O segredo para quebrar barreiras e alcançar o perdão - Estudo Bíblico sobre Marcos 2


Marcos 2.1-12,15-17

Há poucos dias conversei com uma pessoa que esteve gravemente enferma e se restabeleceu. Ela se mostrou agradecida pelas orações de seus amigos evangélicos. 

Quando, porém, eu quis levar o assunto para o lado das necessidades espirituais, a pessoa desconversou, foi falando sem parar e se despediu sem me dar oportunidade nenhuma.

É o caso de lembrar estas fortes palavras de Jesus, ditas noutro contexto e com sentido figurado, em parte, mas aplicáveis a situações como a referida acima:

Mateus 5:29-30
...convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno.

A presente estudo mostra a relação fundamental que existe entre o pecado e o sofrimento humano, a importância da solução para o problema do pecado, e o poder que Jesus tem sobre os dois tipos de doença: física e espiritual.

Dois fatos são estudados nesta lição. Ambos se passaram em Cafarnaum. A cura de um paralítico foi feita na residência de Jesus; a vocação de Levi foi feita no local de trabalho deste, e seu testemunho implícito foi dado em sua casa.

Estude esta lição usando mentalmente as diferentes personalidades das várias cenas como espelhos. Olhe bem os espelhos. Em qual deles será que a sua personalidade se reflete?

Vejamos:

1. A CURA DO PARALÍTICO

a) ESTUDANDO A PALAVRA (Mc 2.1,2).

Muita gente se reuniu na casa de Jesus para ouvir-lhe os ensinamentos. Marcos e Lucas esclarecerem que Jesus estava anunciando "a palavra", estava "ensinando". Não era uma reunião de "cura divina", mas uma reunião de estudo da Palavra de Deus, estudo dirigido pelo Mestre dos mestres.

Marcos e Lucas informam que havia muita gente ali reunida, e Lucas acrescenta que estavam presentes, "assentados fariseus e mestres da lei, vindos de todas as aldeias da Galiléia, da Judéia e de Jerusalém" (examine as passagens paralelas: Mt 9.1-8 e Lc 5.17-26).

b) HOMENS DE FÉ (3-5).

Alguns quiseram que Jesus curasse um paralítico. Não se sabe quantas pessoas eram; o certo é que eram mais de quatro. Note o versículo 3.

Encontraram dificuldade para levar o enfermo para dentro de casa, "por causa da multidão". É uma coisa estranha, mas acontece: Às vezes, as mesmas pessoas que estão interessadas em Cristo e em Sua Palavra tornam-se obstáculos para que outras pessoas tenham livre acesso ao Salvador! - Pare um pouco e pense nisso.

Aqueles homens não desistiram face às dificuldades. Carregaram o paralítico até o teto da casa, subindo pela escada exterior que havia nas casas do Oriente. "Descobriram o eirado no ponto correspondente ao em que" Jesus estava. 

O eirado era uma cobertura feita com lajes de pedra ou com tijolos, e revestida com uma argamassa espessa e rija. Os homens tiraram a argamassa, fizeram uma abertura no terraço, e baixaram o leito com o enfermo. - Que mão de obra!

Jesus viu que fizeram isso porque tinham fé. Jesus valorizou a fé tão vigorosamente demonstrada por eles, e declarou perdoados os pecados do paralítico.

Notem o irmão leitor e a irmã leitora as qualidades das pessoas que conduziram o paralítico a Jesus:

(1) Compaixão pelos que sofrem. Não há nada no texto, nem nas passagens paralelas, que indique alguma ligação especial - afetiva ou de parentesco - entre aquelas pessoas e o doente. Foram movidas por pura compaixão altruísta. Não fora isso, estariam lá na casa de Jesus, para ouvi-lo.

(2) Fé em Jesus. Sabiam dos atos portentosos já realizados por Jesus. Confiaram no poder de Jesus para curar. Confiaram no amor compassivo de Jesus, que não os deixaria frustrados.

(3) Espírito de serviço. Tiveram bastante trabalho, mas fizeram o que foi preciso, sem preguiça.

(4) Persistência. Não se desanimaram frente aos obstáculos.

(5) Coragem. Imagine-se a cena. Era ou não era preciso ter coragem para fazer o que fizeram?

(6) Senso de urgência. Podiam ter pensado: "Vamos deixar para amanhã". Nada disso! - Na verdade, deixar para depois atos e decisões importantes é muito arriscado.

Meu irmão, minha irmã, as qualidades daquelas pessoas não são necessárias para o trabalho do Senhor?

c) A REAÇÃO DOS ESCRIBAS E FARISEUS (Mc 2.6-7; Lc 5.21).

Os escribas eram estudiosos da lei e zelavam pela sua conservação e pela sua observância. Havia fariseus que eram escribas.

Frequentemente os dois tipos aparecem juntos nas referências bíblicas e nas censuras que Jesus lhes dirigia (exemplo: Mt 23.2-29); o que não significa que nenhum escriba merecia apreciação positiva (ver Mt 13.52 e 23.34).

Quando viram Jesus declarar a absolvição dos pecados do enfermo, os escribas e fariseus se escandalizaram em seus corações. Em tese eles tinham razão. Só Deus pode perdoar pecados.

Mas não precisavam acusar mentalmente a Jesus, achando que Ele blasfemava. Blasfemar é falar mal de Deus. Negar que Deus tem certos atributos ou negar a perfeição de algum atributo de Deus é blasfemar contra Deus. 

Também é blasfemar contra Deus alguém ter a pretensão de ser igual a Deus ou de ter alguma qualidade ao nível da perfeição divina.

Os escribas e fariseus entenderam que Jesus estava declarando Sua igualdade com Deus no uso de um poder divino: o de perdoar pecados. 

Na verdade, os escribas e fariseus blasfemaram, ainda que mentalmente, contra Deus, porque negaram que Jesus, o Filho eterno do eterno Deus, tivesse o poder divino de perdoar pecados.

Agiram assim porque não reconheciam em Jesus o Filho de Deus. Negavam aquilo que Marcos, logo no primeiro versículo do seu evangelho, apresenta como a sua tese dominante: "Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus".

4. O PODER ABRANGENTE DE JESUS (8-12)

Em reação aos pensamentos dos escribas e fariseus, Jesus demonstrou quão abrangente eram o Seu poder e a Sua autoridade.

Primeiro, percebeu nitidamente o que se passava no coração deles (vers. 8).

Segundo, declarou, noutras palavras, que Ele tanto poderia curar o enfermo como lhe perdoar os pecados.

Terceiro, fez imediatamente aquilo que, ao menos aparentemente, era mais difícil: curou o paralítico. Naquelas circunstâncias, curar o paralítico, imediata e completamente como Jesus fez, era provar que Ele tinha poder para perdoar pecados.

Daí os termos que Ele empregou: "Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados" - curou o enfermo. O enfermo foi curado e perdoado pelo poder compassivo do Salvador.

Note ainda que Jesus usou a expressão "Filho do homem", que salienta a plena e verdadeira encarnação do Filho de Deus. Verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

2. O PUBLICANO REGENERADO

(Mc 2.15-17)

a. Jesus tanto ensinava e pregava em casa, como na sinagoga e como nas ruas, ao ar livre. A série de fatos que culminaram no testemunho da conversão de Levi começou com o passeio docente de Jesus à beira-mar. Ia Ele andando junto ao mar, "a multidão vinha ao seu encontro, e ele os ensinava" (vers. 13).

Foi durante essa caminhada que Jesus passou pela coletoria, viu lá a Levi, e lhe disse: "Segue-me! Ele se levantou e o seguiu" (vers. 14).

b. Levi e Mateus são a mesma pessoa (Mt 9.9-13). Marcos e Lucas referem-se a ele pelo nome de Levi. Mateus refere-se a si mesmo pelo nome de Mateus, talvez sendo este um nome novo que adotou quando mudou de vida. Passaremos a referir-nos a ele pelo nome de sua preferência.

c. Mateus era publicano, como o declara expressamente Lucas (5.27). Os publicanos eram cobradores de impostos a serviço do governo estrangeiro - uma vez que os romanos dominavam a nação.

Havia diferentes classes de publicanos: Uns estavam diretamente ligados ao governo. Recebiam pagamento por seus serviços. 

Estes contratavam chefes regionais e lhes pagavam por seus serviços. Por último havia os agentes locais. O lucro dos publicanos geralmente era obtido pela cobrança de quantias maiores do que as exigidas pelo governo.

E muitas vezes eles exageravam, cobrando muito mais do que seria de direito. Daí, havia pelo menos duas razões fortes para o ódio e o desprezo que os judeus votavam aos publicanos:

  • - Estes eram considerados traidores, porque prestavam serviços aos invasores;
  • - Eram considerados exploradores do povo.

Foi um homem desses, associado pelo linguajar comum aos «mais desprezados pecadores, que Jesus chamou. E Mateus O seguiu, o que significa que Mateus creu em Jesus, converteu-se, mudou de vida.

3. A CONDIÇÃO PARA SER SALVO POR DEUS

Este subtítulo já afirma um ponto fundamental: Jesus Cristo salva. Mas, haverá condição para que o pecador seja atingido salvadoramente por Jesus? 

A resposta bíblica é que a condição ou o meio para a salvação do pecador é a fé em Cristo. Ver, por exemplo, Jo 1.12; 3.16,36; At 16.31 Rm 5.1 e 10.4.

Entretanto, a própria Bíblia adverte sobre o perigo de a pessoa ter fé falsa ou fé não para a salvação, como aconteceu com nove dos dez leprosos curados por Jesus (Lc 17.17-19). 

Paulo, por exemplo, esclarece que a fé salvadora, da qual fala em Romanos dez, "vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo" (Rm 10.17).

Daí a importância do tratamento das duas experiências - do paralítico e de Mateus - na presente lição. Sim, porque nos dois casos está patente esta verdade: Seja qual for a condição física e seja qual for a condição social do pecador, este é pecador e precisa do perdão divino.

Os escribas e fariseus presentes à cura do paralítico estavam em pior situação que a do enfermo, porque este se deixou ficar inteiramente à mercê do Senhor Jesus. E o Senhor Jesus o curou e o declarou perdoado.

Também a condição dos escribas e fariseus que espiaram o banquete oferecido por Mateus era pior que a de Mateus e dos outros publicanos e pecadores, porque estes seguiram a Jesus (Mc 2.14,15) e aqueles O rejeitaram (Jo 1.11; 5.38-40; 8.47).

Os escribas e fariseus estavam tão doentes espiritualmente como o paralítico e os publicanos. Necessitavam igualmente do socorro e do perdão de Jesus. Mas a sua condição era pior porque não reconheciam que precisavam de cura espiritual e do perdão divino.

CONCLUSÃO

Os que se julgam sãos não procuram médico. Daí a palavra taxativa de Jesus: "não vim chamar Justos; e, sim, pecadores" (Mc 2.17). Daí também o caráter insubstituível da mensagem básica na evangelização: "arrependei-vos e crede no evangelho" (Mc 1.15).

O estudo de hoje focalizou a relação que existe entre o pecado e o sofrimento humano (o que não significa que todo sofrimento específico é causado por pecado específico, como erroneamente julgaram os amigos de Jó). 

Focalizou também o abrangente poder que Jesus tem para curar: cura a enfermidade física e cura a enfermidade espiritual. 

Salienta ainda a lição a prioridade do espírito sobre o físico (note no texto básico que quando Jesus falou da razão pela qual veio ao mundo, sua ênfase não foi à cura de doenças do corpo e da mente, mas foi à cura espiritual: "não vim chamar justos, e, sim, pecadores".

Autor Original: Erasmo Braga (1928)
Adaptação: Odayr Olivetti (1985)

Semeando Vida

Postar um comentário

O autor reserva o direito de publicar apenas os comentários que julgar relevantes e respeitosos.

Postagem Anterior Próxima Postagem
WhatsApp 🔒 Salvos