Textos básicos: 2 Reis 18:1-6; 19:14-19
Ao estudarmos este tema, veremos que o Deus de Israel — um Deus de providência, a cujo domínio nada escapa — é um Deus vivo, que não se confunde com os deuses inativos e impotentes que os homens criam à sua imagem e semelhança.
A fé que Ezequias revelou neste Deus nos dá a oportunidade de apreciar hoje alguns aspectos da verdade revelada.
A) O QUE É FÉ?
1. A definição de fé
Mostrando o que entendia por fé, o autor da Carta aos Hebreus escreveu:
Hebreus 11:1
“Ora, a fé é a certeza das coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se veem.”
Essa certeza e convicção não se adquirem da mesma forma que a certeza e a convicção científicas. Os cientistas, em seus laboratórios, fazendo experiências baseadas em leis e fatos que conhecem, sabem que chegarão a determinados resultados.
Nesse modo de agir, eles são guiados pela luz da razão e pelos recursos que a ciência lhes oferece.
2. A natureza do conhecimento pela fé
Porém, a certeza e a convicção que a fé nos assegura não podem ser alcançadas por esse processo. Elas não vêm pela luz da razão nem pelos recursos da ciência, porque o conhecimento que a fé nos proporciona é de outra natureza.
É um conhecimento que alcançamos através de nossa comunhão com Deus. A intuição religiosa, própria do ser humano, o leva a captar e apreender a revelação de Deus.
Assim, a certeza e a convicção que a fé nos dá em assuntos religiosos são tão seguras quanto a certeza e a convicção que o homem adquire através das ciências em assuntos científicos.
3. Fé e ciência
Quando intelectuais criticam a fé, taxando-a de irracional, cometem um erro primário. A fé escapa inteiramente à investigação científica e, nem por isso, deixa de ser uma profunda realidade na experiência humana. No dia em que a fé se tornar "racional", no sentido científico, deixará de ser fé para se tornar ciência.
Fé e ciência não são incompatíveis, se forem verdadeiramente fé e ciência. Assim como existe caricatura da fé, existe também caricatura da ciência.
Aqueles que, baseados em falsos pressupostos, condenam o dogmatismo da fé, deveriam, para serem coerentes, condenar também o dogmatismo da ciência.
A verdadeira fé, como a verdadeira ciência, se impõe por meio dos fatos que evidencia. Negar as evidências da fé seria tão insensato quanto negar as evidências da ciência.
B) A FÉ NÃO EVITA EXPERIÊNCIAS DOLOROSAS
1. O desafio de Senaqueribe
Senaqueribe, rei da Assíria, que havia vencido e subjugado outras nações cujos deuses se mostraram impotentes (2 Reis 18:33-35), se apresentou vitorioso diante do rei Ezequias, exigindo sua submissão absoluta.
Rabsaqué, porta-voz de Senaqueribe, confiando nas vitórias anteriores, desafiou o Deus de Israel e humilhou o povo de Judá com palavras duras (2 Reis 18:27). Ele clamou ao povo para que não desse ouvidos às promessas de livramento que Ezequias lhes fazia em nome de Deus, tentando convencê-los a se renderem com promessas de paz e prosperidade (2 Reis 18:31-33).
2. A oração de Ezequias
Na oração que fez a Deus, pedindo livramento (2 Reis 19:14-19), Ezequias reconheceu a superioridade militar de Senaqueribe e a veracidade de suas vitórias.
Contudo, ele também reconheceu que essas vitórias foram alcançadas porque os deuses dos povos subjugados não eram verdadeiros, mas obras das mãos dos homens (2 Reis 19:17-18).
Embora fosse um homem de fé, Ezequias se sentiu profundamente humilhado, mas sua confiança em Deus não diminuiu. Ele consultou o profeta Isaías (2 Reis 19:1-7) и se sentiu confortado com a resposta que recebeu (2 Reis 19:20-34).
3. A soberania de Deus
Das palavras com que Isaías conforta o rei, podemos concluir que as vitórias de Senaqueribe haviam sido permitidas por Deus. Referindo-se a ele, Deus disse ao profeta:
2 Reis 19:25
“Acaso não ouviste que já há muito dispus eu estas coisas, já desde os dias remotos o tinha planejado? Agora, porém, as faço executar, e eu quis que tu reduzisses a montões de ruínas as cidades fortificadas.”
Assim, por meio de Isaías, Ezequias ficou sabendo que as glórias de Senaqueribe estavam no fim. O fiel rei de Judá podia, agora, antecipar os resultados concretos de sua fé.
A fé, de fato, não evita as experiências dolorosas, mas, sem dúvida, nos conduz à vitória certa. Esta foi a experiência de Ezequias, e esta é a experiência de todos que amam a Jesus Cristo e temem a Deus.
C) A FÉ CONSTITUI BASE PARA A AÇÃO
1. A oração da fé
Orando a Deus em sua enfermidade, Ezequias manifestou confiança inabalável no poder de Deus. Quando Isaías lhe disse: “Põe em ordem a tua casa, porque morrerás, e não viverás” (2 Reis 20:1), o rei orou, e o Senhor o atendeu, prometendo e dando-lhe a cura. O fato de buscar a Deus nos mostra que Ezequias confiava na misericórdia divina.
A oração de Ezequias foi uma ação eficiente de sua alma crente, e a resposta imediata de Deus torna evidente que ele orou com fé (1 Samuel 1:10; Jó 42:10; Isaías 38:2-8; Atos 4:31; Tiago 1:6; 5:15).
2. Fé e obras
A ação da fé se mostra na obediência. A fé, como revelada no Novo Testamento, une o pensamento à vida, tornando a teoria e a ação uma só coisa.
É por isso que Tiago não admite, no cristão, a separação entre fé e obras. Havendo fé, seguir-se-ão, inevitavelmente, as obras que ela produz. A fé sem obras não salva, simplesmente porque a fé sem obras não existe (Tiago 2:14-26).
Se nós hoje, como cristãos, passarmos a viver nos termos da fé que pregamos, reviveremos o cristianismo vitorioso que, nos primórdios da era cristã, abalou os alicerces do Império Romano.
3. A superioridade da fé
A fé, como base para a ação, é infinitamente superior a qualquer ideologia humana. A força de ideologias como o comunismo histórico estava no fato de prometerem a realização da Justiça Social.
No entanto, embora apontassem problemas reais, a solução que ofereciam não satisfazia às mais profundas necessidades do homem.
cristianismo que tais ideologias criticavam era, muitas vezes, uma caricatura do verdadeiro cristianismo. Diante de um cristianismo deformado, sistemas agressivos levam vantagem.
Porém, se destruirmos a caricatura do cristianismo e, em seu lugar, fizermos prevalecer a fé que produziu mártires, veremos no dinamismo da fé cristã uma força que sobrepuja todas as razões humanas.
CONCLUSÃO
Ezequias enfrentou os problemas de seu tempo, confiando em Deus e agindo como Seu servo. A fé que ele depositava em Deus deu-lhe motivação suficiente para agir com segurança.
Há, no mundo de hoje, forças que se assemelham às de Senaqueribe: zombam de Deus e humilham os que n'Ele confiam.
Em vez de confiarmos em Deus e agirmos como Seus servos, procuramos fazer alianças que, fatalmente, nos comprometem.
Fugimos da responsabilidade de enfrentar os problemas do nosso tempo, temendo perder nossa vida e, com essa atitude, nos tornamos infiéis a Deus. Se, como os heróis da fé, considerarmos esta vida uma peregrinação, nada neste mundo impedirá que demos um poderoso testemunho do Senhor.
Lista de estudos da série
1. Rei Saul e a Liderança Fracassada: Como o Poder sem Caráter Destrói uma Nação – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
2. Rei Davi e o Pastor Guerreiro: De Anônimo a Chefe de Estado – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
3. Rei Salomão e a Sabedoria: O Auge Econômico e o Perigo da Corrupção pelo Luxo – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
4. Rei Roboão e a Crise Fiscal: Quando a Opressão Estatal e Impostos Altos Dividem o Império – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
5. O Reino Dividido e a Geopolítica: Uma Análise dos Motivos e Consequências da Ruptura – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
6. Israel e Judá em Guerra Fria: A História de um Conflito Fratricida – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
7. Rei Jeroboão e a Religião de Estado: Usando a Fé como Manipulação Política para Manter o Poder – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
8. Rei Abias e a Guerra Civil: O Conflito Sangrento nas Fronteiras e a Vitória pela Fé – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
9. Rei Asa e a Reforma Nacional: Limpeza Institucional e o Erro das Alianças Estrangeiras – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
10. Rei Josafá e a Estratégia de Estado: O Poder da Educação Nacional e o Perigo das Coligações Políticas – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
11. Rei Acabe e a Tirania: O Confisco de Propriedade Privada e o Abuso de Poder – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
12. Rei Jeú e o Golpe Militar: O Banho de Sangue para Derrubar uma Dinastia Corrupta – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
13. Rei Joás e a Influência Política: Ascensão, Tutela Sacerdotal e Queda de um Governo – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
14. Rei Uzias e o Orgulho Militar: Quando o Sucesso Tecnológico e Bélico Leva à Ruína – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
15. Rei Acaz e o Pragmatismo: Alianças Perigosas com Superpotências e o Declínio Moral – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
16. Rei Ezequias e o Colapso Iminente: Fé para Enfrentar a Guerra Mundial e a Doença Mortal – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
17. Rei Manassés e a Reviravolta: Do Totalitarismo Sanguinário ao Arrependimento no Cativeiro – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
18. Rei Josias e a Constituição Divina: A Reforma Radical Baseada no Livro da Lei – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
19. Reis Jeoacaz, Jeoaquim e Zedequias: O Colapso Final e a Perda da Soberania Nacional – Estudo Bíblico sobre os reis de Israel
