Rei Joás e a Influência Política: Ascensão, Tutela Sacerdotal e Queda de um Governo – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

2 Crônicas 24:1-2, 17-18

Introdução

Todos nós já ouvimos a frase: "Fulano começou tão bem, mas terminou mal...". Essa expressão exemplifica uma situação muito comum em várias áreas da vida.

Uma pessoa começa bem em uma carreira, dando sinais promissores, mas não consegue evoluir. Um namoro que parece perfeito acaba em inimizade. Um projeto que tinha tudo para dar certo resulta no pior cenário que você poderia imaginar.

Na vida comum, estamos expostos a esses perigos. Mas na vida cristã, não podemos correr esse tipo de risco. A vida cristã exige que comecemos bem e terminemos bem. E isso se conecta com a história que vamos relembrar: a história do rei Joás.

Explicação

Antes de Joás assumir o trono, a situação do reino de Judá era desesperadora. Ele tinha uma avó chamada Atalia (filha de Acabe e Jezabel). Quando seu marido, Jeorão, e seu filho, Acazias, morreram, ela decidiu ocupar o trono e tornar-se rainha.

Para isso, ela mandou matar todos os seus netos. Ela reinou por seis anos e só não conseguiu matar Joás, seu neto mais novo, porque ele foi escondido durante todo esse tempo por Jeosabeate, a esposa do sacerdote Joiada.

2 Crônicas 22:11-12
11 - Mas Jeosabeate, filha do rei, tomou Joás, filho de Acazias, e o furtou dentre os filhos do rei, que estavam para ser mortos, e o pôs com a sua ama na câmara dos leitos. Assim Jeosabeate, filha do rei Jeorão, mulher do sacerdote Jeoiada e irmã de Acazias, o escondeu de Atalia, de modo que ela не o matou.
12 - E esteve com eles seis anos, escondido na casa de Deus; e Atalia reinou sobre a terra.

Ao final desses seis anos, Atalia foi morta durante uma revolução popular que queria ver Joás coroado rei. Assim, Joás foi aclamado como o legítimo rei de Judá, ocupando o trono com apenas sete anos de idade.

Os desafios que o rei Joás enfrentava eram imensos. Os seis anos anteriores foram de verdadeira confusão religiosa. O Templo do Senhor foi esquecido, e seus utensílios sagrados, usados para idolatria. O culto a deuses falsos, como Baal, havia sido estabelecido (2 Crônicas 23:17), e o povo tinha deixado de ser o "povo do Senhor".

2 Crônicas 24:7
Pois os filhos de Atalia, aquela mulher ímpia, tinham arruinado a casa de Deus; e até empregaram todas as coisas sagradas da casa do Senhor no serviço dos baalins.

Quando assumiu, Joás reinou por mais de quarenta anos. Durante seu reinado, o templo foi reparado e, por algum tempo, a verdadeira religião foi restaurada. Vamos destacar algumas lições que aprendemos de seu reinado.

1ª LIÇÃO: A IMPORTÂNCIA DA BOA INFLUÊNCIA

Ao lermos a história do rei Joás, percebemos claramente que seu sucesso inicial aconteceu por ter sido bem aconselhado. Afinal, Joás era um garoto de apenas sete anos quando assumiu o trono, sem maturidade para tomar as decisões de um adulto e governar sozinho.

Era necessária uma mentoria. E aí entra o excelente papel do sacerdote Joiada, que não apenas protegeu Joás de ser assassinado, mas também se tornou seu tutor. Dificilmente o rei conseguiria fazer algo bom sem a assessoria e a influência de Joiada. A própria Bíblia registra essa realidade:

2 Crônicas 24:2
E Joás fez o que era reto aos olhos do Senhor por todos os dias do sacerdote Jeoiada.

Ninguém governa sozinho. Um presidente, um governador ou um rei precisam de cooperadores para elaborar e dirigir o Estado. Joiada era um homem com virtudes essenciais: paciente, preparado, determinado e dedicado, com uma vida santificada a Deus. 

Ele foi uma boa influência para o rei e para todo o povo, um verdadeiro homem de Deus. Sua influência foi tão grande que, quando faleceu, recebeu honras de um rei.

2 Crônicas 24:16
E o sepultaram na cidade de Davi com os reis, porque tinha feito o bem em Israel, e para com Deus e sua casa.

O brilho inicial do reinado de Joás se deve a este ótimo assessor. Enquanto Joiada viveu, prevaleceu o interesse pela verdadeira religião.

Aplicação

A lição que tiramos disso é a importância de uma boa influência. É fundamental nos cercarmos de pessoas sábias, éticas e comprometidas com Deus, que nos orientem, aconselhem e nos deem assistência. Aplicando isso à vida cristã, há pelo menos dois aspectos práticos:

  • O cristão deve procurar andar com pessoas de boa influência;
  • O cristão deve ser uma boa influência para os que convivem com ele.

Essas duas realidades estão no contexto da vida em comunidade, onde, como igreja, cuidamos uns dos outros. Mas devemos sempre ter discernimento. 

Muitas vezes, somos obrigados a conviver com pessoas que não são boas influências, como no trabalho. Mesmo com essas pessoas, podemos aprender como não devemos ser e o que não devemos fazer.

Conta-se a história de um experimento, por volta de 1930, em que psicólogos criaram um chimpanzé bebê ao lado de seu filho recém-nascido, para ver se o animal aprenderia o comportamento humano. Depois de nove meses, tiveram que parar o experimento. 

O chimpanzé não começou a agir como humano, mas o filho deles começou a se comportar como o chimpanzé.

Como diz o ditado: "Cuidado com o ambiente que você escolhe, pois ele o moldará; cuidado com os amigos que você escolhe, pois você se tornará como eles."

2ª LIÇÃO: O VALOR DE UMA BOA ALIANÇA

Como mencionado, a avó de Joás, Atalia, era adepta do culto a Baal e influenciou o povo nessa prática. Mas quando Joás assumiu, sob a influência de Joiada, ele trouxe novas perspectivas religiosas.

2 Reis 11:17
Ora, Jeoiada firmou um pacto entre o Senhor e o rei e o povo, pelo qual este seria o povo do Senhor; como também firmou pacto entre o rei e o povo.

Observe que a aliança era entre Deus, o governo e o povo. O resultado foi a volta da verdadeira religião e a restauração da casa do Senhor. 

Atalia e seus filhos haviam profanado o templo, mas isso iria mudar. Houve uma restauração religiosa e, como fruto dessa aliança, o rei organizou a coleta de impostos para a obra de reparo do templo.

2 Crônicas 24:8-9
O rei, pois, deu ordem; e fizeram uma arca, e a puseram do lado de fora, à porta da casa do Senhor. E publicou-se em Judá e em Jerusalém que trouxessem ao Senhor o imposto que Moisés, o servo de Deus, havia ordenado a Israel no deserto.

Através dessa aliança, o templo de Baal foi destruído (2 Reis 11:17-18). O rei também fez uma "aliança com o povo", que deu legitimidade e sustentação ao seu governo.

Aplicação

Quando olhamos para a história da igreja, especialmente quando ela se tornou a religião oficial do Estado, notamos que uma grande oportunidade foi perdida. Num mundo ideal, seria a chance de uma verdadeira aliança entre governo e povo, ambos temendo a Deus.

Mas o ser humano é falho e sedento por poder. A união entre religião e governo resultou em desvios e distorções do cristianismo original, com uma mistura de poder religioso e poder secular. 

A igreja chegou a perseguir e matar, reis buscavam a bênção do papa para seus próprios fins, e o povo sofria em superstições, sem acesso à Bíblia.

Hoje, a maioria dos governos adota o princípio do estado laico. Mas o povo de Deus continua sendo o povo de Deus e tem uma aliança a zelar. Quando estamos em aliança com Deus e vivemos de acordo com ela, isso traz bons frutos para as pessoas e para a sociedade. 

O mundo nos oferece muitos acordos e propostas para nos distanciar de Deus. Quando negociamos com nosso inimigo, ele promete o que queremos, mas apenas para tomar o que ele realmente quer: nossa alma.

Muitos estão deixando de lado a aliança com Deus. Será que estamos vivendo essa aliança? Hoje, vemos muita emoção nos cultos, mas muitas vezes falta caráter, fome e sede de justiça. Dizer que é cristão não significa muito; as pessoas querem ver se você se comporta, de fato, como um cristão.

3ª LIÇÃO: ABANDONAR A DEUS É UM ERRO FATAL

Infelizmente, o que começou bem acabou mal. A história do reinado de Joás muda completamente depois que seu tutor, Joiada, morreu. O desvio da fé voltou com força total, porque os príncipes de Judá convenceram o rei a voltar atrás em suas decisões e a retornar à idolatria.

2 Crônicas 24:17-18
E depois da morte de Jeoiada vieram os príncipes de Judá e prostraram-se diante do rei; então o rei lhes deu ouvidos. E eles, abandonando a casa do Senhor, Deus de seus pais, serviram aos aserins e aos ídolos; de sorte que veio grande ira sobre Judá e Jerusalém por causa desta sua culpa.

Deus enviou profetas para exortá-los a voltarem ao Senhor, mas de nada adiantou (2 Crônicas 24:19). O clímax da decadência estava por vir. Zacarias, um homem reto, foi levantado por Deus para denunciar os pecados do rei e do povo.

E quem era Zacarias? Era filho do sacerdote Joiada, o tutor e salvador de Joás. Em um ato absurdo de maldade e ingratidão, o rei Joás mandou apedrejar o filho do homem que o protegeu da morte.

2 Crônicas 24:20-22
E o Espírito de Deus apoderou-se de Zacarias, filho do sacerdote Jeoiada, o qual se pôs em pé acima do povo, e lhes disse: Assim diz Deus: Por que transgredis os mandamentos do Senhor, de modo que não possais prosperar? Porquanto abandonastes o Senhor, também ele vos abandonou. Mas conspiraram contra ele e por ordem do rei, o apedrejaram no átrio da casa do Senhor. Assim o rei Joás не se lembrou da bondade que lhe fizera Jeoiada pai de Zacarias, antes matou-lhe o filho, o qual morrendo disse: Veja-o o Senhor, e o retribua.

Joás desprezou as profecias e esqueceu rapidamente de seu assessor. Ele cometeu um erro fatal: abandonou os mandamentos, deu ouvidos às más influências e rompeu sua aliança com Deus e com o povo.

Além disso, Joás, que havia reparado o templo, resolveu profaná-lo, entregando os utensílios sagrados e o ouro a Hazael, rei da Síria, para evitar ser atacado (2 Reis 12:18). 

Seu erro final foi fatal e custou-lhe a vida. O exército dos sírios, com poucos homens, derrotou o numeroso exército de Judá (2 Crônicas 24:24). 

Os servos de Joás, em vez de cuidarem dele, o assassinaram em sua própria cama. Em seu sepultamento, não lhe deram as honras de um rei (2 Crônicas 24:25).

Joás не soube aproveitar o bom começo de seu reinado. Abandonou os bons conselhos, os bons amigos e a Deus. As consequências foram terríveis para ele, para os líderes e para todo o país.

Aplicação

Um bom final é tão importante quanto um bom começo. Hoje, tantos se esfriaram na fé por desânimo, problemas, dureza de coração, pecado ou por ouvirem más influências. O Salmo 16:4 é um aviso importante: não devemos abandonar a Deus nem o que aprendemos d'Ele.

Salmo 16:4
Aqueles que escolhem a outros deuses terão as suas dores multiplicadas; eu não oferecerei as suas libações de sangue, nem tomarei os seus nomes nos meus lábios.

CONCLUSÃO

"Começou bem, mas acabou mal..." – esta frase resume a vida de Joás. Que essa história nos leve a refletir sobre nossa própria vida.

  • Sobre a importância de andar com pessoas de boa influência e também de sermos essa boa influência.
  • Sobre o valor que devemos dar à aliança que temos com Deus, vivendo de acordo com seus padrões.
  • Sobre a consciência de que abandonar a Deus é um erro fatal.

Lista de estudos da série

1. Rei Saul e a Liderança Fracassada: Como o Poder sem Caráter Destrói uma Nação – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

2. Rei Davi e o Pastor Guerreiro: De Anônimo a Chefe de Estado – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

3. Rei Salomão e a Sabedoria: O Auge Econômico e o Perigo da Corrupção pelo Luxo – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

4. Rei Roboão e a Crise Fiscal: Quando a Opressão Estatal e Impostos Altos Dividem o Império – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

5. O Reino Dividido e a Geopolítica: Uma Análise dos Motivos e Consequências da Ruptura – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

6. Israel e Judá em Guerra Fria: A História de um Conflito Fratricida – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

7. Rei Jeroboão e a Religião de Estado: Usando a Fé como Manipulação Política para Manter o Poder – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

8. Rei Abias e a Guerra Civil: O Conflito Sangrento nas Fronteiras e a Vitória pela Fé – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

9. Rei Asa e a Reforma Nacional: Limpeza Institucional e o Erro das Alianças Estrangeiras – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

10. Rei Josafá e a Estratégia de Estado: O Poder da Educação Nacional e o Perigo das Coligações Políticas – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

11. Rei Acabe e a Tirania: O Confisco de Propriedade Privada e o Abuso de Poder – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

12. Rei Jeú e o Golpe Militar: O Banho de Sangue para Derrubar uma Dinastia Corrupta – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

13. Rei Joás e a Influência Política: Ascensão, Tutela Sacerdotal e Queda de um Governo – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

14. Rei Uzias e o Orgulho Militar: Quando o Sucesso Tecnológico e Bélico Leva à Ruína – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

15. Rei Acaz e o Pragmatismo: Alianças Perigosas com Superpotências e o Declínio Moral – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

16. Rei Ezequias e o Colapso Iminente: Fé para Enfrentar a Guerra Mundial e a Doença Mortal – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

17. Rei Manassés e a Reviravolta: Do Totalitarismo Sanguinário ao Arrependimento no Cativeiro – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

18. Rei Josias e a Constituição Divina: A Reforma Radical Baseada no Livro da Lei – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

19. Reis Jeoacaz, Jeoaquim e Zedequias: O Colapso Final e a Perda da Soberania Nacional – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

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