Marcos 4.35-41; 5.15-20
Temporais assolam com frequência a humanidade. Temporais físicos, de chuva e vendaval; temporais sociais como desemprego, greves e conflitos; temporais de natureza psicológica, moral e espiritual no interior de indivíduos e de lares.
Todos esses aspectos são atingidos pela presente lição, calcada em dois fatos extraordinários registrados nos textos básicos. Passemos à lição propriamente dita:
1. JESUS DOMINA A NATUREZA MORTA
(Mc 4.35-41)
1. Não existe natureza morta no sentido absoluto desta palavra. A expressão é usada para fazer distinção entre os mundos mineral e vegetal por um lado, e o mundo animal por outro.
2. Mc 4.35-41 descreve uma cena em que se vê Jesus exercendo o Seu poder sobre um dos mais temíveis aspectos da natureza: o mar revolto.
3. Todavia, pode ser que você pergunte: Mas o mar da Galiléia não era apenas um lago? Como poderia haver tempestade violenta num lago?". Perguntas razoáveis, que merecem resposta mais ampla do que: "Porque sim" ou "Porque a Bíblia diz isso, e pronto".
4. Um dos nomes do mar da Galiléia é "lago de Genezaré" (Lc 5.1). Mas não é um lago comum. Sua superfície está a 225 metros abaixo do nível do mar Mediterrâneo, que banha as costas da Palestina.
Sua maior profundidade é de aproximadamente 50 metros. Seu maior comprimento, na direção Norte-Sul, é de cerca de 24 km, e sua maior largura, Leste-Oeste, de perto de 14 km.
Está, pois, situado numa depressão do vale do Jordão - rio que o atravessa. Ao contrário da água desse rio, a do mar da Galiléia é doce, leve e agradável.
Visto das montanhas de Leste e Oeste, o panorama do lago é belíssimo, especialmente na época em que a vegetação está verdejante, parecendo "safira incrustada em esmeralda" (W. Ewing).
5. Mas, justamente o contraste entre as temperaturas um tanto quentes na depressão e as baixas temperaturas dos montes mais altos da vizinhança favorece a formação de violentas tempestades.
Os barcos só se aventuram a distanciar-se das margens quando as condições atmosféricas são muito favoráveis, mas, mesmo então, podem ser surpreendidos por tempestades repentinas. Foi o que aconteceu na ocasião descrita na passagem que estamos estudando. Não admira, pois, que os discípulos de Jesus ficassem apavorados.
Jesus, porém, dormia. A encarnação do Verbo divino não anulara a natureza humana, muito real, de Jesus. Dormia porque estava cansado. Dormia porque estava entre amigos.
Dormia tranquilamente quando a fúria do temporal ameaçava afundar o barco, sim, dormia serenamente porque confiava no Pai celestial. Incomparavelmente melhor do que todos os soníferos do mundo é a confiante entrega de nós mesmos aos cuidados do Senhor, como acontecia com Davi que, perseguido, punha a sua confiança em Deus e, assim, podia dizer: "Deito-me e pego no sono" (Sl 3.5).
Aflitos, os discípulos clamam ao seu Mestre e Senhor. E Jesus, desperto do sono, deu ordem ao vento e ao mar. "O vento se aquietou e fez-se grande bonança".
Jesus repreendeu a falta de fé demonstrada por Seus discípulos - repreensão que tem grande valor para nós, porque, se para vencermos as aflições precisássemos da presença física de Jesus ao nosso lado, que seria de nós?
Veja, entretanto, o tipo de fé que Vence o mundo: "Quem é o que vence o mundo senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?" (1 Jo 5.5) - apesar de estar Ele ausente de nós fisicamente.
Os discípulos, entretanto, passaram de um tipo de temor para outro, mais sábio, pois, "possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?"
É assim o nosso bendito Senhor Salvador Jesus Cristo: tem tanto poder que domina e aquieta os temporais do mar - como também se oferece para aquietar e dominar salvadoramente os temporais do coração de todo aquele que nele puser a sua confiança.
2. JESUS DOMINA O MUNDO ESPIRITUAL
(Mc 5.15-20)
1. Depois de chegarem à outra margem, à terra dos gerasenos ou gadarenos (Mc 5.1; Mt 8.28), veio ao encontro deles um homem completamente dominado por uma legião de demônios (Mc 5.9).
O endemoninhado levava uma vida completamente anormal, não tinha sossego, pois clamava noite e dia, vagando entre os sepulcros, e nenhuma corrente podia mantê-lo preso (Mc 5.3-5).
2. O poder de Jesus se manifestou de duas maneiras:
a) Pela reação do espírito imundo. Este declarou que a presença de Jesus o perturbava, pois sabia que Ele era o Filho de Deus, e confessou que Jesus tinha autoridade sobre ele, pois Lhe rogou que "Os não mandasse para fora do país" (vers. 7 e 10).
b) Pela maneira como expulsou a legião de demônios e restabeleceu completamente o endemoninhado.
3. O segundo texto básico mostra estas três coisas contrastantes:
(a) O endemoninhado, agora vestido, em são juízo, tranquilo - em contraste com a sua condição anterior;
(b) A atitude estulta dos moradores da região: vendo a maravilha da transformação operada, e também vendo que cerca de dois mil porcos, para os quais Jesus mandara a "legião", se despencaram no abismo, pediram que Jesus "se retirasse da terra deles";
(c) O ex-endemoninhado quis ficar na companhia de Jesus, mas Este o enviou para casa, para anunciar aos seus o que o Senhor lhe fizera. E ele foi, proclamando na região das dez cidades, que é o que quer dizer Decápolis, "tudo o que Jesus lhe fizera".
Mais uma vez ficou patente o poder de Jesus, não só sobre a natureza, nem só sobre as doenças, mas também sobre "as forças espirituais do mal" (Ef 6.12), contra as quais também podemos obter vitória, se estivermos unidos a Cristo (Fp 4.13).
3. DOMÍNIO BENÉFICO
(Mc 4.38,39; 5.15,19,20)
1. Jesus não realizava milagres só para exibição. Sua finalidade maior era comprovar a Sua divindade e a Sua missão messiânica; a Sua finalidade imediata era beneficiar as pessoas.
Mostrou Seu domínio sobre as forças da natureza para libertar do pavor os Seus discípulos. Mostrou Seu domínio sobre as forças do mal para libertar o homem oprimido pelo diabo.
2. Os benefícios feitos por Jesus naquelas duas ocasiões não se restringiram às pessoas acima referidas. No primeiro caso, os discípulos receberam importante lição que eles transmitiriam a outros, durante a existência deles e, depois, pelo registro inspirado nos evangelhos.
No segundo caso, o ex-endemoninhado tornou-se um missionário para benefício dos seus parentes e do povo da região de Decápolis.
E ainda hoje o Evangelho de Cristo beneficia os pecadores — com transformação de vidas, orientação, consolo, e a segura e certa esperança da vida no céu para todo aquele que nele crê de fato.
4. O SENHOR DO UNIVERSO É O NOSSO PAI
O Salmo 104 descreve como a natureza, os seres vivos em geral e os seres humanos dependem do governo de Deus e do Seu cuidado providencial.
Demonstra a mais absoluta falta de sabedoria aquele que, em vez de colocar-se confiantemente nas mãos soberanas de Deus, procura os recursos falsos, enganosos e demoníacos da superstição, da magia e das múltiplas formas de espiritismo.
Os espíritos malignos assediam crédulos e incrédulos e tudo fazem para que não lhes resplandeça a luz do Evangelho. Jesus teve e tem autoridade e poder sobre eles. Compete-nos chamar os pecadores com "a voz do Evangelho" e trazê-los para Cristo.
CONCLUSÃO
A lição de hoje nos desperta ou nos fortalece a confiança no amor e no poder de Deus, que tem soberano domínio sobre o mundo material e sobre o mundo espiritual. E nos incentiva também ao testemunho evangelizante.
Autor Original: Erasmo Braga (1928)Adaptação: Odayr Olivetti (1985)
Lista de estudos da série
1. A voz que clamou no deserto e mudou tudo2. O dia em que Jesus declarou guerra contra a doença e o mal
3. O segredo para quebrar barreiras e alcançar o perdão
4. Por que Jesus quebrou as regras para nos dar vida nova
5. O poder irresistível que atraiu multidões desesperadas
6. Como lidar com a rejeição até mesmo de quem você ama
7. A semente invisível que pode transformar o mundo inteiro
8. O poder absoluto que acalma tempestades e expulsa legiões
9. A fé que interrompeu Jesus e o milagre que venceu a morte
10. Os 12 homens comuns escolhidos para uma missão impossível
11. Como cinco pães e dois peixes revelaram o segredo da provisão divina
12. O princípio divino que anula a religiosidade vazia
