Os 12 homens comuns escolhidos para uma missão impossível - Estudo Bíblico sobre Marcos 1 e 6


Marcos 1.13-19; 6.7-13

Que lhe parece? É melhor uma associação composta de duzentos associados que nada ou quase nada fazem, ou um grêmio de dez ou doze componentes em que todos os agremiados trabalham com entusiasmo pelos objetivos do grupo?

E que é melhor? Uma associação em que todos mandam e cada um faz o que lhe dá na telha, ou uma associação em que há liderança eficiente, uma dinâmica e bem ordenada hierarquia de funções e uma equilibrada e inteligente distribuição de encargos e tarefas?

Estes dois pontos, eminentemente práticos, são abordados na presente lição, com vistas à obra da igreja de Cristo. Passemos ao conteúdo da lição:

1. JESUS E SEUS COLABORADORES

a. Notemos em primeiro lugar a soberania do Senhor Jesus, pois "chamou os que ele mesmo quis" (vers. 13). Jesus tinha autoridade divina para fazer essa escolha. Alguns pensam que Jesus só recebeu "toda a autoridade" depois da ressurreição (Mt 28.18).

Leia, porém, Mt 11.27 - "Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai; e ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar".

b. Notemos em seguida que a passagem nos faz pensar em três tipos de pessoas, com relação a Jesus: 1.° - Discípulos chamados por Jesus; 2.° - Dentre esses discípulos, os doze, incumbidos de missão especial; 3.° - As pessoas que não foram chamadas por Jesus.

É importante pensar nesse aspecto da passagem, porque essa tríplice classificação permanece em nossos dias, e certamente permanecerá até o fim do mundo, sendo que, normalmente, o 2.° tipo é representado pelos ministros da Palavra.

c. Em terceiro lugar, observemos a atitude daqueles que Jesus chamou: "vieram para junto dele" (vers. 13). Atenderam pronta e obedientemente ao chamado de Jesus.

d. Os doze. Jesus designou doze e lhes deu o nome de apóstolos (Lc 6.13), que quer dizer "enviados". O número lembra as doze tribos de Israel. As doze tribos de Israel lembram a igreja do Velho Testamento; os doze apóstolos representam o Israel do Novo Testamento, a igreja Cristã. Aqueles apóstolos receberam missão especial e seriam companheiros de Jesus e testemunhas da ressurreição de Cristo (At 1.21,22).

Por isso, quando a palavra "apóstolos" é usada com referência a eles, tem um sentido técnico, indicando uma categoria de oficiais da igreja que só existiu até à morte do último deles, João. Na ordem em que aparecem no Evangelho Segundo Marcos, os doze apóstolos são:

(1) Simão, a quem Jesus mesmo deu o nome de Pedro. Temperamento impulsivo, veio a ser o elemento representativo do grupo. Precipitado, com a mesma facilidade com que falava e agia acertadamente, falava e agia erradamente. Ver, por exemplo, Mt 16.16,22. Com o tempo, principalmente depois da morte e ressurreição de Jesus, tornou-se humilde e exerceu importante apostolado.

(2) Tiago, filho de Zebedeu. Irmão de João. Estes dois irmãos e os irmãos André e Simão trabalhavam juntos como pescadores. Tiago foi um dos três discípulos mais chegados a Jesus (ver Mc 5.37 e 9.2). A mãe de Tiago era Salomé, provavelmente irmã de Maria, mãe de Jesus (Mt 27.56; Mc 15.40; Jo 19.25). Tiago foi o primeiro dos apóstolos a sofrer martírio (At 12.2).

(3) João, irmão de Tiago. João foi "o discípulo amado". Escreveu o quarto evangelho, três epístolas ou cartas e o Livro de Apocalipse. Ele e seu irmão receberam de Jesus o apelido de "Boanerges" (filhos do trovão), certamente por seu temperamento fogoso.

(4) André, irmão de Simão Pedro, com quem morava em Cafarnaum (Mt 4.13,18). Foi um dos primeiros a seguir a Jesus (Jo 1.35,37,40). Levou seu irmão Simão Pedro a Jesus. Nada se sabe com segurança sobre a sua vida depois da ascensão de Jesus.

(5) Filipe. Foi um dos primeiros a serem chamados, e o chamado foi feito diretamente por Jesus. Levou Natanael a Jesus. Observação: Não confundir Filipe, o apóstolo, com o diácono e evangelista (At 6.5; 8.5).

(6) Bartolomeu. É o mesmo Natanael, levado a Jesus por Filipe (Jo 1.44-47). Jesus elogiou o caráter íntegro de Natanael (Jo 1.47).

(7) Mateus, o publicano. Também chamado Levi (Mt 9.9; Mc 2.14). Autor do evangelho que leva o seu nome. Não existe boa base para dizer-se que Alfeu, pai de Mateus (Mc 2.14), é também o pai de Tiago, o menor (Mc 3.18; 15.40).

(8) Tomé, o Dídimo, isto é o Gêmeo. Talvez irmão gêmeo de Tiago, filho de Alfeu. Dedicado mas realista, duvidou da ressurreição do Mestre (Jo 11.16; 20.25). Note-se, porém, o seu eloquente testemunho sobre a divindade de Jesus, em Jo 20.28.

(9) Tiago, filho de Alfeu, chamado "o menor", filho de uma das mulheres que estavam assistindo à crucificação de Jesus (Mc 15.40). Nada se sabe da sua vida posterior ao Pentecoste, após a ressurreição de Cristo.

(10) Tadeu, chamado "Judas, filho de Tiago" (Lc 6.16; At 1.13). Em algumas versões é chamado Lebeu. Segundo algumas versões, Judas era irmão de Tiago. A explicação disso é que no original grego a expressão é "Judas de Tiago". Em Jo 14.22 está a única referência a ele, fora a da lista dos apóstolos.

(11) Simão o Zelote. Chamado Zelote porque tinha pertencido a um partido nacionalista que foi uma das forças de resistência aos romanos.

(12) Judas Iscariotes, o traidor. Natural de Queriote, na Judéia. Dos doze, só este não era galileu.

Eram tipos diferentes, o que mostra que não há necessidade de os obreiros cristãos serem tipos iguais em tudo.

2. JESUS DÁ INSTRUÇÕES A SEUS COLABORADORES

(Mc 6.7-13)

a. Temos na passagem anotada acima a descrição do preparo para a missão e um breve relato do trabalho feito. Podemos dividi-la da seguinte maneira:

1º - Capacitação (vers. 7): Jesus lhes deu autoridade sobre os espíritos imundos. Isto funcionaria como credencial, facilitando a realização do trabalho.

2º - Método (vers. 7-11). Segundo as instruções de Jesus, os apóstolos deveriam seguir os seguintes procedimentos:

(1) Deviam ir de dois em dois, para estímulo e exortação um ao outro.

(2) Não deviam levar nem equipamentos, nem outras mudas de roupa, nem provisões de boca, nem dinheiro. As famílias visitadas deveriam provê-los do necessário.

(3) Em cada cidade ou vila não deviam ficar um dia numa casa, outro dia noutra, o que dificultaria o trabalho e poderia desmoralizar os apóstolos, que pareceriam estar sendo tratados como mendigos.

(4) As pessoas que os rejeitassem receberiam deles um gesto de dura repreensão (ver Lc 10.16).

3º - Trabalho realizado (vers. 12,13). Pregavam o arrependimento - pregação básica e indispensável. Expeliam demônios. Curavam enfermos. A unção com óleo era feita como símbolo da bênção de Deus e, ao mesmo tempo, como remédio de simples e geral aplicação (ver Is 1.6 e Lc 10.34).

3. JESUS E O SEU PROGRAMA DE AÇÃO

(Mc 16.15)

a. Na missão apostólica estudada na seção anterior, os apóstolos não foram enviados aos gentios, mas, sim, às "ovelhas perdidas da casa de Israel" (Mt 10.6) - e a estas ele pregaram o arrependimento.

b. Na missão dada por Jesus a "outros setenta" (Lc 10.1), os enviados deviam visitar os lugares e cidades aonde Jesus iria depois. 

Também foram revestidos de poderes especiais e deviam pregar a mensagem do reino de Deus (Lc 10.9). E receberam instruções do Mestre (Lc 10.1-12). Quando os setenta voltaram, estavam alegres pelo êxito da missão, porque os demônios se submetiam a eles pelo nome de Jesus (Lc 10.17).

Jesus partilhou do entusiasmo deles (vers. 18,19), mas salientou a salvação eterna dos pecadores como valor mais alto do que a submissão dos demônios! (vers. 20).

c. Tudo isto mostra a importância do programa de ação que Jesus estabeleceu para os Seus discípulos em Mc 16.15. Pregação pessoal e universal do Evangelho. Essa tarefa não compete somente aos apóstolos, nem só aos pastores, mas a todos os que creem no Senhor Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador.

Há muitas obras para realizarmos como discípulos de Cristo e em nome dele. Nenhuma se compara, porém, à de levar pecadores aos pés do bendito Salvador para que, arrependidos e cheios de fé, apliquem a si aquelas consoladoras palavras que Jesus disse aos setenta: "alegrai-vos... porque os vossos nomes estão arrolados nos céus" (Lc 10.20).

CONCLUSÃO

A presente lição trata da vocação dos apóstolos e da missão de que foram incumbidos. Trata também de outros discípulos, chamados, capacitados e enviados por Cristo. Trata ainda do programa de ação fundamental de Cristo e dos Seus apóstolos. Como crentes em Cristo, estamos incluídos.

Autor Original: Erasmo Braga (1928)
Adaptação: Odayr Olivetti (1985)

Semeando Vida

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