acaz e é também uma marca de nosso tempo. A maioria daqueles que estão em pecado foge da voz divina, como Adão tentou fugir no Jardim do Éden. Acaz rejeitou a voz profética, a voz de Deus. Tomemos cuidado para não nos fazermos de surdos ao que Deus tem falado.
Dar ouvidos à voz de Deus é obedecer, submeter-se à Sua vontade e cumprir o que Ele determina. Um povo só pode ser realmente feliz, próspero e bem-sucedido se obedecer à voz de Deus.
CONCLUSÃO
Acaz liderou um governo sem a orientação de Deus. Foi alguém religiosamente pragmático, banalizou a vida humana, fez a nação declinar e rejeitou a voz profética.
Que a história de Acaz seja uma severa advertência para nós hoje, especialmente numa época em que o “errado” não parece ser errado, pois todo mundo faz. Que Deus nos encontre fiéis à sua Palavra.
Lista de estudos da série
1. Rei Saul e a Liderança Fracassada: Como o Poder sem Caráter Destrói uma Nação – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
2. Rei Davi e o Pastor Guerreiro: De Anônimo a Chefe de Estado – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
3. Rei Salomão e a Sabedoria: O Auge Econômico e o Perigo da Corrupção pelo Luxo – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
4. Rei Roboão e a Crise Fiscal: Quando a Opressão Estatal e Impostos Altos Dividem o Império – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
5. O Reino Dividido e a Geopolítica: Uma Análise dos Motivos e Consequências da Ruptura – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
6. Israel e Judá em Guerra Fria: A História de um Conflito Fratricida – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
7. Rei Jeroboão e a Religião de Estado: Usando a Fé como Manipulação Política para Manter o Poder – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
8. Rei Abias e a Guerra Civil: O Conflito Sangrento nas Fronteiras e a Vitória pela Fé – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
9. Rei Asa e a Reforma Nacional: Limpeza Institucional e o Erro das Alianças Estrangeiras – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
10. Rei Josafá e a Estratégia de Estado: O Poder da Educação Nacional e o Perigo das Coligações Políticas – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
11. Rei Acabe e a Tirania: O Confisco de Propriedade Privada e o Abuso de Poder – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
12. Rei Jeú e o Golpe Militar: O Banho de Sangue para Derrubar uma Dinastia Corrupta – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
13. Rei Joás e a Influência Política: Ascensão, Tutela Sacerdotal e Queda de um Governo – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
14. Rei Uzias e o Orgulho Militar: Quando o Sucesso Tecnológico e Bélico Leva à Ruína – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
15. Rei Acaz e o Pragmatismo: Alianças Perigosas com Superpotências e o Declínio Moral – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
16. Rei Ezequias e o Colapso Iminente: Fé para Enfrentar a Guerra Mundial e a Doença Mortal – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
17. Rei Manassés e a Reviravolta: Do Totalitarismo Sanguinário ao Arrependimento no Cativeiro – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
18. Rei Josias e a Constituição Divina: A Reforma Radical Baseada no Livro da Lei – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
19. Reis Jeoacaz, Jeoaquim e Zedequias: O Colapso Final e a Perda da Soberania Nacional – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
