A voz que clamou no deserto e mudou tudo - Estudo Bíblico sobre Marcos 1


Marcos 1.1-11

Nesta série iremos estudar o Evangelho de Jesus Cristo segundo o evangelista Marcos. 

Através de suas descrições da vida e obras de Jesus, veremos porque o escritor inspirado estava convencido de que o servo do Senhor anunciado em Is 42.1 é também o Messias, o Cristo, o Filho de Deus, tese que ele afirma logo no primeiro versículo do capítulo inicial.

É notável que Marcos, logo depois de registrar a sua tese dominante, fala de João Batista, ligando-o às profecias do precursor em Malaquias e em Isaías. Mais notável ainda é o fato de que estas são as únicas citações do Velho Testamento neste evangelho.

Isto fortalece a opinião daqueles que afirmam que Marcos escreveu pensando principalmente nos romanos como destinatários da sua mensagem. 

Para os romanos, ágeis e práticos, e pouco interessados em pormenores da história de Israel, seria ótima esta introdução deles ao Evangelho por meio de uma fundamentação veterotestamentária rápida e clara.

Daí a ligação vívida feita pelo evangelista divinamente inspirado, entre a tese das boas novas de Jesus, o Messias, o Filho de Deus, e o precursor do Messias, bem como a ligação entre eles e a profecia bíblica.

E isto sem utilizar a argumentação que Mateus adequadamente usou, visando aos judeus, argumentação com muitas citações do Velho Testamento geralmente precedidas pela expressão: "Está escrito".

Por isso tudo, o conteúdo inicial do Evangelho Segundo Marcos — e o desta primeira lição do trimestre — é João Batista, em relação a Jesus.

Para o estudo da lição, salientamos alguns pontos.

1. O ARAUTO

(Mc 1.3)

João Batista foi o arauto ou precursor de Jesus.

É bom notar bem o sentido de arauto. Um modo de fazer isto é comparar esta função com estas: grupo de reconhecimento e batedor.

Os grupos de reconhecimento são empregados em ações guerreiras e similares para verificar a situação em terrenos que estão adiante da linha de frente. Os grupos de reconhecimento observam e trazem ao comandante das forças as informações que orientarão o avanço, ou a defensiva, ou a retirada.

O batedor era criado ou soldado, devidamente fardado, que ia a cavalo adiante da carruagem real. Sua função se cumpria simplesmente com a sua posição (adiante da carruagem real) e com a sua postura e o seu fardamento. Vendo-o, as pessoas sabiam que o rei e/ou a rainha vinham logo atrás.

Mas, normalmente, nisto se restringia a função do batedor. Algo semelhante é feito pelos batedores modernos, indo em motos e outros veículos adiante das comitivas de reis e presidentes - como tive ocasião de ver em Porto Alegre, na recepção popular ao presidente Gronchi, da Itália, e em Campinas, à rainha Elizabeth II, da Inglaterra.

Mas o arauto, no Oriente antigo, incumbia-se da tarefa maior: levava por caminhos fáceis e por caminhos difíceis — para isso aplainados — a mensagem de que o rei estava chegando, em paz ou para ação guerreira. Mesmo nas monarquias da Idade Média, o arauto era o oficial que anunciava a guerra e proclamava a paz.

Nos termos da profecia de Isaías, 40.3, João Batista foi o arauto incumbido de anunciar a vinda do Senhor. E a profecia conclamava a todos a aplainarem, a retificarem, a prepararem o caminho do Senhor.

João Batista foi o arauto real, não para anunciar a vinda do Rei em guerra, mas para anunciar a vinda do Rei dos reis como Príncipe da Paz.

E João Batista foi fiel: manteve-se em sua posição de arauto, quando lhe teria sido fácil assumir a posição de líder, visto que multidões numerosíssimas iam ter com ele.

2. A MENSAGEM DO ARAUTO

(1.4-8)

a. O MENSAGEIRO

Antes de dar em resumo os pontos básicos da mensagem de João, pensemos um pouco na pessoa do pregador e nas circunstâncias em que ele pregava.

João era filho do sacerdote Zacarias e para o nascimento dele houve intervenção divina. Leia Lc 1.5-25; 57-80.

Vestia-se como Elias: roupa feita com pelos de camelo, e um cinto de couro (Mc 1.6; 2 Rs 1.8). Aliás, Jesus disse que João vinha no espírito e poder de Elias (ver Mt 11.14 e Lc 1.17).

Alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. Alimentação comum dos pobres ainda hoje, no Oriente.

Pregava no deserto. E multidões iam procurá-lo!

b. A MENSAGEM.

A ênfase da sua mensagem era a necessidade de arrependimento. Pelo arrependimento as pessoas estariam preparadas para receber Aquele que batiza com o Espírito Santo.

Eis aqui um resumo da pregação do precursor do Messias:

(1) Todos os membros do povo escolhido estavam precisando reconhecer os seus pecados, confessá-los e dar provas do seu arrependimento (Mt 3.7-9).

(2) Estava chegando Aquele que era mais poderoso que ele (M 1.7).

(3) Este batizaria os fiéis com o Espírito Santo (Mc 1.8).

João atraía os pecadores para o Redentor, colocando-se humildemente como simples mensageiro. Leia Jo 1.29 e 3.30. Leia e medite.

3. PREGADOR APROVADO E MENSAGEM CONFIRMADA

a. PREGADOR APROVADO

João se considerava indigno até de desatar as correias das sandálias de Jesus (Mc 1.7), mas Jesus declarou que João era mais que profeta e que foi o maior "entre os nascidos de mulher" (Mt 11.9,11). Há pessoas que, ao lerem Mt 11.2-6, ficam julgando mal a João Batista. É melhor estar com Cristo em Sua excelente opinião sobre o Seu precursor (Mt 11.7-15).

Jesus aprovou com as mais elogiosas palavras a pessoa do pregador João Batista.

b. MENSAGEM CONFIRMADA PELO PAI CELESTE.

A confirmação divina deu-se por ocasião do batismo de Jesus. Rasgaram-se os céus, o Espírito Santo desceu em forma visível sobre Jesus, e os presentes ouviram uma voz dos céus, que dizia: "Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo" — em ti tenho prazer (Mc 1.10,11).

João Batista, em sua pregação, apontava para Jesus apresentando-o como o Messias, o Redentor, o Filho de Deus. E a voz divina confirmou publicamente a prédica de João, apontando Jesus como o bem-amado Filho de Deus.

CONCLUSÃO

João Batista foi o arauto, o precursor do Rei dos reis. Humilde, engrandeceu a Jesus e O apresentou aos homens como o Redentor, como Aquele que pode transformar vidas, batizando-as com o Espírito Santo. Jesus proferiu palavras de aprovação do Seu precursor numa hora em que muitos o estavam considerando fraco e vacilante (Mt 11.7). 

E o próprio Pai celestial confirmou a mensagem de João Batista, apontando Jesus como o Filho de Deus.

Note o leitor este fato importantíssimo: A missão do arauto do Messias foi cumprida fiel e poderosamente, sem o emprego de recursos humanos extraordinários e sem a manifestação de poder por meio de milagres. 

O poder da palavra foi o único de que se serviu o precursor de Cristo. E, no entanto, Jesus disse que João foi o maior "entre os nascidos de mulher".

A julgar pelas expressões de muitos crentes hoje, se eles fossem eleger o maior homem dos tempos anteriores à era do Evangelho, elegeriam Eliseu, pois dele estão registrados numerosos milagres, desde os mais simples até a ressurreição de um menino (2 Rs 4.32-37).

Jesus, porém, elegeu um homem que realizou, pela graça de Deus, um estupendo milagre, nem sempre adequadamente valorizado: o de pregar fielmente a mensagem do Senhor, e levar corações à contrição, ao arrependimento e à mudança de vida, para o bem, para a fidelidade a Deus. — que milagre é mais benéfico do que o da regeneração do pecador?

Autor Original: Erasmo Braga (1928)
Adaptação: Odayr Olivetti (1985)


Lista de estudos da série

1. A voz que clamou no deserto e mudou tudo
2. O dia em que Jesus declarou guerra contra a doença e o mal
3. O segredo para quebrar barreiras e alcançar o perdão
4. Por que Jesus quebrou as regras para nos dar vida nova
5. O poder irresistível que atraiu multidões desesperadas
6. Como lidar com a rejeição até mesmo de quem você ama
7. A semente invisível que pode transformar o mundo inteiro
8. O poder absoluto que acalma tempestades e expulsa legiões
9. A fé que interrompeu Jesus e o milagre que venceu a morte
10. Os 12 homens comuns escolhidos para uma missão impossível
11. Como cinco pães e dois peixes revelaram o segredo da provisão divina
12. O princípio divino que anula a religiosidade vazia

Semeando Vida

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