Rei Uzias e o Orgulho Militar: Quando o Sucesso Tecnológico e Bélico Leva à Ruína – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

Texto básico: 2 Crônicas 26:1-15

O reinado de Uzias, também chamado Azarias (2 Reis 15:7), durou cinquenta e dois anos. Ele foi o nono rei de Judá. Quando o profeta Isaías começou seu ministério, Uzias ainda vivia (Isaías 1:1 e 6:1).

Tendo subido ao trono com apenas dezesseis anos, Uzias, em sua vida espiritual, foi orientado pelo profeta Zacarias, “que era entendido nas visões de Deus” (2 Crônicas 26:5). 

Essa orientação de um servo do Senhor, naturalmente, deu a Uzias o discernimento necessário para realizar a obra que o tornou um dos mais famosos reis de Judá.

A) PRIMEIRA FASE DO SEU REINADO

1. Prosperidade ao buscar o Senhor

Poderíamos dividir o longo reinado de Uzias em duas fases: a primeira, que vai de sua ascensão ao trono até o dia em que, cheio de orgulho, ultrapassou os limites de suas funções; e a segunda, que vai do dia em que ficou leproso até sua morte.

A primeira fase de seu governo pode ser resumida nestas palavras das Escrituras: “Nos dias em que buscou ao Senhor, Deus o fez prosperar” (2 Crônicas 26:5). O versículo 15 do mesmo capítulo acrescenta que Uzias “foi maravilhosamente ajudado, até que se tornou forte”.

2. Realizações militares e agropecuárias

Uzias foi um rei dinâmico. Suas realizações no campo militar, reunindo e treinando um exército poderoso, o apontam como um guerreiro vitorioso. No entanto, suas atividades não se limitaram a conquistas político-militares nem à fortificação de cidades. 

O texto sagrado nos diz que Uzias "cavou muitas cisternas, porque tinha muito gado, tanto nos vales como nas campinas" (2 Crônicas 26:10).

Isso significa que Uzias desenvolveu a agropecuária, procurando criar a riqueza econômica que o tornou famoso, a ponto de seu renome se espalhar até a fronteira do Egito (2 Crônicas 26:8).

O texto também diz que Uzias "tinha lavradores e vinhateiros, nos montes e nos campos férteis, porque era amigo da agricultura” (2 Crônicas 26:10). Durante seu reinado, a agropecuária e a agricultura se tornaram uma expressiva fonte de riqueza e prosperidade.

3. O fortalecimento e o início da queda

Uzias desenvolveu também a produção de armamentos, determinando que se fabricassem “escudos”, “lanças”, “capacetes”, “couraças”, “arcos” e “máquinas de invenção de homens peritos, destinadas para as torres e cantos das muralhas, para atirarem flechas e grandes pedras” (2 Crônicas 26:14-15).

Tendo sido “maravilhosamente ajudado”, Uzias se tornou forte. Enquanto estava crescendo, buscava ao Senhor. Porém, quando se julgou suficientemente forte, "exaltou-se o seu coração para a sua própria ruína" (2 Crônicas 26:16).

B) A SEGUNDA FASE DO REINADO DE UZIAS

1. O orgulho e a transgressão

Se no começo de seu reinado Uzias se mostrou humilde, agindo como servo de Deus, a segunda fase foi marcada pelo orgulho. No fim de seu governo, ele quis agir como senhor, e não como servo. O fato de ser um rei poderoso já não o satisfazia; sua ambição crescera assustadoramente. 

Ele agora desejava ser grande também nas atividades específicas dos sacerdotes: queria queimar incenso no altar. Filha do orgulho e da ambição, a insensatez tomou conta de seu coração.

Repreendido pelos sacerdotes liderados por Azarias, Uzias, em vez de reconhecer seu erro, ficou indignado. O sucesso havia afetado seu entendimento.

2. A lepra e a humilhação

No momento em que ele se indignava contra os sacerdotes, “a lepra lhe saiu na testa perante os sacerdotes, na casa do Senhor, junto ao altar do incenso” (2 Crônicas 26:19). 

Vendo que o rei estava leproso, os sacerdotes “apressadamente o lançaram fora; até ele mesmo se deu pressa em sair, visto que o Senhor o ferira” (2 Crônicas 26:20).

De modo doloroso e humilhante, Deus mostrou a Uzias que o orgulho não cabe ao homem, limitado e impotente. A posição de poder que Uzias atingira, com a ajuda do Senhor, era agora a causa de sua derrota, pois seu coração se desviara de Deus. 

Quando o homem atribui a si mesmo a grandeza que alcançou, ele se torna vítima de suas próprias limitações. Cabe recordar a sábia advertência de Paulo:

Romanos 12:3
“Digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo, além do que convém, antes pense com moderação segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um.”

3. A visão de Isaías

Ao declarar que viu o Senhor “assentado em um alto e sublime trono”, “no ano em que morreu o rei Uzias”, o profeta Isaías (6:1) nos dá uma ideia clara da medida do homem em contraste com a grandeza de Deus. 

Uzias fora grande, crescera, enchera-se de poder. Depois, vítima de seu orgulho, caíra e, ferido de lepra, “morou em uma casa separada, porque foi excluído da casa do Senhor” (2 Crônicas 26:21).

Na belíssima visão de Isaías, o trono, símbolo de autoridade, não estava vazio: Deus estava assentado nele. A verdadeira autoridade, a fonte da autoridade, не se corrompe nem perece. Se Uzias se corrompeu e pereceu, isso não acontece com o Senhor.

CONCLUSÃO

A experiência de Uzias, como homem, tem se repetido através dos séculos. O fato de ser elevado a uma posição de poder não tira do ser humano sua condição de ser limitado, falível e dependente. 

A diferença é que, quando guindado a uma posição de responsabilidade, o homem pode exercer uma influência prejudicial sobre os que dele dependem, arruinando a administração pública e desperdiçando os recursos que deveria aplicar.

A queda de Uzias se deveu ao fato de ele pensar que podia bastar a si mesmo. Ele não percebeu que, como homem e rei, não podia ser entendido isoladamente, mas em função de sua relação com a comunidade e com Deus, a quem servia.

Quando uma pessoa perde a noção dessa relação fundamental com sua comunidade e com seu Criador, se ela dispõe de poder, torna-se extremamente perigosa. 

Hoje, vemos as consequências da política baseada no personalismo, desvinculada da comunidade e de Deus. Governos assim se associam à defesa dos direitos da comunidade apenas para se manterem no poder, deformados por sua ambição pessoal.

O governo só pode proporcionar direito e justiça se se mantiver dentro dos padrões divinos revelados nas Escrituras. Deus, em Suas leis imutáveis, não tolera a arbitrariedade de nenhum governo.

Deus tem muitos modos de julgar governos arbitrários, como julgou os de Saul, Davi, Salomão e, especialmente, o de Uzias.


Lista de estudos da série

1. Rei Saul e a Liderança Fracassada: Como o Poder sem Caráter Destrói uma Nação – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

2. Rei Davi e o Pastor Guerreiro: De Anônimo a Chefe de Estado – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

3. Rei Salomão e a Sabedoria: O Auge Econômico e o Perigo da Corrupção pelo Luxo – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

4. Rei Roboão e a Crise Fiscal: Quando a Opressão Estatal e Impostos Altos Dividem o Império – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

5. O Reino Dividido e a Geopolítica: Uma Análise dos Motivos e Consequências da Ruptura – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

6. Israel e Judá em Guerra Fria: A História de um Conflito Fratricida – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

7. Rei Jeroboão e a Religião de Estado: Usando a Fé como Manipulação Política para Manter o Poder – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

8. Rei Abias e a Guerra Civil: O Conflito Sangrento nas Fronteiras e a Vitória pela Fé – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

9. Rei Asa e a Reforma Nacional: Limpeza Institucional e o Erro das Alianças Estrangeiras – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

10. Rei Josafá e a Estratégia de Estado: O Poder da Educação Nacional e o Perigo das Coligações Políticas – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

11. Rei Acabe e a Tirania: O Confisco de Propriedade Privada e o Abuso de Poder – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

12. Rei Jeú e o Golpe Militar: O Banho de Sangue para Derrubar uma Dinastia Corrupta – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

13. Rei Joás e a Influência Política: Ascensão, Tutela Sacerdotal e Queda de um Governo – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

14. Rei Uzias e o Orgulho Militar: Quando o Sucesso Tecnológico e Bélico Leva à Ruína – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

15. Rei Acaz e o Pragmatismo: Alianças Perigosas com Superpotências e o Declínio Moral – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

16. Rei Ezequias e o Colapso Iminente: Fé para Enfrentar a Guerra Mundial e a Doença Mortal – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

17. Rei Manassés e a Reviravolta: Do Totalitarismo Sanguinário ao Arrependimento no Cativeiro – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

18. Rei Josias e a Constituição Divina: A Reforma Radical Baseada no Livro da Lei – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

19. Reis Jeoacaz, Jeoaquim e Zedequias: O Colapso Final e a Perda da Soberania Nacional – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel

Semeando Vida

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